Seus olhos marejaram novamente, a vulnerabilidade estampada em seu rosto. Peterson segurou sua outra mão, entrelaçando seus dedos.
— Você já é vista, Miranda. Eu vejo a sua força, a sua integridade, a maneira como tocou minhas filhas hoje… Aquilo foi genuíno. Respeitoso.
— E quanto às suas condições, aceito cada uma delas. Sei que preciso provar meu valor, mostrar que minhas intenções são reais e duradouras. Quanto ao tempo… leve o tempo que precisar.
— Eu estarei aqui, disposto a esperar e a construir essa confiança, tijolo por tijolo. Você não é mais um segredo, nunca mais será. E não, você não é um desafio vazio, é a pessoa que me fez questionar tudo em minha vida.
Ele apertou suas mãos, transmitindo firmeza.
— E quanto a gostar de você… Miranda, meu coração já te escolheu há muito tempo. Só fui tolo demais para admitir.
— Você não sai dos meus pensamentos.
Ela deixou uma lágrima solitária escorrer, com um pequeno sorriso começando a surgir em seus lábios.
— E a Dania? E o bebê?
A sombra da realidade pairou entre eles. Peterson suspirou, soltando suas mãos para acariciar novamente o rosto dela.
— A situação com Dania é… complexa. Mas minha decisão está tomada. Não há mais amor ali, Miranda. Há um histórico, mais um filho a caminho, responsabilidades.
— Mas meu coração não está mais lá. Eu sempre serei um pai presente, para os meninos, farei o que for preciso, mas como casal, acabou. Já acabou há muito tempo, muito antes de você aparecer.
— Você apenas abriu meus olhos para a verdade que eu estava tentando ignorar. A Dania já me magoou muito, inclusive se mostrou uma pessoa mesquinha e egoísta, recentemente. Mas depois eu te conto tudo, com calma.
Ele olhou nos olhos dela, com uma intensidade que a fez estremecer.
— Eu sei que parece complicado, e é. Mas eu estou disposto a enfrentar tudo isso por você, por nós. Eu quero construir uma vida com você, Miranda. Uma vida real, com todos os seus desafios e alegrias.
Ela sorriu, ainda hesitante. Olhou para a direção onde a família de Peterson havia ido.
— Eles… parecem ser legais. Mas podem não...gostar de mim.
— Sou muito simples, você sabe.
— Eles são. E eles vão gostar de você, Miranda. Dei a eles motivos para pensarem o contrário, eles sabem que você me rejeitou, mas a verdade sempre prevalece. Minha mãe já percebeu o quanto você me afetou. A Lana também, eles só querem me ver feliz.
Ela respirou fundo novamente, tomando uma decisão.
— Tudo bem, Peterson. Eu quero acreditar em você. Mas você vai ter que me mostrar, todos os dias, que isso é real. Sem joguinhos, sem meias verdades.
Ele a abraçou apertado, aliviado e esperançoso.
— Mostrarei, meu amor. Mostrarei cada dia da minha vida. Como você é especial pra mim.
Ela retribuiu o abraço, pela primeira vez se permitindo sentir uma felicidade genuína, apesar da incerteza do futuro.
— A Amaia queria te chamar para comer bolo, você vai precisar, lidar com o interrogatório dela.— ele disse, sorrindo contra seus cabelos.
Miranda se afastou um pouco, com um brilho nos olhos.
— Ela é muito linda. E a Núria é um encanto.
Peterson pegou sua mão novamente.
— Então, vamos lá. Vamos celebrar o aniversário da minha filha e começar a construir o nosso futuro. Juntos.
Enquanto caminhavam de volta para a praça de alimentação, de mãos dadas, Miranda olhou para Peterson. Havia uma nova determinação em seu olhar, misturada a uma cautelosa esperança. Ela sabia que o caminho à frente não seria fácil, mas pela primeira vez em muito tempo, sentia que valia a pena arriscar. No meio do burburinho do shopping, dois corações feridos começavam a vislumbrar a possibilidade de uma nova história, escrita a quatro mãos, com a promessa de verdade, lealdade e um amor que ambos esperavam, em segredo, encontrar.
Ao se aproximarem da mesa, os olhos de todos se voltaram para Peterson e Miranda, que caminhavam de mãos dadas. A mãe de Peterson, foi a primeira a sorrir, um sorriso caloroso que acalmou um pouco a ansiedade de Miranda. Amaia, a aniversariante, saltitava de alegria ao ver Miranda.
— Mãe, pai, essa é a minha amiga! A moça super legal que adivinhou minha idade! — Amaia anunciou, puxando a manga da mãe para apontar para Miranda.
Lana riu, olhando para Peterson com um brilho divertido nos olhos. Miranda sentiu o rosto corar novamente.
— Amaia, querida, que bom que você fez uma amiga! E ela é muito amiga do seu pai, olha só que coincidência. — a mãe de Amaia, disse com um sorriso gentil. Ela se virou para Miranda, levantou para cumprimentar.
— Olá! Sou a Lana, mãe da Amaia. É um prazer te conhecer.
Miranda sorriu, tentando esconder o nervosismo.
— Oi! Miranda. Muito prazer.
Peterson apertou a mão de Miranda suavemente, um gesto de apoio. Ele então se dirigiu à mesa com a voz firme, mas com um tom de alegria contida.
— Pessoal, eu gostaria de apresentar oficialmente a vocês a Miranda. Ela… é a minha namorada.
Um silêncio momentâneo pairou na mesa. O pai de Peterson, um homem imponente, assentiu com um pequeno sorriso. A irmã mais velha de Amaia, arregalou os olhos levemente, mas logo se recompôs rindo. Núria, por sua vez, soltou um gritinho de felicidade e correu para abraçar as pernas de Miranda.
— Eu gosto dela pai! — Núria exclamou, e Miranda se abaixou para abraçá-la novamente.
A sogra se levantou e foi até Miranda, abraçando-a com carinho.
— Seja muito bem-vinda à família, querida. Já estava na hora de o Peterson encontrar alguém que o botasse nos eixos! — ela brincou, e Peterson revirou os olhos com um sorriso.

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