O Trigêmeos do Magnata romance Capítulo 763

— Não precisa, é sério! Obrigada, senhor Lloyd, mas preciso voltar agora. — Disse Ashlynn, e então acenou com a cabeça antes de se virar e ir embora.

Corentin foi até a pia, encarou seu próprio rosto no espelho, ajustou os óculos e só ficou satisfeito depois de parecer apresentável. Àquela altura, todos estavam um pouco mais animados. Quando Ashlynn voltou para a sala principal, não bebeu mais. Corentin chegou logo em seguida e ajudou a moça a se defender de todos os flertes inconvenientes, até que disse, meio brincando:

— Não assustem a assistente pessoal da minha sobrinha. —

Isso fez os demais não insistirem mais em fazer a moça beber mais.

***

Quando Ashlynn acordou, sentiu que havia algo de errado com seu quarto. Não parecia uma das diminutas acomodações de um hotel comum, porque era espaçoso e tinha um interior muito luxuoso. Parecia mais um quarto de uma residência particular, uma residência de alguém rico.

Ashlynn se lembrava de que havia saído do lugar e entrado num carro junto com Anne, mas não se lembrava do que tinha acontecido depois disso. A moça, então, saiu da cama e andou em direção à porta. A jovem caminhou por um longo corredor, seguindo seus instintos, até que viu o homem caminhando em sua direção. Seus passos, de imediato, pararam, e seus músculos ficaram tensos em defesa. Cada nervo de seus ossos gritava terror em reação àquele maldito rosto.

— Você dormiu bem? —

Ashlynn só se sentiu aliviada depois que Corentin falou:

— Senhor Lloyd, onde estamos? Como cheguei aqui? — Ela perguntou, mas logo olhou em volta e teve certa certeza de que aquela era a residência de Corentin.

— Você adormeceu assim que entrou no carro e não acordou quando chegamos ao hotel, por isso trouxe você aqui com Anne. —

— Então, onde está a senhorita Vallois? —

— Ela está com o resto da equipe no escritório do Grupo Lloyd. Já são quase quatro horas, então acho que é melhor você não ir mais lá. —

Ashlynn não esperava ter atrasado tanto seu itinerário depois do vinho, o que a fez se sentir mal e preocupada de ter prejudicado sua imagem como assistente.

— Acho que vou voltar para o hotel, então. Não queria incomodar, peço desculpas e agradeço por ter me recebido. — Ashlynn ficou de cabeça baixa.

— Você me odeia? — Corentin perguntou.

Ashlynn olhou para cima, surpresa. A moça constatou que Corentin parecia inofensivo e até um pouco inocente. Diante disso, explicou:

— Claro que não, só sinto que não é apropriado continuar aqui. — A jovem, é claro, sentia-se um pouco desconfortável diante do homem, e não era apenas por causa da diferença gritante entre suas realidades.

— De minha parte, não vejo problema. Há muitos quartos vazios por aqui. A casa é tão grande que é muito difícil que você seja incomodada por alguém. Mesmo o fato de ter dado de cara comigo foi apenas coincidência. — Sugeriu Corentin.

Ashlynn não sabia mais o que dizer, porque não sabia nem o que pensar.

— Vou jantar no castelo da família Lloyd com Anne esta noite. Você pode ficar aqui e não se preocupar com nada. Inclusive, pode pedir aos empregados tudo o que precisar, já os deixei avisados. — Corentin encarou o relógio e disse: — Acho que já é hora de buscar Anne na empresa... —

Dito isso, o homem se virou e pegou o telefone para ligar para a sobrinha. Ashlynn observou com cautela enquanto Corentin descia as escadas, até que o homem sumisse de vista e a moça pudesse suspirar de alívio.

***

Anne embarcou no Bentley e perguntou:

— A senhorita Thompson está acordada? —

— Sim, ela está. Acordou por volta das quatro. —

— Eu não esperava que ela tivesse uma tolerância tão menor do que a minha. — Anne deu uma risadinha.

— Já sabe que parceira para noitada ela não pode ser! — Corentin comentou, sorrindo.

O homem brincou, mas ter uma boa tolerância para bebida era algo importante para reuniões de negócios. Frequentemente, vinho era uma opção de bebida para firmar acordos, e uma pessoa com pouca tolerância teria mais chance de falar besteiras e queimar a própria imagem, assim como a imagem da empresa que estivesse representando. Anne, contudo, respondeu:

— Bom, de fato. Mas meu outro assistente dá conta dessa parte, e Ashlynn é competente demais para que isso seja considerado um problema. — Garantiu, então se lembrou de seu destino e mudou de assunto. — Falando em reuniões, quanto tempo leva para chegarmos? —

— Meia hora. —

Anne não perguntou mais nada, porque não tinha muito a saber. Àquela altura, preferia apenas dar de cara com qualquer que fosse a recepção que lhe aguardava e tirar suas próprias conclusões apenas a partir disso.

Para sua surpresa, o castelo da família Lloyd, na verdade, não era tão grandioso e luxuoso quanto a mansão de Corentin. Não poderia ser, na verdade, considerado um castelo. Em vez disso, talvez fosse possível dizer que se tratava de um casarão bastante vintage. Todos os móveis eram forrados com enfeites dourados, parecendo, ao mesmo tempo, antigos e renovados. No cômodo principal, ao lado de uma das grandes janelas, havia uma mesa comprida, à qual se sentava um homem.

Anne reconheceu imediatamente que aquele era o patriarca das fotos. O homem vestia um terno escuro, muito similar ao que usava na emblemática foto de família. A diferença é que, até o terno, parecia muito mais velho. O homem, é claro, também envelhecera bastante, o que era evidenciado por seu cabelo quase todo branco. Sua postura, contudo, transmitia a mesma autoridade de outrora, porque era a mesma que a moça constatara através da fotografia.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: O Trigêmeos do Magnata