Ansioso e impulsivo, Peterson ficou mais de meia hora na rua de Miranda no sábado de manhã. Viu que a casa parecia vazia, tudo fechado. Ele queria vê-la, se desculpar, se oferecer para pagar as contas. Miranda, no entanto, havia saído cedo. Estava fazendo cursos para poder trabalhar por conta própria. Ela conseguiu vender quase tudo o que quis, e só faltava fechar a rifa.
Miranda imaginou que ele poderia procurá-la e passou a ficar em casa com tudo fechado. Achou o maior absurdo ele ter mulher e ela estar grávida, e ficou realmente revoltada.
Dania estava decidida a se mudar para a Europa, fazendo Peterson escolher entre as filhas mais velhas e os filhos mais novos. Para piorar, Dania descobriu, por uma amiga, que Peterson estava na praia com outra mulher. Queria saber a qualquer custo quem era e soube que a moça era simples, bem diferente deles.
Peterson não quis contar, mas depois, no meio de uma discussão, disse a Dania que estava apaixonado por outra pessoa e, por isso, eles não podiam reatar nada. A vida dele estava realmente ficando difícil. A solidão, a tristeza e o vazio que sentia não estavam sendo preenchidos por nenhuma festa. Eles não ficaram bem por nem um mês enquanto pretendiam voltar. Seguindo os conselhos dos pais e amigos, ele teve que apelar para a justiça, impedindo-a de viajar com Charlie, o que a deixou furiosa. Ela começou a exigir uma fortuna de pensão, algo que nem a mãe de Amaia ou Núria nunca fizeram. Dania o fez perder o resto de admiração que ainda restava.
Os dias de Miranda foram passando, todos iguais, solitários e sem graça. Ela estava fazendo um dos cursos no shopping, todos os sábados. Olhava as vitrines das lojas, tomava um sorvete do mais em conta, e às vezes sentava na praça de alimentação, observando as pessoas que pareciam ricas, tentando imaginar como eram suas vidas.
Toda a família já estava sabendo das fofocas de que Peterson havia sido rejeitado por uma moça humilde. Ele mesmo se recusava a tocar no assunto, mas era nítido que estava diferente desde que voltou da viagem. Passou a dar presentes mais simples para as crianças e negava coisas exageradas que elas pediam. Peterson começou a fazer comentários sobre a educação delas, especialmente da mais velha, cobrando mais sobre como falavam com os empregados. Dizia coisas como que "existiam crianças que não tinham nem um sapato novo, nem um tênis", conscientizando-as sobre a realidade de outras pessoas.
Peterson chegou à conclusão de que não era bom para Miranda e que ela já tinha tido um relacionamento ruim e não merecia outro que tivesse "data de validade", porque ele se via assim: alguém incapaz de ter algo duradouro e normal.
Era fim de semana, dia dele ficar com as crianças. Pegou o caçula e Núria. Encontrou Amaia no shopping. Primeiro, Amaia quis ir às lojas, porque era aniversário dela e, em vez de uma festa grande, a deixaram gastar no shopping. A mãe dela foi junto, a irmã mais velha também, e os pais de Peterson estavam passeando reunidos também. Compraram maquiagens e acessórios. Na hora do almoço, foram para a praça de alimentação.
Peterson estava dando atenção para o caçula, indo pegar comida saudável para ele, acompanhado dos pais. As meninas foram para outro lado pegar lanches. Amaia estava falando desde o dia anterior que queria o lanche só pelo brinde. Elas entraram na fila, e a irmã mais velha de Amaia a chamou:
— Amaia, vem aqui, vai querer qual lanche? A Núria já escolheu.
Miranda estava atrás delas, distraída, com o pensamento distante, quando ouviu os nomes. Olhou às pressas e começou a prestar atenção na conversa, reparando nelas. Achou-as a cara do pai. Amaia falou que queria a Menina Superpoderosa igual a ela, Miranda começou a rir, notando a personalidade forte, igual a que Peterson havia descrito sobre ela. Amaia, então, olhou para ela debochada e perguntou:
— Qual Menina Superpoderosa você é moça?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O magnata e a faxineira ( Desejos proibidos )