Megan levou sopa para sua mãe, que passava seu segundo dia no hospital, embora seus ferimentos não fossem graves. Os médicos e enfermeiras ficaram muito exasperados, mas não ousaram expulsá-la por estar em um dos quartos VIP e pagar com diligência suas taxas de internação.
Quando ela entrou no quarto novamente, surpreendeu-se ao encontrar a mãe com um largo sorriso no rosto. Parecia extremamente alegre, para alguém que sempre reclamava da comida do hospital e de tédio. A filha colocou a bandeja na frente dela.
"Eu trouxe uma sopa pra você, mãe. Por que tá sorrindo?"
A mãe segurou sua mão e pediu que se sentasse, e Megan o fez.
"Acabaram de me ligar." Sua mãe sussurrou.
"Ligaram pra você? Pra falar de quê?"
"Da Scarlett, claro!"
O coração de Megan, então, inundou-se de ansiedade:
"Então... O que aconteceu com ela??"
"O trabalho foi feito com sucesso, eles a mataram."
A mão de Megan levantou-se automaticamente, para segurar seu pescoço. Ela forçou um sorriso, mas seu rosto perdeu completamente as cores. Não era que não desejasse a morte de Scarlett, mas agora que estava confirmada, uma sensação estranha e fria espalhava-se por ela. O pior foi saber que foi sua mãe quem planejou o assassinato e que ela era testemunha.
"Pensei que você estaria pulando de alegria." A mãe de Megan disse, franzindo a testa.
Ela, então, tentou afastar seus arrepios e pensamentos sombrios, e seu sorriso se alargou.
"Desculpa, mãe… Foi um choque. Não acredito que finalmente acabamos com a Scarlett. Isso significa que nunca mais vamos ter que nos preocupar com ela?"
"Sim, querida, agora acabou. Nada mais vai se colocar entre a gente e a fortuna da família Devins."
Mãe e filha, então, compartilharam olhares e sorrisos maliciosos. Megan sentiu sua inquietação se dissipar. Afinal, era o que ela sempre quis, não era?
"Agora, eu te ajudei a se livrar de sua inimiga." Sua mãe dizia entre duas colheres de sopa: "O resto é com você, deve ganhar o carinho de seu pai e se tornar sua filha favorita. Isso não deve ser muito difícil agora, que não tem mais concorrência. Além disso, sabe exatamente o que não deve fazer ao lidar com ele, ser teimosa. Deve sempre obedecê-lo, entendeu?"
"Sim, claro. Nunca vou ser como a Scarlett, vou ser a filha perfeita, só espere e vai ver."
"Confio em você."
A mãe pegou tomou outra colherada de sopa e lambeu os lábios. Megan observou-a saborear sua refeição, mas a sensação de mal-estar voltava lentamente a seu coração.
"Mãe…" Ela, então, sussurrou.
"Sim??"
"Você tem certeza de que tá feito, mesmo? Nada vai acontecer, né?"
Megan nunca ouviu a confirmação de que precisava. Sua mãe mal tinha aberto a boca, quando ouviram um barulho. A porta do quarto foi aberta e logo o sr. Devins apareceu. As duas mulheres ficaram quietas, observando seu rosto grave e se perguntando se ele sabia alguma coisa sobre a morte de Scarlett, pois não tinha ido visitá-las novamente, desde a primeira vez.
O homem caminhou em passos lentos em direção à cama, onde ambas estavam sentadas.
"Bom dia." Ele as cumprimentou baixinho.
"Oh." A mãe de Megan disse, parecendo um pouco irritada: "Você finalmente se lembra que eu existo, querido? Dois dias no hospital e nem se preocupou em ver se eu estava viva ou morta."
O sr. Devins não falou por um tempo, apenas olhou para a mãe de Megan com os olhos semicerrados, a ponto de ela começar a ficar um pouco nervosa.

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