Atordoado, Noah não pôde deixar de se lembrar da cena que viu do sangue escorrendo pelo corpo de Olivia. Entretanto, quando lhe ocorreu que ela só estava menstruada, ele riu com frieza. "O que você disse?"
Sabendo que ele não acreditaria, Hudson tirou do bolso o resultado do exame do hospital e o estendeu em sua direção. "Veja com seus próprios olhos."
Em vez de pegar o papel, Noah encarou o irmão conforme seus lábios se esticavam em um sorriso cruel. "Se quiser mesmo ajudá-la, vai ter que se esforçar mais. Por favor..."
Ele balançou a cabeça com desdém. A mãe deles tinha câncer terminal, e agora Hudson vinha lhe dizer que Olivia também. Será que todo mundo tinha câncer do colo do útero atualmente?
Vendo que Noah não acreditava nele, Hudson rapidamente explicou: "Não estou mentindo para você. Olivia está com câncer do colo do útero. Ela fez os exames hoje no hospital..."
Ao ouvir isso, Noah se levantou e o agarrou pelo colarinho. "Espero que essa seja a última vez que eu ouça você dizer qualquer coisa a respeito da minha esposa. Se isso acontecer de novo, não me culpe por esquecer que você é meu irmão!"
No momento seguinte, ele se virou e foi em direção a porta. Então, Hudson se levantou e correu atrás dele. "Noah, eu estou dizendo a verdade..."
Noah não lhe deu ouvidos. Vendo sua mãe deixar a cozinha ao ouvir a discussão entre eles, Hudson amassou o exame em suas mãos e não continuou o assunto para não deixá-la triste, mesmo que seu irmão não tivesse lido o que estava no papel.
Embora soubesse que sua mãe estava doente, ele não queria que ela descobrisse que Olivia sofria do mesmo câncer que ela.
Como Olivia era muito jovem, a mãe deles não suportaria perdê-la assim. Além do mais, ela era sua única nora.
Ao anoitecer...
Com dor, Olivia estava encolhida como uma bola na cama espaçosa. Neste instante, ela ouviu a porta do quarto se abrir abruptamente conforme uma nova onda de dor chegava. Então, ela sentiu o colchão afundar pesadamente atrás dela.
Era óbvio que Noah havia voltado.
Só de pensar na forma como ele a tratou mais cedo, ela instintivamente se encolheu ainda mais.
No entanto, isso não foi capaz de detê-lo. Quando os braços de Noah vieram sobre ela, puxando-a para ele, imediatamente o cheiro de álcool alcançou o seu nariz.
Ele havia bebido!
Ao lembra da forma como ele costumava torturá-la toda vez que bebia, Olivia, que já estava morrendo de dor, entrou em pânico. "Não me toque!"
"O que você disse?" Ele não parecia tê-la escutado direito.
Todavia, ela permaneceu em silêncio por medo de que suas palavras o provocassem a ponto de ele querer machucá-la outra vez.
Ela não tinha medo de morrer, mas não queria que ele a torturasse, aumentando sua dor, que já era insuportável. Só hoje ela havia sentido dor por um ano inteiro.
"Por que está toda suada?" Apesar de estar bêbado, ele ainda conseguia perceber que havia algo de errado com a mulher em seus braços.
Antigamente, sua pele sempre parecia quente e macia sob seu toque. Embora ele não a abraçasse com frequência, ele sempre tinha a mesma sensação quando encostava nela, mas hoje ela estava travada e pegajosa, o que não o agradou.
Ela estava suando frio de tanta dor. Como seu corpo poderia não estar pegajoso?
"Estou com dor!" Por mais que não quisesse demonstrar fraqueza, tudo nela doía.
"Dor?" Desta vez, ele ouviu suas palavras claramente e assentiu. "Sim, dói e dói muito!"
Enquanto falava, ele agarrou a mão dela e a pressionou contra o seu peito. Doía muito nele pensar que ela nunca o amou de verdade.
Noah não fazia ideia do porquê se sentia assim. Ele jamais imaginou que poderia sofrer por ela, afinal, ele nunca a amou. Mas nos últimos dois dias, seu peito doía de um jeito que ele não conseguia controlar.
Ao perceber que ele não entendeu o que ela quis dizer, Olivia puxou sua mão de volta e pediu baixinho. "Noah, estou com dor. Por favor, me dê um remédio."
Ela sabia que tinha um médico na casa porque viu um furo de injeção em seu braço. Quando não conseguia mais suportar a dor, ela chamou o tal médico, mas ele lhe disse que sem a permissão de Noah, não poderia dar a ela nenhum medicamento.
Ciente de que ele estava a torturando de propósito, ela não queria lhe implorar nada, mas realmente não conseguia mais aguentar a dor.
"Hã?" Ele riu com deboche. "Me dê um remédio."
Ouvindo ele repetir sua palavras, ela entendeu que ele não lhe daria remédio nenhum. Então, ela fechou os olhos e calou a boca.
"E onde está o remédio? Dê para mim. Não quero mais sentir essa dor." De repente, ele a virou na cama para que ficassem cara a cara antes de agarrar sua mão novamente e colocá-la sobre o seu peito. "Me dê o remédio para aliviar meu sofrimento."
Neste instante, Olivia abriu os olhos outra vez. Só então ela se deu conta de que ele estava mais bêbado do que ela imaginara.
Ele hesitou por um instante. "E mesmo se estiver doente à beira da morte, vai ter que morrer ao meu lado."
Que homem arrogante!
"Mas eu não quero morrer", sussurrou ela por algum motivo.
Embora Olivia nunca tivesse tido medo da morte, só porque descobriu que estava doente não significava que queria morrer.
"Por quê?" Noah a perguntou com a voz um pouco abafada. Ele parecia ainda mais bêbado.
Olhando para a imensa escuridão do quarto, ela não respondeu à sua pergunta. Em vez disso, ela indagou: "Noah, você ainda se lembra da criança que eu estava esperando?"
"Hum?" Ele tinha a escutado vagamente.
"Ela era uma menina muito bonita, mas você a matou. Sabe do que mais? Posso até te perdoar por todo o mal que me fez, mas jamais vou te perdoar por isso." Olivia não pôde deixar de se lembrar daquele sonho. Apesar de já ter passado algum tempo, ele ainda estava tão vívido em sua memória que nem parecia um sonho, mas algo real.
"Podemos ter outro filho." Ela não esperava ouvir isso, afinal, achou que ele já tivesse dormido.
Olivia olhou para ele, mas não soube dizer se estava realmente acordado. Ainda assim, ela o lembrou: "Estamos divorciados."
Mesmo que não fosse o caso, era impossível para ela engravidar e ter filhos agora.
"Podemos nos casar de novo", sugeriu ele.
Olivia ficou chocada. Ele devia estar mesmo bêbado, ou ele se esqueceu que iria se casar com Charlotte em poucos meses?
Ela não disse mais nada. Foi só então que ela percebeu que não parecia mais estar com tanta dor.
Com o avançar da noite, a respiração de Noah ficou mais serena. Aproveitando que a dor tinha lhe dado uma trégua, Olivia também adormeceu.
No dia seguinte, Noah acordou e olhou para a mulher em seus braços, que tinha um leve sorriso no rosto.
Ao sentir sua dor de cabeça, ele se deu conta que havia exagerado na bebida ontem à noite. Então, ele levou a mão até a testa e a esfregou antes de se levantar. Imediatamente, ele percebeu que seu corpo estava molhado e pegajoso. Quando levantou o cobertor, viu que o lençol estava manchado de vermelho, e o estado de Olivia parecia ter piorado.

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