Victor tentou agir normal, mantendo o olhar fixo na tela da televisão. Rayra se deitou de costas, na frente dele, e ele a abraçou por trás, entrelaçando os dedos nos dela. O silêncio era confortável e pesado ao mesmo tempo. Victor apenas fazia carinho, passando a mão devagar pelo braço dela, como se quisesse prolongar aquele instante simples.
De repente, quebrou o silêncio com uma pergunta inesperada:
— Você não gostou... de trabalhar pra mim?
Rayra franziu a testa, surpresa, mas respondeu calmamente:
— Gostei, sim.
Victor insistiu, com a voz mais baixa, quase investigativa:
— Alguém falou alguma coisa? Alguma coisa que fez você mudar de ideia?
— Não... — ela suspirou.
— Eu só achei que seria melhor buscar outra oportunidade. Porque... nós dois fizemos muita bagunça.
Victor parou com as carícias. E a expressão ficou séria.
— É. Eu fiz. — admitiu, soltando-a do abraço e virando-se de barriga para cima.
Rayra se mexeu, virando de costas para a televisão, e colocou a cabeça no peito dele, olhando-o de forma curiosa.
— Alguém tem algo pra me falar, de você? — perguntou com um sorrisinho.
— Porque eu tô com a sensação de que você tá entalado com alguma coisa aí.
Ele se afastou sutilmente, levantou-se e sentou mais longe dela, evitando o olhar direto.
— Não... sei lá. É que você tá muito diferente. Eu... não entendo. Parece até que eu te joguei da escada.
Rayra arregalou os olhos, riu confusa e se sentou também.
— Poxa, como assim? Eu não estou bem, Victor, mas isso não quer dizer que eu esteja diferente.
Ela balançou a cabeça, tentando explicar:
— A gente mal se conhece. Você, com essa sua intensidade, vê coisas onde não tem. Eu não posso ser a Ray super pra cima, que topa tudo, faz tudo, o tempo todo.
As palavras dela ficaram no ar, e Victor a observava em silêncio, lutando contra a própria ansiedade. Ele se calou, esfregou o rosto com as duas mãos e suspirou, nitidamente frustrado.
— Você está certa. Amanhã eu vou viajar a trabalho. Passar uma semana, talvez um pouco mais fora. Vou deixar dinheiro pra você, as chaves também. — disse, olhando fixo para a televisão, sem coragem de encará-la.
Rayra se levantou séria, o observando.
— Você que está estranho.
Ele sorriu de leve, mas o sorriso era amargo, um disfarce. Engoliu todas as palavras que queria dizer e, em vez disso, esticou a mão, puxando-a sutilmente para perto. Abraçou-a pela cintura e encostou a cabeça em sua barriga.
— É, estou mesmo. Logo passa. Vou deitar já, estou cansado. — murmurou.
Ela acariciava os cabelos dele com delicadeza, mas logo o afastou sutilmente, com um sorriso provocador.
— E o nosso dengo, hein? — perguntou, inclinando-se.
Subiu no colo dele, sentando-se de frente. O olhar ganhou um brilho travesso.
— Vai desistir só porque não vai ter s exo? Hein, seu safado? — provocou, beijando o pescoço dele com lentidão.
Victor a segurou firme pelo quadril, apertando com intensidade.
— Eu não desisto de nada. Mas acho que você não está afim. E, olha... isso é uma parada que eu não gosto, ter que ficar atrás, insistindo.

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