Ela se acalmou, com o riso desaparecendo aos poucos, mas o constrangimento permanecia. Em silêncio, voltou a comer. Victor, notando a mudança, decidiu mudar de assunto.
— Não vou mais encher sua cabeça com isso. Mas, se você quiser, posso te levar a uma festa. Só para você observar, se quiser ver como é.
Ela o olhou, exultante.
— Você deve conhecer muitas pessoas desse meio para fazer isso de… dar mama para você. Por que eu?
Ele respondeu naturalmente, como se a pergunta fosse a coisa mais óbvia do mundo.
— Você é diferente delas. Eu nunca te peguei. E, além disso, seremos vizinhos de porta. É unir o útil ao agradável. Imagina só você acordar bem cedo, dar uma rapidinha, go.zar e começar o dia contente.
Ele a olhou nos olhos.
— Só que eu não quero nada além de um acordo. Acho que você está calejada como eu e vai saber separar as coisas.
Ela terminou de comer, com a mente a mil, e levantou-se para lavar a louça.
— Eu não como a carne onde ganho o pão. — ela disse, de costas para ele.
— Por mais que eu esteja curiosa e intrigada, tudo isso não é para mim, e eu não vou me arriscar.
Victor riu, recostando-se na cadeira.
— Tudo bem, sem problemas. Eu vou buscar outra pessoa para me acompanhar em minhas loucas aventuras.
Rayra ficou desconcertada.
— Me desculpa. — ela murmurou.
Ele riu novamente.
— Você não tem que se desculpar por nada. Apenas lamente por não poder aceitar.
Ele deu boa noite e disse que ia dormir. Rayra deu boa noite, terminou de limpar a cozinha, pensativa, e foi para o quarto de empregada, que havia escolhido na lavanderia. Victor não havia visto, mas ela havia levado suas coisas para lá, e ele não notou.
Ele tomou banho ansioso, pensando em um modo de seduzi-la, e se deitou para dormir cedo, antes das 21h. Acordou à meia-noite, com sede. Levantou-se para tomar água e viu a porta do quarto que havia lhe oferecido aberta, com a cama vazia. Achou que ia espiar, mas levou um susto. As coisas dela não estavam lá.
Ele pegou o celular para olhar as câmeras da sala e do quintal, pensando que ela tinha ido embora, brava e ofendida. Ele estava na cozinha, confuso, e tomou um copo de água, fazendo barulho. De repente, Rayra surgiu na lavanderia, vestindo um baby doll preto de cetim.
— Quer alguma coisa? Que eu faça alguma coisa?
Victor levou um susto, bloqueou o celular rapidamente para que ela não visse que ele a estava espiando.
— Nossa, o que você está fazendo aí? Ainda lavando, passando? — ele perguntou, com a voz abafada.
Ele estava vestindo apenas uma cueca samba-canção. Rayra se aproximou, cabisbaixa, ajeitando o cabelo, evitando olhar para o corpo lindo dele.
— Não, eu estava deitada, mas sem sono. Dormi muito de dia. Estou no quartinho da área de serviço. Enchi o colchão inflável que estava lá. Desculpa ser xereta, mas, às vezes, tomo a frente e faço tudo.
Victor, desacreditado, entrou na lavanderia.
— Como assim? Por quê? Tá louca, dormir no chão? Tem cama sobrando aqui na casa.
Ela o acompanhou rindo.
— Ué, não sou visita, sou funcionária. É o certo.
Ele entrou no quartinho, rindo.
— E por isso não precisa de conforto?
Ele se abaixou, tentando murchar o colchão, e Rayra se aproximou rindo, tentando impedi-lo.
— Nãooooo! Ele é ótimo! Eu tô bem aqui. Para, é sério. Você já tem sido muito generoso.

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