No dia seguinte, Rayra levantou às seis da manhã. Abriu a casa, arrumou o café na mesa de jantar com ovos mexidos, café, suco, torradas e bacon. Ela já havia percebido mais ou menos o horário em que ele levantava, então a casa estava toda limpa quando ele acordou. Rayra foi para o quintal dos fundos, arrancou alguns matos, limpou a piscina e lavou toda a área de lazer.
Victor ouviu o barulho, olhou pela varanda e a espiou, com um sorriso no rosto. Ele resolveu provocá-la.
— Rayra? Bom dia! Pode me ajudar aqui, por favor? — ele assobiou lá de cima.
Ela acenou, sorriu e respondeu que já subia. Largou tudo o que estava fazendo e subiu correndo. Ele entrou no banho, com a porta do banheiro aberta. Rayra ouviu o barulho da água e foi entrando no quarto.
— Victor? Do que precisa?
Ele desligou o chuveiro.
— Não estou achando a gravata azul com listras, uma bem escura. Pode me dar a toalha, por favor?
Ela arregalou os olhos, rindo nervosa. Pegou a toalha em cima da cama e enfiou a mão no banheiro, sem entrar. Ele se aproximou, falando normalmente, e pegou a toalha.
— Hoje, vou passar o dia todo fora. Pensei em levar seu celular para consertar, se quiser.
Rayra se virou para responder, e ele estava simplesmente pelado, com a toalha nos ombros, secando o cabelo. Ela virou o corpo rapidamente, nitidamente constrangida.
— Vou pegar o celular. — ela disse, saindo às pressas.
Ele ficou rindo, adorando a ver com vergonha. Rayra, no entanto, começou a ficar confusa e com receio de que ele tivesse descoberto o que ela fez no dia da festa.
Ela voltou ao quarto, com o rosto corado, e entregou o celular a ele. Enquanto Victor terminava de se arrumar, ela o ajudou, separando as roupas que ele iria usar no dia.
— Vou almoçar no trabalho. — ele disse, com a voz casual.
— Você pode ficar de boa, dar um mergulho na piscina ou assistir TV à vontade.
Ela riu.
— Pra dar certo, a gente precisa de limites, e eu conheço os meus.
Ele a chamou de "careta", e foi para a cozinha. Rayra correu para esquentar o café e o bacon, servindo-o na mão. Ela ficou na cozinha enquanto ele comia, e ele logo saiu para trabalhar.
Rayra, por sua vez, voltou para o quintal. Mesmo com o corpo dolorido, não parou quieta. Passou horas lavando o chão, arrancando os matos do jardim todo, como se o trabalho fosse uma forma de esquecer a dor física e mental. Almoçou sentada no balcão da cozinha, revirou os armários para limpar e organizar tudo. No final do dia, começou a preparar o jantar.
Deixou tudo adiantado e foi tomar banho. Com a televisão do quarto ligada e se viu tentada a mexer nas coisas de sex shop, que estavam guardadas no closet. Muitas delas ainda estavam fechadas. Entediada e envergonhada, ela decidiu que não faria mal nenhum se aventurar. Levou duas coisas para o banheiro: um "dildo" de tamanho mediano e um gel vibrador líquido.
Dentro do chuveiro, ela começou a rir de nervoso, tentou usar o brinquedo, mas não gostou. Sem sentir prazer, ela resolveu abrir a mente, fechou o chuveiro e passou o gel. Distraída e tentando se divertir, ela estava rindo, perdida em seus próprios pensamentos.
Victor havia chegado há algum tempo. Subiu as escadas, procurando-a, ouviu o chuveiro sendo desligado e as risadas. Curioso, abriu uma fresta da porta. Viu o reflexo dela no banheiro, mas não conseguia ver muito bem o que ela estava fazendo.
— Rayra? Posso entrar? — ele disse, batendo na porta.
Ela gritou, desesperada:
— Oi! Espera!
Com o rosto corado, ela olhou nervosa para a porta.
— Tô no banho.

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