Rayra começou a gritar, com a voz carregada de raiva e decepção.
— Eu descobri tudo! O toque, o sabor... o chiclete de canela na sua boca na noite da festa! Você me usou e mentiu!
— O Victor odiava qualquer coisa de canela! Estava tudo lá, na minha cara, as manipulações, as trapaças, a sujeira dos dois! Eu vou denunciar com provas!
Dan se alterou imediatamente. O pânico de ser exposto substituiu o ciúme.
— Você está perdendo a razão, Rayra! A noção! Foi tudo ideia do Victor! Eu não fiz nada por mal, eu gostei de você, eu quero relacionamento sério!
Rayra tentou sair, mas a fúria era maior.
— Eu tenho nojjo de você! Eu jamais vou te perdoar!
Ouvir o "jamais" fez a máscara de Dan cair. Ele a agarrou pelo braço e a virou com força, com os olhos em brasa.
— Você não vale tudo isso! Já se olhou no espelho?! Você é a maior pu.ta, e eu te tratei bem! E você o tempo todo preferindo ele! — A voz dele era um ataque venenoso e agressivo.
— Certo era seu ex, ele sim era bom para você! Te batia, te traía, te passava doenças... esses tipos de homem sim têm valor.
Ele a empurrou para o sofá, transtornado, e correu para o cofre escondido atrás de um quadro. Rayra se encolheu, chorando, com o medo tomando conta. Dan pegou uma arma. Ela falou alterada:
— Você é pior do que eles... Vai me bater? É isso? Me matar? Seu doentte!
Dan se aproximou, com a voz baixa e carregada de chantagem emocional. Subiu em cima dela, com a arma apontada para ele mesmo.
— Você vai me denunciar? Vagab unda! Eu tenho família, Rayra! Eu não sou como o Victor, que pode comprar a tudo e a todos!
— Você vai manchar minha reputação! Cadê as provas? Mostra agora e desiste disso.
Ele a segurou pela garganta, com uma mão, enquanto apontava a arma para a própria cabeça.
— Ou você me desculpa e esquece tudo, ou eu acabo com a minha vida aqui e agora, Rayra! Você vai acordar todos os dias sabendo que eu morri, por sua causa!
— É isso que você quer? A culpa de ter destruído minha família? Cadê as provas?
Ele usou a ameaça de arruinar sua vida como a arma final de chantagem.
Rayra desabou, com o terror superando a fúria. A ideia de ser responsável pela ruína de uma família mesmo que ele fosse o responsável por tudo era insuportável. Ela tentou se manter calma.
— Não! Não vou mais denunciar! — ela implorou, com as lágrimas escorrendo pelo rosto.
— Por favor, para! Eu não vou fazer nada! Pega meu celular e apaga. Eu vou esquecer tudo.
Dan se afastou um pouco, com o olhar intenso e vazio de quem estava no limite. Ele usou a única coisa que sabia que a atingiria, a culpa. Ele pegou o celular, com a voz trêmula, começou a mexer.
— Você não pode acabar com a minha vida. A vida dos meus filhos. Porque escolheu ser a pu ta de um cara rico.
— Você acha que está fazendo justiça, mas só está sendo vingativa porque... você escolheu ser a vad ia submissa do Victor!
Ele estava transtornado, assim que apagou tudo do celular, restaurando as configurações de fábrica, bateu nela com o celular, o quebrando.
— Você me usou, me fez de palhaço. Eu te dei a chance de ser a minha mulher, te valorizaria, mas você continua preferindo se se afundar.
Ele se levantou a segurando pelo braço com força.
— Agora me diz. Você vai sair daqui, continuar comigo e esquecer, parar de inventar mer da, ou vai me obrigar a acabar com a minha vida e a dos meus filhos?
Deu um tappa no rosto dela.
— Fala po rra.
Rayra ficou paralisada, nervosa.
— Desculpa, eu vou esquecer. Eu vou embora, você não vai mais me ver.
Dan guardou a arma nas costas. Ele agarrou os braços de Rayra, forçando-a a encará-lo.
— Você não vai terminar nada. Entendeu? Não vou aceitar isso. Você acabou de me prometer que vai esquecer tudo, e a primeira coisa que você vai fazer é obedecer, nunca mais eu quero ver você falando com o Victor.
Ele apertou o aperto em seus braços, com os olhos fixos nos dela.
— Você vai me obedecer? Diga que sim!
Rayra, aos prantos, estava completamente quebrada pelo medo e pela chantagem.
— Sim... eu vou. Se acalma.
Dan a soltou irritado:
— Ótimo. Agora você vai parar de chorar. Você vai para a minha casa, e vai fingir que está tudo bem na frente dos meus filhos. Se você tentar qualquer coisa, se você abrir a boca ou fugir, eu vou te expor, vou dizer que você é a louca que tentou arruinar minha vida. Eu acabo com a sua vida.
Amedrontada, ela se recompôs o máximo que pôde, Dan abriu a porta do escritório, a mandou ir lavar o rosto.
Eles saíram da academia, ele a segurando firmemente pelo braço, a tensão entre eles era visível, mas por fora pareciam um casal em discussão.
Assim que pisaram na calçada, um carro cantou pneu e parou bruscamente. Era Victor. Ele desceu às pressas do carro, com o rosto contraído ao ver Rayra chorando descontroladamente e Dan a segurando com força.
Dan apertou o braço dela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O magnata e a faxineira ( Desejos proibidos )