Procura-se um pai romance Capítulo 46

Estranhamente foi a Eliza que disse a polícia onde o filho estava, após ele entrar em contato com ela.

Talvez ela queira fazer o certo no fim da sua vida, se bem que com o dinheiro deles o Henry não ficaria naquele lugar.

Planejava levar Pedrinho para conhecê-la, mas agora mais do que nunca eu tinha receio de estar perto, já vi do que o Henry é capaz, não quero isso de novo.

Não acho que o pai do meu filho tenha colocado um ponto final nessa história, ele parece estar doente, neurótico, não sei o que se passa na sua cabeça mas tenho medo.

Os meses correram, a nossa rotina voltou ao normal com Marco participando dela. Almoçávamos juntos todos os dias e ele ficava mais na casa da Gabi do que na dele. O que era maravilhoso, pois Edu também se juntava a nós e era só risada.

Depois de um tempo achei um lugar pra mim e pro Pedrinho, mesmo com o coração na mão, saímos da casa da Gabi. Ela quase nos segurou pelo calcanhar, contudo era necessário ir, éramos adultos com suas vidas pessoais entediantes, não podíamos viver para sempre no conto de fadas, uma hora seria inevitável o estresse.

Soube que Eliza estava nos últimos momentos, decidi levar o meu filho lá. Henry já não dava sinal de vida desde o dia do sequestro, e Marco iria comigo, estávamos bem.

Estacionar na porta daquela casa me trazia sensações ruins, recordar de como fui humilhada e depois de meses ter vindo procurar meu filho, nunca houve algo bom aí dentro, espero que hoje seja diferente.

Pedro está maior, com dentinhos novos e muito mais esperto, engatinha e tenta ficar de pé apoiado nas coisas, porém logo cede. Mês que vem ele faria um ano, e Augusto ter ligado dizendo que Eliza não estaria aqui para isso me fez estar aqui.

O patriarca que abriu a porta, sorridente e com os olhos marejados ao ver o neto pela primeira vez. Levou as mãos até a boca surpreso e logo passou os dedos entre os cabelos grisalhos.

- Meu Deus! - Falou com os olhos no Pedrinho. - Ele está enorme, ele é lindo. Entrem, por favor.

Senti as pontas dos dedos do Marco fazendo uma leve pressão nas minhas costas, era tão bom ter ele por perto.

- Posso? - Augusto pediu, apontando com a mão trêmula para o neto.

- Aham. - Respondi insegura, meu namorado segura a minha mão quando entrego Pedro ao avô.

É bonito ver a emoção dele, acredito que por muito tempo ele se questionou se conheceria o neto ou não, e tê-lo nos seus braços agora parecia ser algo inexplicável.

- Ele é a sua cara. - Comentou e depositou um beijo carinhoso na testa do Pedrinho, meu filho segurou o rosto do avô e tentou morder o seu nariz, arrancando risada de todos nós. - Não sei nem como te agradecer por trazê-lo, imagino que seja difícil.

- Está tudo bem. - Menti. Não estava tudo bem, meus olhos percorriam por todos os lados e estava atenta a qualquer tipo de barulho. Certamente Augusto percebeu isso.

Fomos até a sala de estar, e o baque que eu tomei foi grande. A cadeira de rodas estava de costas pra nós, enquanto Eliza observava pela enorme janela do chão ao teto, observando a enorme piscina da mansão. Próxima dela, uma enfermeira que se levantou assim que nos viu.

Tinha consciência de que ela estava muito doente, mas nunca imaginei ver aquela mulher esbelta e elegante em uma cadeira de roda, foi um choque.

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