Foi então que a porta se abriu para a próxima candidata. Peterson ergueu a cabeça por reflexo, pronto para mais uma apresentação genérica. Mas, desta vez, seu olhar se fixou. Ali estava Miranda, com sua calça surrada e os tênis gastos. A maquiagem, apesar do esforço, mostrava sinais de cansaço, e a pequena tatuagem de borboleta em seu braço, que ele se lembrava tão bem, parecia quase um farol em meio à simplicidade de seu visual. O tédio de Peterson desapareceu, substituído por uma mistura de surpresa e um interesse abrupto. Ele a reconheceu imediatamente.
O olhar de Peterson se fixou em Miranda. O tédio que o acompanhava nas últimas horas se dissipou, substituído por um brilho intenso e um sorriso natural que curvou seus lábios. Não era um sorriso de simpatia, mas de cobiça e desejo velado. Ela deu boa tarde, sentou e ficou séria, nervosa, respondeu algumas perguntas e já foi informada sobre salário e benefícios. Nervosa, ela perguntou, confusa, se eles ligavam para dar um retorno.
Sem hesitar, Peterson se inclinou para a frente, ignorando os outros membros da equipe de RH.
— Está contratada. — disse Peterson, a voz grave e definitiva, sem dar margem para discussão. O tom de sua voz era de alguém que não apenas dava uma ordem, mas que já havia tomado uma decisão inabalável. Mal sabia ele, que aquela vaga já seria dela, de qualquer forma.
Miranda, por sua vez, reagiu com uma naturalidade quase robótica. Seus olhos não traíram qualquer surpresa ou reconhecimento.
— Agradeço a oportunidade. — Respondeu ela, em um tom formal e indiferente, como se aquela contratação fosse apenas mais uma etapa burocrática em sua vida, sem nada de especial acontecendo. Pegou os papéis que lhe foram estendidos e saiu da sala de entrevista, com a imagem da profissional contida e séria.
No entanto, assim que a porta do elevador se fechou e ela se viu sozinha, a máscara de indiferença caiu. O peso daquela boa notícia a atingiu em cheio. Seus olhos se encheram de lágrimas, e um sorriso incontrolável escapou de seus lábios. Ali, naquele espaço confinado de metal e vidro, Miranda sentiu o desespero e a tristeza dos últimos meses darem lugar a uma alegria pura e avassaladora.
Ela tinha um emprego. A chance de se reerguer, de ter uma vida digna, estava finalmente ao seu alcance. As lágrimas rolavam pelo seu rosto, agora não de angústia, mas de um alívio e uma felicidade que ela não sentia há muito tempo.
Miranda aguardou, com uma mistura de ansiedade e expectativa, que Peterson a procurasse. Pesquisou sobre ele na internet, ficou indignada dele ser tão rico. Afinal, ele tinha acesso a todas as suas informações na empresa. Os dias se passaram, e o celular, antes repleto de mensagens de homens interessados, agora permanecia em silêncio em relação a ele, deixando-a frustrada.
Ela cumpriu todos os procedimentos para sua contratação, preenchendo formulários e entregando documentos com uma nova determinação, de apenas ficar longe de problemas. O primeiro dia de trabalho chegou, trazendo consigo uma ansiedade intensa. Miranda se apresentou normalmente, vestida com seu uniforme de faxineira, pronta para a nova realidade.
O trabalho era árduo. Ela sofreu para limpar um andar inteiro, recebeu instruções apressadas de uma colega mais experiente, cujo rosto exibia a fadiga de anos de serviço e mau humor. Cada sala, cada corredor, cada banheiro exigia um esforço físico que a deixava exausta, eles eram muito exigentes lá.
Miranda estava no segundo turno e, quando finalmente terminou suas tarefas, já passava das vinte e duas horas. Muito cansada, nem se lavou lá, apenas trocou a roupa, querendo ir descansar. Ao sair daquele prédio imponente, que durante o dia pulsava com o poder e a agitação dos executivos, ela sentiu o peso de um dia longo e desafiador.
O primeiro dia de trabalho de Miranda terminou tarde, e a realidade sem glamour da sua nova rotina a atingiu em cheio, cheirando a produtos de limpeza, ela caminhou sentindo o corpo todo doer. Ela não havia recebido o vale-transporte ainda, o que significava uma longa caminhada de volta para casa. O vento gelado da noite cortava sua pele, e Miranda, que não havia levado agasalho, tremia de frio.
Caminhava pela avenida movimentada com os ombros curvados e os braços cruzados sobre o corpo, tentando se aquecer. Seu olhar estava fixo no chão, os pensamentos perdidos na exaustão física e mental.
De repente, um carro de luxo de cor escura, um Porsche, encostou suavemente ao seu lado na calçada. O ronco do motor chamou sua atenção, e Miranda ergueu a cabeça, os olhos curiosos, mas apreensivos. O vidro escuro do Porsche baixou suavemente, revelando o rosto de Peterson. Com seus olhos escuros, intensos como Miranda se lembrava, fixaram-se nela com uma seriedade que a fez estremecer.
— Quer uma carona, Mimosa? — A voz dele era firme, e o apelido, um sussurro do passado recente, a atingiu em cheio. — Achou que eu não me lembraria de você?
Miranda se aproximou, desconcertada, o rosto contendo a surpresa. Manteve a voz firme, quase inexpressiva, tentando não trair a enxurrada de emoções.
— Nem pensei nisso, bom. Obrigada, mas não precisa.
Peterson arqueou uma sobrancelha, um sorriso irônico mal esboçado em seus lábios.

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