A irmã dele se levantou do sofá, assustada com a cena, pediu para ele deixá-la passar.
— Sai da frente, Victor! — Rayra gritou, empurrando-o com força.
O semblante dele mudou, a calma forçada deu lugar à irritação.
— Me diz a verdade, Rayra. — a voz saiu mais dura.
— Você já foi morar com o Dan?
Ela arregalou os olhos, surpresa com a acusação.
— O quê?!
— É isso mesmo. — ele insistiu, com os olhos faiscando de ciúmes.
— Você vai se arrepender, Ray. O Dan não é nenhum santinho!
— Eu não quero saber disso! — Rayra rebateu, nervosa, desviando dele e empurrando a porta.
Ignorou suas palavras de alerta e saiu correndo para a calçada. Victor foi atrás, quase tropeçando na própria pressa.
— Se você não me ouvir agora, acabou! — ele gritou, com a voz embargada de raiva e desespero.
— Acabou a amizade, acabou tudo entre nós, pra sempre!
Rayra parou de repente no meio da calçada. Virou-se devagar, enxugando os olhos marejados, com a respiração pesada. O olhar decepcionado a fez parecer ainda mais frágil, mas suas palavras foram firmes:
— Por que você se importa, Victor? Hein? — a voz dela falhou por um segundo.
— Eu só fui mais uma. Você é muito egoísta.
O silêncio caiu pesado entre eles. O peito de Victor se contraiu, como se tivesse levado um soco invisível. A irmã, observando da porta, não ousou interferir.
Victor permaneceu parado, sem conseguir responder, enquanto Rayra se virava novamente e seguia pela rua, cada passo carregado da raiva de tudo o que ficou não dito.
Ele saiu apressado, pegou o carro e foi atrás dela. Encostou na calçada e, em vez de acelerar, andava devagar, acompanhando os passos dela. Com o vidro baixo, e a voz baixa de vergonha:
— Não é o que você tá pensando, Ray. Eu posso me explicar. Só… me acompanha até o apartamento, eu preciso ver se tá tudo certo.
Rayra parou de andar, virou-se para ele, com os olhos faiscando de raiva.
— Tá tudo certo! Eu não tenho por que estragar nada, nem roubar nada de você!
Ele freou bruscamente, inclinando-se pelo vidro aberto, insistente:
— Não, mas eu quero ver. Vamos lá, custa você ir comigo? Eu não te ajudei? Você me ajudou. A gente não é amigo?
— Então vamos conversar como adultos. Você mesma disse que eu podia contar com você sempre… agora eu preciso de você. Eu posso contar com você ou não?
A manipulação foi certeira. Rayra sentiu o peso da mágoa, mas também um aperto no peito. Por mais que estivesse furiosa, por mais que soubesse que ele jogava com as palavras, parte dela ainda tinha dó.

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