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O magnata e a faxineira ( Desejos proibidos ) romance Capítulo 76

Os dias seguintes foram se moldando em pequenas rotinas. Na manhã seguinte, logo cedo, Victor a chamou com delicadeza a acariciando no braço:

— Bom dia Ray.

— Vem, vamos tomar um pouco de sol na varanda. Faz bem pra você.

— Arrumei o café lá.

Ela deu bom dia e foi ao banheiro, perguntou se podia colocar uma blusa dele, ele foi ajudá-la e a beijou no rosto, afetuoso. Ela estava notando os sinais e ignorando discretamente. Extremamente calada e séria, comparada a antes.

A varanda era pequena, cabia apenas duas cadeiras e a mesinha, mas o espaço se transformava em um lugar que a fazia se sentir pequena, perdida no silêncio. Ali, os dois tomaram café juntos, sentindo o calor suave da manhã. Rayra parecia mais calma, ainda que sempre com o olhar distante.

Victor estava falando sobre a irmã dele, que era difícil de lidar, exigente.

Rayra tomou coragem e pediu:

— Você pode me ajudar com meu currículo? Eu... preciso pensar no futuro.

— Quero colocar só o necessário, nas referências sei lá.

Victor não hesitou.

— Claro, ajudo sim.

Piscou e sorriu.

— Mais pode ficar de boa, comigo. Se depender de mim.

— Nem precisa de outro emprego. Quando tiver boa, volta pra mim.

Ela sorriu sutilmente exultante:

— Hum, não, né?

Depois de terminar o café da manhã.

Sentaram-se lado a lado na sala, com o notebook apoiado na mesa de centro. Entre uma palavra e outra, ele aproveitava a proximidade para, discretamente, deixar sua mão roçar na perna dela, como se fosse sem querer. Às vezes, inclinava-se para dar beijinhos no ombro ou no braço, gestos sutis de afeto que ela preferia fingir não notar.

Mantinha-se indiferente, como se estivesse apenas concentrada na tela, mas por dentro se sentia desconfortável com aquela aproximação silenciosa. Estar com ele, daquela forma, era algo que ela não queria, de maneira alguma.

No almoço, ela resolveu retribuir de algum modo, ensinando-o a preparar uma lasanha. Victor seguia cada passo com atenção, rindo de si mesmo quando se atrapalhava com os ingredientes. A cozinha, mesmo pequena, ganhou vida naquele momento, e ele parecia encantado em vê-la ensinar, como se cada gesto dela fosse único.

Ele queria apenas, ficar bem com ela, depois assistiram uma série. À tarde, Victor saiu para a academia, deixando-a sozinha no apartamento. Quando voltou, mais tarde, já era noite. Prepararam um jantar simples e, após comerem juntos, ele surgiu com uma proposta animada:

— Vamos assistir um filme de terror?

Rayra concordou com um aceno mínimo, foi tomar banho. Victor arrastou o colchão para a sala, improvisando um espaço confortável diante da televisão. Ela colocou camisola e voltou para a sala, mexendo no celular, rindo enquanto trocava mensagens. Ele percebeu e observou, curioso.

Deitaram-se lado a lado, sob a luz fraca que vinha da tela. No decorrer do filme, ele começou de forma nada inocente, primeiro encostando os pés nos dela, depois entrelaçando os dedos suavemente, acariciando sua mão. Mais tarde, deixou a mão repousar sobre a dela, acariciando com calma, como se tentasse dissolver a distância que ainda existia.

Rayra, porém, permaneceu indiferente. Não reclamou, mas não retribuiu. Seu corpo se mantinha rígido, a respiração levemente acelerada, denunciando o desconforto que tentava esconder.

Antes mesmo que o filme chegasse ao final, seus olhos pesaram, ela virou-se de lado, fechando-se em si mesma, e acabou adormecendo, deixando Victor em silêncio, olhando para ela, dividido entre a esperança e a frustração de não saber como alcançá-la. Ele não era muito paciente e nada, parecia estar funcionando.

Na manhã seguinte, Victor saiu cedo, deixando Rayra sozinha no apartamento. O silêncio parecia pesar ainda mais sem ele. Para se distrair, ela se levantou devagar e começou a limpar tudo. Lavou a louça, passou pano na sala, organizou o que podia, mas o corpo logo a castigou, com uma enxaqueca forte, que a fez deitar-se no quarto, com as cortinas semicerradas, tentando se proteger da luz.

Durante todo aquele tempo, o celular foi sua companhia. Desde o hospital, ela estava trocando mensagens com Dan diariamente e, naquele dia, as conversas se estenderam em áudios. Com a voz fraca, ela comentou que não estava se sentindo bem. E com a memória ruim, a cabeça confusa, confessou estar com crises de ansiedade.

Do outro lado, Dan a ouvia enquanto os alunos treinavam na academia, perto dele, ele sugeriu que ela fosse buscar um psiquiatra, para controlar aquilo, com medicação. O destino quis que, naquele mesmo instante, Victor estivesse ali perto demais, ele estava malhando algumas máquinas próximas. Foi assim que Victor acabou escutando, sem querer, um pedaço de um dos áudios. Reconheceu imediatamente a voz dela.

— É a Ray? — perguntou, curioso, com o cenho franzido.

Dan riu, sem perceber a tensão que se instalava no amigo.

— É. Ela não tá muito bem. Eu tava pensando em ir vê-la, levar um remédinho, um presente... o que você acha, cara? Ela disse que vocês dois não rolam mais nada, e você disse o mesmo.

— Quero investir nela.

Victor riu, mas o tom era mais amargo do que descontraído.

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