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O ÚLTIMO BEIJO... ANTES DO DIVÓRCIO romance Capítulo 77

As palavras de Rebecca doeram em Seija mais do que ela estava disposta a admitir, porque no fundo sabia que a amiga não tinha dito nada que não fosse verdade. Camilo estava sozinho — e não só fisicamente naquele quarto branco de hospital onde o bipe constante do monitor marcava o ritmo de uma recuperação incerta, mas emocionalmente, como alguém que de repente perde o chão firme sob os pés.

Mesmo assim, quando ergueu o olhar e viu Sara aparecer pelo corredor ao lado, impecável como sempre e com expressão séria, não pôde evitar dizer em voz baixa:

— Bom… pelo menos ainda tem a advogadinha dele, né?

Rebecca a olhou de soslaio, mas não respondeu — mal teve tempo, porque Sara já estava diante delas.

— Como tá o Camilo? — perguntou com nervosismo, e a tensão na voz era evidente.

Seija se recompôs e deu os detalhes sem enfeites.

— Continua fraco, mas estável. Não acordou ainda, mas os médicos dizem que o pulmão tá respondendo bem.

Sara assentiu devagar.

— Fico feliz em ouvir isso — disse, e depois houve um segundo incômodo de silêncio antes de ela acrescentar. — Espero que se recupere logo, qualquer coisa por favor me avisem, mas agora eu não posso ficar.

Rebecca franziu o cenho.

— Como assim?

— Tenho um assunto urgente no Canadá — explicou Sara. — Alguém da minha família faleceu. Preciso voltar.

Seija a observou com atenção, tentando decifrar se havia algo mais por trás daquela decisão.

— Você realmente vai deixá-lo agora? — perguntou sem rodeios, e Sara sustentou o olhar com firmeza.

— Estou deixando-o com a família dele. O Camilo fala de vocês exatamente assim, então…

Não havia reprovação no tom — só uma realidade que não admitia discussão, e Seija assentiu sem dizer mais nada, embora algo por dentro se retesasse. Quando Sara se despediu com um gesto breve e sumiu pelo corredor, Rebecca soltou o ar com uma expressão que misturava surpresa e certo ceticismo.

— Caramba, nem a namorada do Camilo consegue ficar com ele! — murmurou, e Seija olhou pra direção do quarto onde Camilo descansava, vulnerável como nunca tinha o visto.

— Você consegue ficar mais algumas horas? — perguntou Rebecca. — O Henry e eu queremos passar pra ver o bebê e depois voltamos.

— Claro. Sem problema — murmurou Seija, porque a verdade era que não tinha a menor intenção de sair dali.

Algumas horas depois, quando o hospital estava mais tranquilo e a luz da tarde entrava suavemente pela janela, Camilo reagiu. As pálpebras tremeram antes de se abrirem, e por um segundo o olhar foi vago, desorientado, como se não soubesse onde estava.

— Seija… — murmurou mal, quase como se estivesse verificando que não era um sonho, e ela se apressou a tomar a mão dele — sem saber se estava surpresa ou assustada por ser o primeiro nome que ele pronunciava ao acordar.

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