Dan foi comprar a bebida para Rayra, e, no portão, falou com Victor, que lhe deu sugestões, e disse que Rayra "ia topar qualquer coisa fácil". Os amigos de Victor logo chegaram, com bebidas, incluindo duas mulheres e um casal. Todos foram para a piscina e pediram comida.
Rayra ajeitou o cabelo, o deixando solto, e se vestiu com um shorts jeans curto, desfiado na barra, e um cropped florido. Desceu toda perfumada, pronta para fazer o que sentisse vontade. Quando chegou à cozinha, ela viu Victor beijando a amiga dele como se não houvesse amanhã. O beijo era longo, sem pressa e ousado cheio de carícias.
Ela saiu sem ser vista e foi para a piscina. Cumprimentou a todos, com a simpatia que ainda lhe restava, e se sentou meio de canto. Rayra pensou que nunca ia entender ou se dar bem, de fato, com Victor. Para ela, o comportamento dele não era normal, nem a necessidade de expor tanto a intimidade.
Todos entraram na piscina, menos ela. Victor e a mulher que ele beijou saíram de mãos dadas. Rayra tentou evitar olhar, mas a cumprimentou normalmente. Reconheceu a moça, a mesma da festa que a beijou.
Mesmo tentando se enturmar, ela percebeu que não queria estar ali. Achou as conversas fúteis demais e percebeu que não tinha nada em comum com eles. Ela se sentiu super desconfortável.
Rayra se ofereceu para fazer os drinks e foi para a cozinha. Quando Dan voltou com as sacolas de bebidas, ela foi quem abriu o portão para ele.
— Esse up que você deu, foi para mim? — ele perguntou, curioso, a olhando de cima a baixo.
Ela começou a rir.
— Não. Você já viu o que tinha que ver. Eu, desmontada!
Ele começou a guardar as bebidas.
— Não vi o suficiente, mas quero. Então, você não curte o meio liberal? Festinhas?
Ela estava cortando frutas, e o olhou, fixamente.
— Não. E você, deve adorar.
Ele encostou-se ao lado dela.
— Ah, ruim não é. Uma sacanagem de vez em quando faz bem.
Rayra o olhou com deboche, e ficou em silêncio. Ele perguntou se ela não ia cobrar a bebida que ele devia. Ela sorriu espontaneamente.
— Ah, meu bem, se tem uma coisa que eu não faço jamais é cobrar. Morro engasgada com o meu veneno, mas não me humilho jamais. Independente da situação.
Ele começou a rir.
— Você está brava, né? O Victor é daí para pior, ele não leva ninguém a sério. Não crie expectativas.
Ela respondeu, calmamente.
— Não estou, mas, para que me empurrar para você? Ele que fique com quem quiser. Nada contra você, eu só não gosto de me sentir manipulada.
Dan ficou sério.
— A culpa foi minha. Eu insisti, pedindo ajuda. Te achei muito linda, e o seu beijo… ai, ai, moça.
Ela começou a rir, envergonhada, o achando lindo demais e, com certeza, outro pervertido.
— Entendi.
Ele riu e disse que, na verdade, ela não tinha entendido.
Ela perguntou, com malícia:
— E cadê a minha bebida especial, então?
Ele a olhou, fixamente, e mexeu no celular.
— Está na minha casa, com tudo isso para você. — Na tela, tinha uma foto de uma caixa de chocolate comum, vinho mediano, taças e um kit de cinema, copos e balde de pipoca.
Rayra riu muito.

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