POV DARIUS.
Hoje termina o prazo de dois dias que dei para aquela teimosa da Alice. Baltazar está inquieto, como um lobo em uma jaula, ansioso para ir até ela. Mas não cederei à sua pressa. Planejo ir somente no final da tarde, deixando-a roer as unhas enquanto me espera, achando que posso aparecer a qualquer momento. Quero que ela sinta a incerteza, o nervosismo crescendo a cada minuto que me aguarda aparecer.
— Que hora vamos sair para encontrar a minha companheira? — perguntou Baltazar, sua voz carregada de impaciência.
— À tarde. Tenho muitas coisas para resolver aqui na alcateia, nas nossas empresas humanas e no reino. O Alfa Estevão está tentando chamar minha atenção, ameaçando invadir uma das alcateias aliadas da nossa — comentei, irritado, o tom de minha voz mais áspero do que pretendia. Baltazar rosnou baixo, o som grave vibrando em minha mente como um trovão. Podia ver seus olhos brilharem como um fogo perigoso, uma mistura de fúria e desprezo em minha mente.
— Aquele verme não aprende. O que faremos? — Perguntou rosnando.
— Observamos. E, a qualquer movimento dele para invadir, exterminamos todos que pisarem na alcateia Noturna. Como aquela alcateia está sob nossa proteção, temos o direito de defendê-la — falei, sem desviar os olhos do documento em minhas mãos. Um sorriso de lado surgiu em meu rosto ao reconhecer a propriedade descrita ali. Era quase cômico como o destino jogava suas cartas.
— Por que está sorrindo? — indagou Baltazar, a desconfiança estampada em sua voz grave em minha mente.
— É coisa minha. Ainda não é hora de você saber — respondi ríspido, mantendo meu olhar fixo no papel, mas sentindo o peso de sua presença em minha mente.
— Espero que o que esteja querendo fazer não envolva nossa companheira. Não permitirei que a faça sofrer — disse ele, sua voz ganhando um tom ameaçador.
— Relaxa, Baltazar. Ela também é minha companheira. Eu nunca a machucaria, nem a faria sofrer. Mas estou disposto a tudo para fazê-la nos aceitar. E, se for preciso, deixá-la sem escolha e desesperada, farei isso — admiti, minha voz firme, mas carregada de determinação. O silêncio que se seguiu era pesado, tenso. Baltazar me observava, minha mente, seus pensamentos um turbilhão, até que finalmente perguntou:
— Darius, Darius… O que você está planejando?
— Trazer Alice para junto de nós. Se ela não aceitar se casar, terei que usar métodos mais persuasivos — argumentei. Ele suspirou, mas não era um suspiro de rendição. Era um som carregado de frustração, um eco da luta interna travada entre a sua razão e o seu instinto.
— Só promete que não fará ela nos odiar — pediu, sua voz agora mais baixa.
— Baltazar, prometo fazer o possível — prometi, com sinceridade, embora soubesse que “o possível” poderia não ser o suficiente.
— Por que tenho certeza de que você vai estragar tudo? — murmurou ele, uma mistura de cansaço e irritação em suas palavras.
— Você se preocupa demais. O importante é que Alice seja nossa — falei, encerrando o assunto e voltando minha atenção ao documento.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: O REI ALFA QUE SE APAIXONOU POR UMA HUMANA.