POV DARIUS.
Uma dor horrível tomou conta de meu corpo, como se cada osso estivesse sendo quebrado e reconstituído erradamente. A besta estava acordando, e logo tomaria o controle de mim e de Baltazar. Algo monstruoso se agitava dentro de mim, esperando para se libertar e devastar tudo em seu caminho. Eu sentia cada parte do meu ser se contorcer, e a realidade começava a se dissolver enquanto a dor me consumia.
Gabriel tentou se aproximar para me ajudar a chegar até o cofre, que ficava no subterrâneo, no quintal de trás da minha mansão. Gabriel não sabia, mas estava pedindo para morrer. Rosnei para ele, e minha voz saiu distorcida, mais animal do que humana. Ele recuou, e seus olhos estavam cheios de temor, mas ele sabia que não havia nada que pudesse fazer para me ajudar naquele momento.
— Não me toque ou arranco sua cabeça. — Minha voz soou como um grunhido, e a risada que a acompanhou não foi minha. Não era a minha vontade que falava, mas a dela, a besta. Aquela parte de mim que sempre eu tentava manter controlada, mas agora queria sair com uma fome insaciável.
Comecei a caminhar para fora da mansão, o peso da transformação me fazendo vacilar a cada passo. Eu sabia que não podia me transformar ali; seria um banho de sangue. Cheguei ao quintal, até a entrada do cofre. Uma construção pequena que parecia uma casa era a entrada do cofre. No seu subsolo ficava a prisão que construí para me manter longe de todos.
Nenhum dos quatro ousou me seguir. Sabiam que isso era perigoso demais até para eles. Mas eu podia sentir a presença da minha mãe. Seu olhar me queimava as costas, ela sempre estava ali quando as transformações aconteciam, como uma sombra protetora, vigiando, cuidando de mim.
Entrei na casa e logo tive acesso ao meu cofre, colocando a digital e meu rosto no painel. A porta se abriu e, com um esforço imenso, eu entrei. Assim que estava no cofre que era uma sala, a porta se fechou atrás de mim, me trancando. Ela só abriria de novo daqui a quarenta e oito horas. Minha transformação em besta infernal levaria vinte e quatro horas para acabar, então programei o tempo para só ser liberado vinte e quatro horas depois do fim do processo. Uma precaução.
— Precisamos de nossa companheira. Quando estávamos com ela, a besta não se manifestou. — Baltazar falou, sua voz rouca e cheia de dor. Eu podia sentir o desespero em suas palavras, mas eu também estava sentindo a mesma agonia, como se cada parte de mim estivesse sendo rasgada e reconstruída.
— Esquece Alice, Baltazar. Ela não está aqui e não pode nos ajudar. Foca em resistir ao domínio da besta. Temos que manter a consciência. — Minha voz tremia, mas o que eu dizia era verdade. A dor que eu sentia era insuportável, a transformação já estava tomando conta de mim. Eu sabia que isso só iria piorar, e eu não tinha certeza de como manter minha mente intacta.
A dor continuava, crescente e dilacerante. Caí de joelhos, sentindo meus ossos se partindo, minha pele esticar e os músculos se esticando até seus limites. Um rosnado de dor escapou de mim e eu me tornei incapaz de controlar meus próprios movimentos.
Acordei assustado, sentando-me rapidamente, eu estava desorientado, e por um instante havia me esquecido onde eu estava. Uma dor de cabeça horrível martelava minha mente, e meus olhos mal conseguiam se manter abertos. Olhei rapidamente em volta e consegui identificar onde estava: ainda estava no cofre. Suspirei aliviado, por a besta não ter conseguido sair, mas o local estava completamente destruído.
O cofre estava irreconhecível. O chão estava quebrado, as paredes rachadas e o ar estava pesado, carregado com a energia caótica da transformação. Cada centímetro do lugar estava destruído. Mesmo na confusão, a sensação de que algo estava errado permanecia. A besta ainda estava dentro de mim, e a ideia de que ela queria Alice não me saía da mente. O que minha companheira humana teria a ver com essa besta?
A dor continuava a pulsar em meu corpo, e a luta interna estava longe de terminar. Eu não sabia o que a besta queria com Alice, mas uma coisa estava clara: ela tinha intenções ocultas. E eu não sabia se conseguiria impedi-la de chegar até a minha companheira. Olhei e fiquei apreensivo. Havia uma única parede intacta e por uma razão. Nela estava escrito:
— ALICE É MINHA. LOGO VOU ENCONTRÁ-LA.

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