Capítulo 1
Dolores estava sentada no capô do carro, com as pernas cruzadas, observando o céu azulado embaixo de um sol escaldante. O vento quente levantava poeira pelo caminho e balançava seus cabelos. Faziam horas que esperava, três, para ser exata, e começava a achar que tinha sido esquecida no meio do nada.
— Droga! Não vão me encontrar... — murmurou, desanimada, passando a mão pela testa suada.
O sol parecia mais quente, quando um som forte e distante atravessou a vasta vegetação. Um som alto de motor, potente e constante, que fez seu coração bater mais rápido.
Dolores ficou empertigada. Bufou, quando o celular vibrou, um milagre, considerando o péssimo sinal do lugar.
— Alô? — atendeu, ofegante.
— Senhorita Dolores! — era André, seu assistente, com a voz aliviada. — Já a encontraram? Consegui rastrear seu celular e pedi ajuda na fazenda dos Carter.
Ela olhou para a estrada vendo a camionete se aproximando, levantando poeira por todo lado.
— Sim, alguém está chegando — respondeu, ajeitando o cabelo.
— Ótimo. E, um aviso: esse cowboy bonitão é mais teimoso que uma mula.
Dolores sorriu, divertida.
— Deixa comigo. Eu sei domar mulas.
— Boa sorte, chefe. — E a ligação foi encerrada.
A camionete parou bem à sua frente. Escutou o motor alto por mais alguns segundos antes de ser desligado. Alguém abriu a porta e, de dentro, desceu um homem grande, muito grande, com botas empoeiradas e um chapéu que cobria boa parte do rosto.
Ela endireitou a postura, tentando parecer segura, embora o coração batesse com certa intensidade.
— Dolores? — perguntou ele, com sua voz grave de trovão.
Ela engoliu seco.
— Sim. — respondeu, com a voz rouca devido a sede intensa.
Ela o observou atentamente. Era um dos homens mais atraentes que já viu em toda a sua vida.
Não pôde deixar de admirar a figura máscula, os ombros largos, o corpo forte e o andar poderoso e confiante.
A camisa xadrez estava parcialmente aberta, com as mangas arregaçadas, revelando um tórax amplo e forte, coberto por pelos escuros como seus cabelos.
Ele ergueu um pouco o chapéu. O rosto? Apenas uma palavra o definia: perfeito.
Ela saiu de sua breve nuvem de pensamentos e, tentando parecer confiante, estendeu a mão para ele.
— Prazer, senhor...
Ele, no entanto, não correspondeu ao gesto. Cruzou os braços, o olhar sério sob a aba do chapéu, e com aquela voz grave que fazia o ar vibrar, disse enquanto observava o céu escaldante:
— Se continuar sentada aí sem um chapéu, seu cérebro vai fritar e sua pele vai queimar.
Dolores piscou, confusa com a bronca inesperada. Baixou a mão lentamente, sem saber se respondia ou simplesmente ignorava o comentário. Antes que pudesse pensar, ele se aproximou de repente, e a segurou pela cintura.
Um suspiro escapou de seus lábios: parte susto, parte algo que nem ela soube explicar, mas era intenso e excitante.
— Ah... por favor, ponha-me no... — começou a dizer, mas a frase morreu nos lábios quando seus pés tocaram o chão.
Dolores mal respirava. Sentiu uma poderosa, quase incontrolável atração por aquele cowboy.
Ele, por sua vez, percorreu com o olhar cada centímetro do corpo esguio e bem torneado dela, e o fez sem pressa, com uma apreciação tão evidente que a deixou sem ar. Mas, em questão de segundos, o encanto sumiu de seu rosto, substituído por uma expressão fria e impassível.
Dolores precisou reunir toda a força de vontade que tinha para conter o desejo avassalador que a tomava. Virou-se depressa, tentando disfarçar o rubor no rosto, e fingiu examinar o carro.
— O que aconteceu? — perguntou ele, aproximando-se.
— O carro simplesmente parou de funcionar. — respondeu, sem o olhar, era melhor que se perder nos olhos acinzentados.
Ele assentiu brevemente.
— Certo. Vamos rebocá-lo.
— Obrigada pela ajuda. — disse ela, com a voz suave e trêmula.
Ele deu de ombros, como se não fosse nada demais, e foi até a camionete. Ele abriu a porta do passageiro e olhou para ela, sério:
— Pode subir. Vou rebocar.
Silêncio. Dolores passou as mãos sobre as coxas, tentando disfarçar o nervosismo, e olhou pela janela novamente.
Minutos depois, a caminhonete passou pelo portão de madeira e seguiu pela estrada de cascalho até parar diante da casa principal da fazenda. O motor roncou mais uma vez antes que Zacky o desligasse, e o silêncio em seguida pareceu quase ensurdecedor.
Ela soltou um suspiro de alívio, finalmente seus ouvidos descansariam do barulho constante.
Ela tentou abrir a porta para descer, mas o trinco parecia travado. Antes que insistisse, ele havia dado a volta no veículo. Em poucos segundos, a porta foi aberta.
— Eu consigo sozinha — disse ela, sem muita convicção.
Zacky ignorou o protesto. Segurou-a firme pela cintura e a ergueu com facilidade, como se ela não pesasse nada. O toque foi inesperado, quente. Ela ofegou.
Antes que pudesse dizer qualquer coisa, ele a colocou no chão com cuidado. Os saltos finos afundaram imediatamente na terra fofa, fazendo-a perder o equilíbrio por um instante.
— Viu só? — ele comentou, cruzando os braços, com um tom entre ironia e provocação. — Salto alto e fazenda não combinam.
Dolores ergueu o queixo.
— Eu me viro em qualquer terreno.
Zacky arqueou uma sobrancelha, um meio sorriso surgindo sob o chapéu.
— Vamos ver por quanto tempo.
Ela lançou-lhe um olhar desafiador, mas não respondeu.
— Venha. Dá pra ver de longe que você está desidratada.
Zacky a levou até a cozinha da área gourmet. Abriu a geladeira, pegou um coco verde e o abriu. Em seguida, colocou um canudo e estendeu o coco para ela.
Ela piscou, surpresa com o gesto. Levou o coco aos lábios e experimentou o líquido fresco. Fechou os olhos por um instante, saboreando o gosto puro e levemente adocicado, tão diferente das versões artificiais das prateleiras do mercado.
Quando abriu os olhos novamente, Zacky estava sentado à mesa, observando-a com aquele olhar tranquilo e enigmático que ela ainda não sabia decifrar.
Ele se recostou na cadeira, cruzou os braços e, com um meio sorriso provocador, perguntou:
— Agora me diga, o que a mocinha da cidade veio fazer no fim do mundo?

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