Percebendo a angústia de Rayra e a impossibilidade de manter o clima leve para um cinema, Dan tomou uma decisão prática.
— Vamos pra minha casa. Você está nervosa, eu estou exausto e preocupado. Não vou te deixar sozinha assim.
Ele deu partida no carro e dirigiu para casa. Chegaram sem fazer barulho, Dan estacionou o carro na garagem e os dois entraram na casa, pisando de leve para não acordar a avó dele, que já dormia.
Foram direto para o quarto. Dan tirou os tênis de Rayra com carinho, beijou-a afetuosamente na boca e disse que pediria um lanche. Rayra se deitou na cama e agradeceu, mas disse que não queria comer nada.
Ele se trocou rapidamente, colocando um shorts confortável de elástico na cintura, e deu uma camiseta larga para ela. Sem hesitar, Rayra se trocou ali mesmo, foi vestindo a camiseta dele. A intimidade de trocar de roupa ao lado dele, ser protegida era mais profunda do que a pressa do toque com Victor.
Deitaram-se sob o edredom, e o silêncio preencheu o quarto. Rayra estava quieta, visivelmente pensativa, encarando o teto. Dan esperou pacientemente.
Depois de um tempo considerável, ela se virou para ele, com os olhos marejados, a voz baixa e tensa:
— Dan, eu não posso continuar com você.
Ele a abraçou de lado, incentivando-a a continuar. Ela disse:
— Eu não posso te colocar em risco. Eu nunca iria me perdoar se você fosse prejudicado. — ela confessou, com a voz embargada.
— Já houve outras pessoas. Por minha causa, por causa do meu ex… E eu não aguentaria se algo acontecesse a você.
Dan tentou acalmar a respiração dela, apertando-a contra seu peito.
— Eu sei do seu ex, Ray. Você me contou. Mas eu não tenho medo. Escuta aqui...
— Esquece isso. Você tá comigo, agora. Tudo o que aconteceu antes, não me importa.
— Tenta descansar, amanhã. Você pensa melhor, em tudo.
Rayra se acalmou um pouco com a firmeza de sua voz. Ela se inclinou e o beijou sutilmente nos lábios, um toque leve, carregado de gratidão.
— Me sinto tão mal... estraguei a noite. Desculpa.
Dan sorriu, envolvendo-a completamente em seus braços.
— Que nada. Essa noite foi salva. Nós vamos dormir juntos pela primeira vez, gata. Isso é muito melhor que qualquer cinema.
O calor daquelas palavras a desarmou. Começaram a se beijar lentamente, um carinho que rapidamente ganhou urgência. Dan a puxou para mais perto, apertando sua cintura e quadril por baixo da camiseta. A mão dele deslizou para o bum bum dela, amassando-o com desejjo.
Rayra suspirou, sentindo a excittação crescer rapidamente. Ela retribuiu a pressão, apertando as unhas nas costas largas dele. Dan estava ofegante e exciitado, e puxou a mão dela para guiá-la.
Sem hesitar, Rayra colocou a mão dentro do shorts de elástico e começou a mast urbá-lo carinhosamente.
Os beijos se tornaram mais ardentes, um duelo de línguas desesperado e úmido. Dan estava louco para tr ansar com ela, bastante ansioso, mas o quarto apertado e a avó dormindo eram lembretes de que aquele não era o momento ideal para a primeira vez.
Com um ge mido de frustração controlada, ele sutilmente tirou a mão dela de dentro do shorts, mas a manteve junto aos lábios, beijando-a.
— Gata, eu estou doido para te pegar de jeito. Mas aqui não dá. — ele cochichou afetuoso em seu ouvido, a voz baixa cheia de desejo.
Ele a afastou apenas o suficiente para olhar em seus olhos.
— Aceita viajar comigo? A gente passeia, sem medo de ninguém ver, você se distrai... e termina de me fazer essa massagem gostosa.
Rayra riu, um riso genuíno que há tempos não dava.
— É uma proposta tentadora.
Eles trocaram mais alguns beijos longos e calmos, antes que Danton a aninhasse em seu peito, finalmente permitindo que o cansaço e a segurança a vencessem. Deitaram-se para dormir, com um plano de fuga e um futuro incerto, mas tentador.
Rayra e Dan acordaram cedo, antes que o barulho da casa e os primeiros raios de sol invadissem o quarto. O despertar foi tranquilo, com ele beijando seu pescoço e ela sentindo um conforto que há muito não experimentava. Não havia pressa, nem culpa, apenas a certeza de uma conexão real.
Levantaram-se para tomar café da manhã juntos. Dan preparou café fresco e pão na chapa na cozinha silenciosa, enquanto Rayra observava, sentindo-se estranhamente à vontade naquele ambiente doméstico e simples. Era uma rotina íntima e honesta, uma promessa de estabilidade.
Após o café, ele se ofereceu para levá-la.
— Você precisa trocar de roupa para o trabalho, gata. Vou te levar em casa rapidinho.
A atitude dele era de cuidado e praticidade. Rayra agradeceu, sentindo-se protegida. Foram falando da viagem, cheios de planos. Em pouco tempo, ela estava pronta, vestida adequadamente e pronta para encarar o dia. Ele a levou para a academia, e ao passarem pela porta, a cumplicidade entre eles era notável.
O dia de trabalho seguiu um novo ritmo, muito mais íntimo. Rayra e Dan trocavam olhares longos e sorrisos discretos por cima do balcão. Ele a ajudava com as planilhas, ela o auxiliava na organização das aulas. Eles estavam trocando beijos e carícias com uma naturalidade que todo casal tem, ajustando-se um ao outro sem precisar de palavras.
Para todos que observavam, inclusive alunos e funcionários, a mensagem era clara, Rayra e Danton estavam juntos. A cumplicidade era visível, consolidando a decisão de Rayra de construir algo "diferente e mais real", e desafiando implicitamente a influência e os jogos de Victor.
A cada dia na academia, um aperto no peito torturava Rayra. Victor apareceu todos os dias, sempre em horários diferentes, como se quisesse driblar a coincidência. Mas azar ou destino, Dan estava sempre lá também.

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