Dan saiu do banho primeiro, revigorado e com a mente livre de culpa ou preocupação. Ele mal se secou, enrolou-se na toalha por um minuto e, em seguida, caiu na cama, adormecendo profundamente em segundos, com o corpo exausto e satisfeito.
Rayra saiu do banheiro em seguida, mas a água quente não havia limpado a bagunça emocional. Ela estava extremamente mal, decepcionada e enojjada com tudo. O prazer forçado havia reforçado as dúvidas, deixando para trás as memória vívidas da festa, que o conheceu, e a sua própria incapacidade de se defender. Ela vestiu o baby doll que havia trazido.
Não conseguiu dormir. O pensamento de deitar ao lado de Danton, agora que o via como um manipulador egocêntrico e possessivo, era insuportável. Começou a comparar ele com Victor, outro cafajjeste igual.
Silenciosamente, ela se levantou, saiu do quarto e se dirigiu à sala. Pegou outra garrafa de vinho e começou a beber lentamente. Ela chorou muito na sala escura, passou a noite em claro se transformando em um tribunal de auto-julgamento. Os traumas estavam de volta, mas desta vez, em dobro, vindo de dois homens em vez de um.
Ela se viu diante de um impasse agonizante, tentando decidir o que faria. A Opção Racional: Continuar o namoro, usar a estabilidade e a reputação de Dan como escudo contra Victor e como forma de manter o emprego e a estabilidade financeira. Seria uma mentira constante, mas garantiria a sobrevivência.
A Opção Passional/Moral: Expor tudo. Revelar o que aconteceu com Victor e Dan. Seria a denúncia da toxicidade dos dois, mas resultaria na perda imediata de seu trabalho e a colocaria novamente no olho do furacão do drama público.
Era uma batalha entre a razão fria e a moral destroçada. Foi extremamente difícil não fazer nada, não acordar Dan e gritar toda a sua frustração, o confrontar. Em vez disso, ela se culpava, sentindo-se ingênua e burra por ter caído no meio dos jogos de poder e possessividade deles. Ela havia buscado a esperança de recomeçar em Dan e encontrado apenas uma versão mais sutil de controle.
Com o amanhecer aparecendo pelas janelas do chalé, Rayra finalmente tomou uma decisão, a razão venceria. Ela precisava de distância e tempo, e a única maneira de conseguir isso era fugir.
Ela se levantou da sala, exausta, e foi para o quarto. Em silêncio, arrumou o chalé com meticulosidade, limpando as taças e dobrando tudo, tentando apagar os vestígios da noite turbulenta.
Quando estava tudo em ordem, ela se inclinou sobre Dan.
— Dan, acorda. — Sua voz era fraca e dramática, mas convincente.
— Eu estou passando muito mal com uma enxaqueca terrível.
Dan acordou com um susto. Rayra continuou, segurando a cabeça.
— Eu preciso ir para um hospital, tomar um remédio na veia. Não vai passar com nada daqui. Me desculpa, mas a gente precisa ir embora mais cedo.
Danton, que havia dormido profundamente, acordou de ótimo humor, completamente aliviado da tensão e das frustrações da noite anterior. Ele estava gentil e afetuoso.
— Ah, gata, claro. Tudo bem. — Ele a beijou no braço e a abraçou, genuinamente preocupado.
— Vamos resolver isso.
A urgência de Rayra acelerou o processo. Eles arrumaram as malas em um silêncio quase total, havia pouca conversa, o que facilitava o papel dela. Dan tomou um café rápido enquanto Rayra esperava, com os olhos céticos.
No carro, ela assumiu sua performance final. Colocou os óculos escuros logo no início da viagem e passou o caminho todo quieta, com os olhos fechados, reforçando o falso mal-estar. Dan dirigia em silêncio, com a mão ocasionalmente sobre a perna dela, aliviado por estarem voltando e acreditando que o problema era apenas físico.
Rayra, no entanto, usava aquela distância forçada para analisar friamente a armadilha em que havia caído. Assim que chegaram na cidade, Rayra manteve a farsa. Dan a levou diretamente ao hospital, onde ela passou pelo médico, sustentando a queixa de enxaqueca grave. Ela saiu com algumas receitas de remédios, provando a Dan que a emergência era real.
No carro, ela sugeriu:
— Por favor, me deixa na república e vai para casa. Fica com seus filhos, aproveita o dia. Eu só preciso de silêncio e repouso.
Dan, aliviado por ter feito o "certo" e feliz por Rayra ter voltado a si, achou a ideia excelente. Ele comprou os medicamentos para ela, deixou-a na porta da república e partiu, sem suspeitar de nada.

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