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O magnata e a faxineira ( Desejos proibidos ) romance Capítulo 78

Victor respirou fundo, apoiando os cotovelos nos joelhos, com o olhar perdido no chão. Quando finalmente ergueu a cabeça, a voz saiu mais baixa, carregada de sinceridade:

— Eu também não sei, Rayra... não sei quem eu sou direito. Desde que me separei, vivo em oscilações de depressão. Um dia eu tô bem, no outro parece que nada faz sentido.

Fez uma pausa, com os olhos marejando, mas sem deixar as lágrimas caírem.

— Eu gosto de você... não só como mulher, mas como pessoa. Me identifico, te admiro. Vejo em você algo que não encontrei em outras pessoas.

— Acho que é porque nossas vidas foram tão diferentes, e mesmo assim eu sinto essa ligação.

Um sorriso triste surgiu em seus lábios.

— Eu confesso que gosto de brigar, de pirraçar... mas me arrependi do que fiz naquele dia. Você não merecia ouvir nada daquilo.

— Eu descontei minhas frustrações em você.

De repente, o silêncio tomou conta do quarto. Ele não conseguiu continuar, como se o peso das próprias palavras o tivesse esgotado.

Rayra respirou fundo, ainda abalada, mas falou com doçura e firmeza:

— Você está confuso, Victor. Está carente. Eu entendo... de verdade. Mas eu não posso voltar a misturar as coisas. Se você quiser uma amiga, eu vou estar aqui. Sempre. Mas nada além disso.

Victor ouviu, e embora o peito apertasse de decepção, sorriu sutilmente.

— Você está certa. Eu sempre soube que seríamos bons amigos. Quando te conheci... quando você caiu da escada... e depois, quando me espiou pelado... eu soube.

Rayra arregalou os olhos, surpresa, e logo começou a rir constrangida, levando a mão ao rosto para esconder o rubor.

— Você lembra disso? Nossa...

Ele apertou a mão dela entre as suas, sorrindo de forma pensativa, com o olhar mergulhado em lembranças.

— Lembro de tudo o que aconteceu com você. Tudo mesmo. Nos mínimos detalhes.

E naquele instante, por mais doloroso que fosse, os dois encontraram uma pequena brecha de leveza, como se pudessem descansar por um momento da tensão que os perseguia.

Rayra baixou o rosto, com o rubor subindo pelas bochechas.

— Eu tô constrangida... porque realmente eu errei. — confessou.

— No seu aniversário, quando entrei na festa...

Victor arqueou as sobrancelhas, curioso.

— Como foi que você entrou naquela festa?

Ela respirou fundo, envergonhada, e contou:

— Eu tinha terminado a faxina e vi umas pulseiras na cozinha. Peguei e voltei depois, mas com maquiagem e o cabelo diferente... disfarçando quem eu era. E aí... tudo aconteceu.

— Errei, mas faria tudo de novo. Não me arrependo.

Victor a olhava fixamente, surpreso e divertido.

— E o que você pensava em fazer, invadindo a festa e... ficando comigo? — provocou, com um meio sorriso.

Rayra riu sem graça, desviando o olhar.

— Eu nunca imaginei que ia ficar com você. E tenho certeza que você nunca teria ficado comigo se soubesse que eu era simplesmente... a faxineira.

Victor soltou uma risada aberta, sincera, balançando a cabeça.

— É, isso é verdade. — admitiu, rindo.

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