Sentindo o corpo todo ardendo por conta da queimadura de sol, Miranda ligou o chuveiro, tirou o vestido florido, o sutiã e a calcinha, e para surpresa de Peterson, que ouvia os sons do lado de fora, começou a lavar todas as peças ali mesmo, debaixo da água corrente. Ficou deixando a água morna aliviar um pouco a ardência.
Ela esfregou o tecido do vestido, sentindo a aspereza da sujeira de areia. Depois de enxaguar, estendeu tudo no box, na esperança de que secasse rapidamente. Sem mais opções, ela pegou um shampoo masculino que estava no box e o usou para lavar o cabelo e o corpo, ignorando a fragrância forte. Quando terminou, abriu a porta do banheiro e saiu enrolada em um roupão felpudo do hotel, que era enorme para ela. Sem olhar para Peterson, foi direto para a cama e se deitou de bruços, afundando o rosto no travesseiro, querendo apenas que aquele dia terminasse.
Peterson estava sentado no sofá, observando Miranda se afundar na cama. Preocupado, ele se levantou e foi até ela, parando ao lado da cama.
— Não está se sentindo bem? — ele perguntou, com a voz mais suave do que antes. — Você almoçou? Comeu alguma coisa?
Ele sabia que ela havia tomado café da manhã, mas a confusão do shopping e o estresse poderiam ter tirado o apetite dela.
— Posso pedir o que quiser. — ele ofereceu, olhando para ela.
Miranda levantou o rosto do travesseiro, mas sem direcionar o olhar para Peterson. Sua voz estava abafada, carregada de cansaço.
— Comi um lanche. Eu só preciso dormir um pouco. Por favor, não piora o meu dia. Você fez uma péssima escolha me trazendo.
Peterson sentou-se na beirada da cama, observando-a. Havia uma vulnerabilidade e uma sinceridade em suas palavras que o pegaram de surpresa.
— Eu não costumo errar em minhas escolhas. Agora pode não estar bem, mas vai estar, logo. Preciso te perguntar uma coisa que pode parecer, bom, estranha.
Miranda se sentou na cama, com o roupão ainda a envolvendo, virando-se para Peterson com uma expressão séria.
— Fala logo, o que é? — ela perguntou, com a voz sem paciência para rodeios.
Peterson hesitou por um instante, com o olhar fixo nela.
— Eu preciso saber... você tem algum problema de saúde? Talvez hereditário? Qualquer coisa que eu deva saber?
Miranda olhou para Peterson, com a surpresa em seu rosto logo se transformando em indignação.
— Não! Não tenho nada! Qual o motivo dessa pergunta idiota?! — ela explodiu, com a voz embargada pela raiva e pelo cansaço. — Você tem más intenções por acaso?! Porque eu sou a vítima perfeita, não sou? Ninguém sentiria falta!
As palavras saíram carregadas de amargura, e ela se encolheu, sentando-se encostada na cabeceira da cama, os olhos marejados novamente.
Peterson a observou por um momento, um sorriso pensativo surgindo em seus lábios.
— Mulheres são complicadas. — ele murmurou, mais para si mesmo do que para ela.
Miranda encolheu os ombros, com os olhos fixos em suas mãos.
— Eu estou envergonhada. Sei que sou ridícula. — ela murmurou, com a voz quase inaudível. — E todo mês, fico assim, emotiva, choro sempre. Por causa da TPM.
Peterson se aproximou, sentando-se mais perto dela na cama. Com delicadeza, começou a acariciar o braço dela.
— Normal. Tenho duas filhas que amam e odeiam tudo, brigam, se batem e me deixam louco.
Miranda ergueu o rosto, com a curiosidade sobrepondo-se momentaneamente à sua exaustão.
— Filhas? Você é casado? — A pergunta saiu instintivamente.
No mesmo instante, uma clareza dolorosa a atingiu, e ela afastou a mão dele de seu braço.
— Me vender é uma coisa, destruir uma família, ser amante... eu não faço isso. Não mente pra mim. Você tem mulher?
Peterson soltou uma risada baixa, afastando a mão dela de volta para as pernas dela, acariciando-as suavemente.
— Não sou casado. — ele disse, com a voz divertida. — Gostaria de ir às compras?
Miranda se encolheu, afastando as pernas da mão dele.
— Não, Peterson. Eu não vou ser boa companhia. Não quero transar, curtir, nem que me queime com vela ou me dê banho. — Ela o olhou nos olhos, com a sinceridade e o ceticismo marcados em seu rosto cansado. — Desculpa por ter aceitado. Eu não deveria ter vindo... Fui egoísta com você. Eu...
Ele a interrompeu, a encarando também nos olhos, com a voz grave e intensa.
— Realmente estou decepcionado, porque curtir deveria ser inevitável em um paraíso desses. Não sou um moleque, sou um homem. Você deve estar acostumada a estar com pessoas superficiais demais. Acredite ou não, a nossa viagem só está começando.
Miranda olhou para ele, com um sorriso espontâneo, confuso e intrigado, brotando em seus lábios.
— Ok. — ela respondeu, sem saber bem o que esperar.
Peterson se levantou, já com o celular na mão, digitando rapidamente.
— O Xavier foi ao centro e comprou uma única roupa. O que te faz ser forçada a ir às compras. Vou pegar e vamos sair.
Ele foi até a porta, e logo voltou com uma sacolinha de papelão de comida em uma mão e uma sacola de plástico na outra. Peterson colocou as sacolas em cima da cama. Da sacola de papelão, tirou uma garrafa e entregou a Miranda.
— Comprei um suco antiestresse para você. É açaí com laranja e guaraná.
Enquanto Miranda bebia o suco, ele tirou um vestido da sacola de plástico. Era amarelo e pink, florido curtinho. Ele o segurou no ar, avaliando-o com um olhar crítico.
— Hummm, parece ser a sua cara. Exótico. — ele murmurou, quase para si mesmo, mas alto o suficiente para ela ouvir.
Miranda gostou do suco, estava sentindo o sabor exótico invadir sua boca, daquele tipo, ela nunca havia tomado. Olhou para o vestido. Era vibrante, alegre, quase um reflexo do que ela gostaria de sentir naquele momento.
— Mas... eu não quero voltar naquele shopping. — ela disse, com a voz ainda um pouco hesitante, lembrando-se das humilhações anteriores.
Peterson a observou, com um brilho nos olhos que ela não conseguiu decifrar.
— Não se preocupe com isso, Mimosa. Vou estar com você. Não pense em nada. Apenas vista-se. Temos um jantar especial hoje à noite. E você vai estar perfeita.
Ela bebeu o suco rapidamente, sentindo a energia retornar. Sem perder tempo, foi para o banheiro, colocou o vestido colorido e os chinelos novos. Quando saiu do banheiro, Peterson já a esperava.
— Pronta para as compras, Mimosa? — ele perguntou, com um sorriso no rosto.
Miranda assentiu, com um brilho de ansiedade nos olhos. Ela fez menção de pegar sua bolsa surrada, mas Peterson a impediu com um gesto.
— Não precisa. — ele disse.
Ela o olhou, com um misto de vergonha e naturalidade em seu rosto. Sem hesitar, abriu a bolsa, tirou dois absorventes e os estendeu para ele.

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