Curtis Callaway ajeitou o paletó com um gesto firme antes de dar um passo à frente, e o murmúrio no salão se apagou como se alguém tivesse baixado o volume de uma vez. Rebecca, ereta ao seu lado, o olhava com orgulho e emoção contida, enquanto Henry, alguns metros atrás, mal conseguia acreditar no que via.
Curtis apoiou as duas mãos no púlpito e deixou o olhar percorrer o ambiente, observando cada convidado com aquela autoridade natural que sempre tivera; e quando falou, sua voz grave preencheu cada canto do salão.
— Quero agradecer a todos que decidiram apoiar minha filha no relançamento da Callaway Indústrias. — O tom era solene, mas não faltava calor. — Não é todo dia que uma empresa consegue se reerguer depois de dois anos de inatividade, e muito menos com a dignidade que ela lhe devolveu.
Houve um murmúrio de aprovação, alguns acenos e vários aplausos espontâneos. Curtis levantou uma mão e continuou.
— Todos vocês estão cientes da acusação de fraude feita contra mim há quase três anos, acusação essa que foi resolvida a meu favor há poucas semanas. Agora que a empresa recuperou cem por cento dos seus ativos, somados aos múltiplos investimentos no exterior, é hora de retomar nossa posição como líderes dos negócios neste país.
O salão estourou em aplausos, e os flashes das câmeras iluminaram o rosto sereno de Curtis, que mantinha o olhar erguido, como se reivindicasse algo que sempre foi seu.
Henry, por outro lado, sentia o chão se mexer sob seus pés. Estava paralisado, com os cacos do copo ainda ao redor, e quando Curtis Callaway o olhou diretamente — ainda que por apenas um segundo — sentiu o sangue gelar. Era um olhar carregado de julgamentos, como se cada erro que havia cometido ficasse exposto de uma vez só.
Durante a hora seguinte, toda a atenção girou em torno do retorno do magnata. Velhos conhecidos, empresários, políticos e até rivais de outros tempos se aproximavam para cumprimentá-lo, apertar sua mão, garantir que estavam em bons termos com o homem que, ao que tudo indicava, havia voltado para mudar o panorama econômico da cidade.
Rebecca permanecia perto do pai, radiante, agora apresentada como a nova dona da multinacional.
Henry observava tudo de longe. Tinha um nó no estômago e toda vez que tentava se mover em direção a Curtis, alguém o interrompia. Passaram-se minutos, depois quase uma hora. Por fim, respirou fundo, cerrou o maxilar e abriu caminho pela multidão; e quando se viu diante dele, pigarreou.
— Senhor Callaway… preciso falar com o senhor.
O homem o olhou com uma calma desconcertante. Não parecia surpreso, como se tivesse esperado aquele momento. Os convidados, que dado o drama das últimas semanas não esperavam nada de bom, se dispersaram imediatamente e os deixaram sozinhos naquele canto do salão.
Curtis pousou uma mão pesada no ombro de Henry e disse em voz baixa, quase paternal, mas carregada de um tom perigoso:
— Não é preciso, Henry. Homens não falam. Homens agem — sibilou. — E acredite, as suas ações já disseram muita coisa.
Henry engoliu em seco e apertou os lábios, porque não havia como se defender daquelas palavras. A única coisa que restava era admitir a culpa.
— Eu sei que falhei com a Rebecca…
Curtis arqueou uma sobrancelha, como se a justificativa lhe parecesse insuficiente.
— Você fez algo pior — replicou com um sorriso sombrio. — Você quebrou sua palavra comigo.
Henry sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Pensou na mãe, no pai, em Julie Ann… e em como seria impossível… mas e se não fosse…?
Curtis deu mais um passo à frente, e sua voz soou como um sussurro envenenado.
— Se não te acerto a cara aqui mesmo é porque tem gente demais na volta. Mas me escuta bem: se você chegar perto da minha filha de novo, vou afundar essa empresinha de merda que você tem. E depois mando uns amigos muito interessantes que fiz na prisão, que vão se encarregar de te deixar paralítico para que você veja a Rebecca ser feliz, mas de bem longe.
O silêncio de Henry foi absoluto. Não havia nada que pudesse dizer. Tudo o que podia fazer era baixar o olhar, aceitar a ameaça e conter o tremor nas mãos enquanto a culpa e a vergonha ganhavam um significado novo e bastante concreto.
Curtis o deixou plantado ali, se virando para atender a outro grupo de empresários que o cumprimentavam como se nada tivesse acontecido. Henry sentiu falta de ar, como se o salão tivesse encolhido de repente.
O evento continuou até de madrugada. A música voltou, os brindes seguiram, mas para ele tudo não passava de um zumbido distante. No final da noite, Rebecca saiu de braço dado com o pai, sorrindo, feliz como ele não a via há muito tempo. Aquela imagem o atravessou por dentro, porque entendeu que ela havia recuperado tudo o que havia perdido — e era muita coisa.
Quando a viu sumir entre os convidados, Henry ficou parado, com o copo vazio ainda na mão. Mas como um salva-vidas, Camilo apareceu ao seu lado com um sorriso torto e um copo cheio.
— Sabe de uma coisa, mano? — disse, dando um tapinha no ombro dele. — Melhor a gente ir beber.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O ÚLTIMO BEIJO... ANTES DO DIVÓRCIO
NUNCA, MAS NUNCA mesmo uma mulher com caráter voltaria com este homem escrito. Depois de ir para cama, transar por a boca em n lugares de uma puta? JAMAIS tocaria ou chegaria perto de mim...e com está família de ladrões, mentirosos, etc? Eu quereria distância, e melhor ainda NUNCA ter me tocado? Com certeza livramento......
Esse romance está com problemas nas páginas, trava ele só consegue chegar nas páginas seguintes pulando capítulos...
Sinceramente? Uma mulher, principalmente, ou homem com dignidade sairia e JAMAIS voltaria... dignidade acima de TUDO. Homem ou mulher que não respeitam os votos matrimônios não merecem respeito e chance....
Mas para passar para o capítulo seguinte agora aparece sempre a mesma página que temos que desbloquear com 7 moedas????? É brincar com as pessoas......