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Proibida de Amar Meu Marido romance Capítulo 12

A igreja estava iluminada por vitrais coloridos que deixavam entrar a luz suave do fim de tarde. O som do órgão ecoava suavemente, enchendo o ar de solenidade. Para Helena, aquilo era mais que paredes sagradas: era a casa de Deus, e, apesar das circunstâncias, ela não poderia aceitar unir-se de outra forma.

Havia pouquíssimos convidados, além de sua mãe apenas, Célia, a secretária e amiga de longa data com o esposo. Cláudia e Amanda, amigas de infância de Helena, seu tio Renato com a esposa Glória e seus primos Bernardo e Bianca.

Seus avós, Rubens e Margarida, sentados tranquilamente na primeira fila.

Da parte de Eduardo além de seus pais e a avó sorridente e emocionada, umas duas dúzias de pessoas que ela nem sabia quem era.

A imprensa recebeu apenas uma nota informando do casamento, mas foi proibida de comparecer e registrar. Depois da cerimônia uma foto do casal foi divulgada, mas sem detalhes do nome ou origem da noiva.

Vestida de branco, com véu, Helena caminhava lentamente pelo corredor central. O coração batia descompassado, mas seus passos eram firmes. Cada passo era também uma oração silenciosa: “Senhor, guia-me. Não me abandone agora.”

Eduardo a aguardava junto ao altar. Imponente em seu terno escuro, trazia no semblante a mesma frieza que o acompanhava em todos os negócios. Não sorriu ao vê-la, não deixou transparecer nada.

A cerimônia seguiu. As palavras dos votos ecoaram sob as abóbadas da igreja, mas, para Helena, cada frase era um peso enorme: estava prometendo diante de Deus algo que, em seu íntimo, não era fruto de amor, mas de necessidade. Ainda assim, acreditava que aquele era o único caminho para proteger sua mãe e mesmo sendo um contrato sem sentimentos, ela iria honrar aquele juramento perante Deus.

Eduardo, por sua vez, repetiu as palavras como se fossem cláusulas de um contrato. Não havia hesitação em sua voz, apenas firmeza e objetividade.

— Prometo ser fiel, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença... — disse, sem alterar o tom, como se selasse uma negociação.

Quando chegou a vez de Helena, sua voz embargou por um instante. Mas ergueu os olhos ao crucifixo suspenso acima do altar e prosseguiu:

— Prometo ser fiel, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da minha vida.

O silêncio que se seguiu pareceu eterno. O padre então declarou:

— O que Deus uniu, o homem não separe.

Helena fechou os olhos, sentindo o peso daquelas palavras. Para ela, não havia volta: estava ligada a Eduardo não apenas por um contrato, mas diante do próprio Deus.

O noivo se inclinou apenas o suficiente para depositar um beijo protocolar em sua testa. O gesto foi frio, mas Helena o recebeu com resignação.

Por dentro, Eduardo lutava contra um incômodo que não conseguia descrever. Havia algo naquela mulher que o desconcertava. O mesmo brilho nos olhos, a mesma força invisível que ele percebeu quando a ouvira tocar anos atrás.

Do lado de fora, os sinos da igreja começaram a tocar, anunciando ao mundo a nova união. Para Helena, eram como sinos de despedida de sua liberdade. Para Eduardo, soavam como o anúncio de uma vida que ele acreditava controlar.

*****

A recepção foi íntima, ao menos no número de convidados, mas impecável em cada detalhe. O gramado da mansão dos Monteiro estava coberto por uma grande tenda climatizada, elegantemente decorada. Nada era excessivo, mas tudo transmitia sofisticação: arranjos de lírios brancos cuidadosamente posicionados, iluminação suave e um ambiente harmonioso.

Uma grande mesa reunia o serviço de jantar, onde os próprios convidados se serviam, enquanto garçons impecáveis circulavam com bandejas de champanhe e bebidas variadas. Ao fundo, uma pequena banda executava músicas suaves, criando uma atmosfera refinada e acolhedora.

Olívia transitava pelo espaço com um brilho visível no olhar. Estava radiante. Cada detalhe daquela noite parecia confirmar algo que ela desejava profundamente.

Gilberto, por sua vez, observava tudo com sua postura rígida e reservada. No entanto, seu olhar atento revelava mais do que aparentava. Ele sabia que aquele casamento nascera como estratégia, quase uma fuga… mas algo lhe dizia que os rumos daquela história poderiam ser outros.

Helena foi apresentada aos convidados, a maioria parentes, tios e primos que ela não lembrava mais o nome de ninguém. Depois ela foi conversar com suas amigas.

Mais afastado, Eduardo conversava com seus amigos mais próximos, Lucas e Bruno.

— Então você realmente casou… — comentou Lucas, erguendo a taça com um sorriso de leve incredulidade.

— Eu ainda estava duvidando — completou Bruno, rindo. — Mas, cara… depois de tudo, você merece ser feliz. Sua noiva parece ser uma ótima pessoa.

— E muito bonita — acrescentou Lucas, discretamente apontando em direção a Helena.

Eduardo seguiu o olhar do amigo.

Helena estava alguns metros adiante, conversando com duas amigas. O vestido de noiva realçava sua elegância natural, e havia algo nela que chamava atenção sem esforço.

Como se sentisse o olhar dele, Helena ergueu os olhos. Por um instante, os dois se encararam e, encenando o papel de noivos apaixonados, sorriam um para o outro.

— Fico feliz por você, de verdade — continuou Lucas. — Depois de tudo que você passou… você merece isso.

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