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O magnata e a faxineira ( Desejos proibidos ) romance Capítulo 75

O dia da alta chegou, e Victor estava impaciente desde as primeiras horas da manhã. O carro já o aguardava estacionado na frente do hospital, abarrotado de sacolas de compras, alimentos saudáveis, guloseimas, produtos de higiene, alguns itens de conforto que ele achou que poderiam agradá-la. Havia planejado tudo com um zelo incomum, como se cada detalhe fosse parte de uma missão maior, garantir que nada lhe faltasse.

Quando finalmente a viu sair pelo corredor, apoiada em uma enfermeira, seu coração bateu mais rápido. Aproximou-se depressa, tomou o lugar da funcionária e a ajudou com toda delicadeza. Colocou o braço ao redor da cintura dela, conduzindo cada passo com paciência, até chegar ao carro. Abriu a porta, acomodou-a com cuidado no banco e, antes de fechar, ajeitou o cinto de segurança como se fosse algo precioso demais para se machucar novamente.

Durante o trajeto, ela permanecia em silêncio, observando a cidade pela janela. O movimento das ruas parecia distante, como se não pertencesse mais àquele mundo. Ao chegarem ao prédio, Victor novamente foi solícito, saiu correndo para abrir a porta do carro, ofereceu a mão para ajudá-la a descer, e subiram juntos no elevador.

O prédio era simples, sem luxos. Apenas uma portaria, corredores estreitos. Ao entrar no apartamento, Rayra foi tomada por uma sensação sufocante. O espaço era pequeno, modesto, e ainda assim lhe pareceu imenso e vazio. O coração apertou de imediato, a vontade de chorar subiu à garganta, mas ela se conteve.

Sentia-se deslocada, uma intrusa na vida dele. A inferioridade a esmagava, sem dinheiro, sem trabalho, debilitada, dependendo de alguém com quem ainda guardava mágoas.

Victor, no entanto, irradiava entusiasmo. Andava de um lado para o outro, quase eufórico, mostrando cada detalhe do apartamento.

— Vai ser ótimo! Aqui você vai se sentir mais à vontade. Tem televisão no quarto também, pode ler um livro, descansar sem preocupações... — dizia, sorrindo, como se cada palavra fosse capaz de apagar o peso que ela carregava.

— Eu vou cuidar de tudo, pode deixar comigo. Você só precisa pensar em se recuperar. Vou cozinhar, lavar louça.

Ele falava com brilho nos olhos, como se estivesse oferecendo um refúgio. Mas ela, imóvel diante da porta da varanda aberta, apenas respirava fundo, tentando sufocar o sentimento de solidão que a dominava. Não havia conseguido responder nada além de um tímido “obrigada”, enquanto por dentro a sensação era de estar perdida, frágil e completamente sozinha.

Naquela primeira noite no apartamento, Victor parecia decidido a não deixá-la sentir-se sozinha. Enquanto ela ainda se adaptava ao novo espaço, ele anunciou:

— Vou trabalhar de casa, alguns dias. Assim posso cuidar de você.

— Está com fome?

Rayra forçou um sorriso educado, caminhou devagar até o sofá e se sentou, com os ombros pesados.

— Não precisa... eu posso ficar bem sozinha. — respondeu, num tom baixo, quase murmurando.

Ele fingiu não ouvir e foi guardar as compras na cozinha. Minutos depois, apareceu oferecendo um copo de suco, uvas recém-lavadas. Ela agradeceu, tomou o suco, logo levantou-se para buscar água por conta própria. Foi parar na lavanderia, onde ficou de pé diante da pequena janela, olhando para a rua com os olhos perdidos, o pensamento distante, como se procurasse em outro lugar a vida que havia perdido.

Victor se aproximou, apoiando o ombro no batente da porta. Respirou fundo, como quem precisava reunir coragem para dizer algo difícil.

— Eu preciso me desculpar... — começou, com a voz firme, mas embargada.

— Por tudo o que disse naquela briga. Você tinha razão. Eu... aprendi a viver de um jeito superficial, tratando s.exo e relacionamentos como se fossem banais. E percebi que isso não está me levando a lugar nenhum. Não quero mais ser assim.

Rayra permaneceu em silêncio. Seu rosto continuava voltado para a janela, mas seus lábios se curvaram num sorriso sutil, quase imperceptível.

— Eu nem lembro direito do que falamos naquela briga... e, sinceramente, não importa mais. — respondeu por fim.

— Eu também preciso pedir desculpas. Passei dos limites, fui desrespeitosa, intrometida... Eu sabia que misturar diversão com trabalho nunca daria certo. E não vou mais repetir esse erro.

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