Peterson a ouviu com atenção, e então perguntou, com um tom de curiosidade em sua voz.
— Você não é jovem o suficiente para viver? Não tem vinte e cinco anos?
Miranda sorriu, exultante, com uma leveza em sua voz.
— Idade são só números, Peterson. O importante é o que tem dentro da gente. E, sinceramente, eu já perdi a habilidade de sonhar. Para mim, isso é coisa de jovem. Conheci algumas pessoas, mas não eram para mim.
Peterson ficou reflexivo por um momento, com a experiência de seus anos pesando em suas palavras.
— Você gostaria de fazer algo em especial durante a viagem? — ele perguntou, com a voz mais suave. — Qualquer coisa que esteja ao meu alcance.
Miranda começou a rir, um riso irônico, achando-o falso demais.
— Não quero te comover e te fazer ter pena. — ela respondeu, com os olhos faiscando.
— Não é pena. — ele rebateu, com a voz calma. — É gentileza.
Ela o olhou nos olhos, arqueando as sobrancelhas com afronta.
— Não existe mesmo homem mais gentil do que aquele que quer comer uma mulher a qualquer custo.
Ele começou a rir, a acariciando nas costas com um gesto que tentava ser tranquilizador.
— Você vai dar, Mimosa? Vai saciar os meus desejos? — ele perguntou, com a voz baixa e divertida.
Miranda desviou o olhar, constrangida, com o rosto corado.
— Com certeza vou. — ela respondeu baixinho, mas com firmeza. — Mas sob novas condições, novas regras.
Peterson começou a rir, a admirando. Com um sorriso malicioso e lindo, ele disse:
— Mal posso esperar por esse momento.
Ela estava terminando de comer, um sorriso brincando nos lábios e nos olhos enquanto o encarava, deixando-o encantado. Eles se levantaram juntos.
— Precisamos ir para o passeio. — ele disse.
Caminharam de mãos dadas, e Miranda começou a tagarelar, contando tudo o que havia feito pela manhã.
— Eu estava muito envergonhada no começo. — ela confessou. — Mas como não conhecia ninguém, perdi a vergonha bebendo um pouco.
Ele a ouviu com atenção, fazendo algumas perguntas aqui e ali, como se aquilo realmente importasse. É claro que ele não dava a mínima, mas vê-la tagarelando mais solta e sorridente era algo bom de se olhar. Eles foram para o quarto e, assim que entraram, Peterson pegou o celular.
— Você precisa colocar uma roupa mais bonita. — ele disse, sem tirar os olhos do aparelho.
Miranda fez uma careta e mostrou o vestido novo que usava, um modelo florido, discreto e delicado.
— Este não é bom o suficiente? — ela perguntou.
— Sim, é. — ele respondeu.
Miranda correu para o banheiro. Tomou um banho rápido e se vestiu ali mesmo, colocando uma sandália rasteira bonita. Fez uma maquiagem leve e deixou o cabelo molhado e solto, exalando o cheiro dos produtos caros que havia comprado. Peterson estava sentado na cama, esperando. Quando a viu sair do banheiro, toda arrumada, ele começou a rir.
Miranda se aproximou de Peterson, visivelmente incomodada.
— Sou uma palhaça? — ela perguntou, com a voz cortante. — O que tem de errado comigo?
Ele a puxou para perto, e começou a beijar suas mãos, subindo pelos braços, até o colo e o decote.
— Não tem nada de errado, Mimosa. — ele murmurou entre os beijos. — Mas você é intrigante, tem uma beleza natural, simplória.
Miranda se sentou no colo dele, de frente, permitindo que ele continuasse a beijar seu decote.
— Hummm, sei.
Ela o acariciou no rosto, pescoço, e costas, enquanto falava.
— Não quero surpresas como na noite anterior. — Miranda disse, com a voz baixa quase falhando sentindo ele tão perto.
— Eu vou me comportar, Mimosa. — ele respondeu, com a voz debochada. — E em troca, quero saber sobre um desejo mais íntimo seu, um fetiche, até o final do dia.
Miranda olhou Peterson nos olhos, séria e exultante com a proposta.
— Eu vou pensar. — ela disse, e, quase que por reflexo, ajeitou o decote, cobrindo-se um pouco mais, antes de se levantar, o evitando.
Nesse exato momento, o celular dele começou a tocar. Peterson também se levantou, terminou de se arrumar e, em instantes, já estavam saindo do quarto, parecendo um belo casal que só existiria ali, naquele momento e lugar.
O motorista os esperava. Miranda saiu nitidamente animada, cumprimentou o motorista com um sorriso largo e brincou, dizendo que ia dar uma camisa florida de praia para ele, porque ele ficava "muito sério com aquela roupa chique". Xavier, simpático, disse que aceitaria de bom grado e que era o motorista dela, segurança, e guarda-costas. Miranda, então, começou a conversar animadamente com ele, fazendo perguntas sobre sua vida pessoal.
Chegaram a um heliporto ali perto. Peterson estava sério, como se nada ali fosse novidade ou especialmente interessante. Os poucos sorrisos que surgiam em seu rosto eram apenas quando ouvia Miranda falando algo engraçado ou bobo. Quando subiram no helicóptero, só então ela silenciou totalmente. Miranda ficou nervosa e com medo. O helicóptero levantou voo, e o medo de Miranda era enorme. Peterson percebeu e, estendendo a mão, segurou a dela, um gesto simples que a ajudou a se acalmar.
A paisagem lá embaixo mudava rapidamente, e logo avistaram uma ilha deslumbrante, cercada por um mar azul-turquesa. Eles sobrevoaram praias lotadas, repletas de guarda-sóis coloridos e pessoas desfrutando do sol. O destino, porém, era um resort luxuoso que parecia surgir do paraíso, com bangalôs charmosos espalhados pela areia, piscinas de borda infinita que se fundiam com o horizonte e uma infinidade de atrações visíveis mesmo do alto.
Ao chegarem, Peterson e Miranda seguiram para o bangalô reservado. Era um espaço que harmonizava perfeitamente o rústico com a modernidade, exalando um charme exclusivo. A característica mais marcante era a enorme porta de vidro que ocupava quase toda a parede frontal do quarto, oferecendo uma vista deslumbrante diretamente para o mar e para a piscina privativa que se estendia logo à frente. No interior, o bangalô era um convite ao relaxamento. Uma banheira espaçosa prometia momentos de indulgência, enquanto a cama grande e confortável parecia abraçar o cansaço do dia. Um frigobar abastecido, um closet generoso e uma televisão completavam o ambiente, garantindo que nada faltasse para uma estadia de puro luxo e privacidade.
Miranda estava completamente encantada, admirando cada detalhe do bangalô e da paisagem. Peterson, observando-a, disse:
— Vou te levar para escolher o que quer fazer agora. Tem SPA, mergulho, a praia ou a piscina.
Ela se sentou na cama, com os olhos ainda fixos na imensidão azul lá fora.
— Eu nunca entrei no mar. — Miranda confessou, com a voz quase um sussurro.
Peterson sorriu, com um brilho exultante nos olhos.
— Então podemos ir à praia! — Ele fez uma pausa, com o sorriso diminuindo um pouco. — Mas eu não quero entrar, não gosto.
Miranda o olhou com um leve julgamento, com a surpresa visível em seu rosto.
— Então por que me trouxe a um lugar que você não gosta? — ela perguntou, com a voz carregada de curiosidade e um toque de ironia.
Ele estava em pé, mexendo no celular, e sorriu sem nem olhar para ela.

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