Ela respondeu de costas, organizando a louça.
— Não. Eu te falei que não estava a fim.
Ele encostou-se no balcão, a encarando com uma curiosidade insistente.
— Ele não faz seu tipo?
Ela se virou, séria e irritada.
— Faz. Por que isso te interessa tanto? Você está doido para me ver com outro, né?
Ele começou a rir, falou rindo muito.
— É, eu gosto de uma p.utariazinha. Queria ver você chupando ele, dando aquela sentada gostosa.
— Deixar ele goz.ar e...
Ela se virou de costas, lavando a louça, disse interrompendo:
— Então não devia ter se separado quando foi cor.no.
O brilho e o sorriso de Victor sumiram. Ele ficou sério e irritado.
— E você devia ter continuado casada, já que não tem disposição para po.rra nenhuma. A única coisa top que sabe fazer é cuidar da casa, ficar com a barriga no fogão.
Rayra, mesmo ofendida, respondeu em um tom de brincadeira.
— Pelo menos eu aprendi algo com os meus erros. E quero ser uma pessoa melhor, amadurecer e evoluir.
Ele respondeu no mesmo tom, mas com um toque de veneno.
— Não parece estar dando certo, já que você não tem nada, e vive com medo.
Ela se virou com deboche.
— É, tem razão. Mas pelo menos eu sou querida e grata por tudo. Sem precisar oferecer bens em troca.
— Sei quem eu sou.
Ele falou com deboche, com o sorriso retornando ao seu rosto.
— Enquanto tiver quem aceite se vender, se submeter às coisas por dinheiro e conforto, sempre vai ter...
Rayra se virou, com os olhos faiscando de raiva, e largou a louça com força na pia, fazendo um barulho seco.
— Conforto? Eu não estou aqui de graça! Eu trabalho para você, é uma via de mão dupla. Trabalhava! — A voz dela ecoou na cozinha.
Saiu do cômodo irritada.
— Eu nunca, na minha vida, precisei viver às custas de ninguém. Você merece mesmo ficar sozinho.
Subiu as escadas, e ele foi atrás, a provocando.
— Ah, para de drama. Quem fala o que quer, ouve o que não quer. Se você não aguenta, por que começou?
Ela entrou no quarto, e começou a jogar as roupas em cima da cama.
— Você é um moleque. Não leva nada a sério.
Ele se aproximou, e sentou na cama, impedindo que ela pegasse as roupas.
— Tudo isso por ciúmes? Você não consegue nem disfarçar!
Rayra o empurrou, irritada.
— Ciúmes de quê? Você só tem beleza, nada a mais. Essa sua vida superficial não me causa nada além de pena.
Tomou as roupas da mão dele, e ele se levantou, com um sorriso de raiva.

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