Ele sorriu.
— Não, por que? É gostoso, divertido. Você não gosta de si mesma? Da sua aparência? É insegura?
— Ah, não sou nenhuma novinha — Rayra respondeu.
— Tenho marcas, estrias, celulite para subir num palco e me mostrar na claridade. Me arreganhar. Não dá.
Ela suspirou, um sorriso triste no rosto.
— Então a resposta é sim, sou um pouco insegura. Se eu pudesse, mudaria várias coisas.
Victor ficou surpreso.
— Você não parece ser assim. Sei lá. Todos nós temos algumas coisas para mudar. Para melhorar.
— Eu, por exemplo. — ele disse.
— Tem mulher que não me curte. Sou bem dotado, e elas reclamam da cólica depois.
Rayra se descontrolou em uma gargalhada e ficou corada de vergonha.
— Entendi. Na hora da festa, é só diversão mesmo. As consequências vêm depois. Você já mediu o seu…?
Ele sorriu com maldade, interrompendo-a.
— Não, nunca. Quer saber o tamanho? Está considerando a proposta? Se quiser perguntar qualquer coisa, é só falar.
Rayra se levantou, rindo, tirando a louça do balcão.
— Não, não. Eu posso imaginar. E eu te entendo. Você é muito bonito, tem um espírito jovem, alto astral. Tem tudo a seu favor, e se eu fosse igual, teria uma autoestima elevada e o ego nas alturas.
Victor terminou de comer, cerrou os olhos, olhando-a fixamente.
— Me acha arrogante? Esnobe? Prepotente?
Ela o olhou, séria e exultante.
— Não. Apenas privilegiado pela vida, pela natureza.
Ele não gostou do que ouviu. Levantou-se sério, sentindo-se injustiçado.
— Entendi. Já vou subir, tomar um banho e deitar. Boa noite!
Ela deu boa noite e percebeu que ele não gostou, mas pensou que ele estava incomodado por ela não ter aceitado as propostas indecentes de imediato. Rayra limpou a cozinha e foi deitar cedo. Cansada, ela dormiu profundamente e, sem o celular para despertá-la, perdeu a hora.
Levantou quase às dez da manhã, desesperada. O quarto de Victor estava fechado, e ela, ao olhar a garagem, viu que o carro já havia saído. Tomou café e começou a trabalhar, abriu a casa toda, procurando algo para se ocupar. Perdeu a noção do tempo limpando as janelas e os vidros do andar de cima. Ela estava ouvindo música na televisão, e já passava das 13 horas. Victor chegou e entrou, curioso e sem fazer barulho, já que não a havia encontrado pelas câmeras.
Ele andou no andar de baixo, não a encontrando, e subiu as escadas. Rayra estava em cima de uma escada, limpando uma vidraça, e ele falou, mais sério que o normal:
— Oi. Trouxe seu celular.
Ela foi descendo de imediato, largando tudo.
— Oi! Está com fome? Eu não sabia se você vinha, então não fiz nada, diferente do jantar. Me dá dez minutos, e eu…
Ele a interrompeu, cabisbaixo, mexendo no celular.
— Não precisa, pode continuar aí. Eu como alguma coisa. Me viro sozinho.
Ela se aproximou, desconcertada, sentindo a mudança em seu comportamento.
— Tem certeza? Deixa eu fazer pelo menos uma salada.
Ele foi em direção ao quarto, dizendo que não precisava. Rayra foi para a cozinha, começou a esquentar a comida, fez um suco natural, ralou cenoura e lavou tomates-cereja. Victor desceu com outra roupa, regata, bermuda e chinelo.
— Eu falei que não precisava. Estou sem fome. — ele falou, sério.
Ela sorriu gentilmente, se aproximando dele no balcão.
— Está bom. Posso fazer alguma coisa por você?
Encostado, ele a olhou com um olhar penetrante, frio e intimidador.
— Não. Mas é melhor eu comer. Se não, vai ficar brava igual a ontem, quando eu disse que já tinha comido fora.
Ela encostou ao lado dele, sorrindo.

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