Eduardo e Helena
Após a recepção, Eduardo e Helena se despediram dos convidados. Sorrisos, abraços, votos de felicidade, tudo aconteceu como mandava o protocolo.
Era hora de partir e os noivos se encaminharam para o carro que os levaria à nova vida juntos.
— Viva os noivos! — alguém gritou.
Logo, outros acompanharam. Até uma chuva de arroz foi lançada no ar, caindo sobre eles em meio a aplausos e risos. Helena esboçou um sorriso, enquanto Eduardo mantinha a postura firme, quase automática segurando a mão de Helena, como se estivesse cumprindo um papel bem ensaiado.
Assim que entraram no carro e as portas se fecharam, o som da festa ficou para trás. E, com ele, também desapareceu a imagem do noivo cordial.
Eduardo voltou a ser o homem frio e reservado de sempre. O trajeto seguiu em silêncio absoluto.
Ele mantinha o olhar fixo à frente, expressão inalterável. Helena, ao lado, entrelaçava os dedos sobre o colo, tentando controlar a própria ansiedade. Apesar de todas as cláusulas do contrato, apesar de tudo estar claramente estabelecido… ainda havia um desconforto inevitável.
Afinal, aquela era a noite de núpcias.
— Fique tranquila — disse Eduardo, de repente, quebrando o silêncio. — Não vamos dormir no mesmo quarto.
Helena virou o rosto, surpresa.
— Isso não me passou pela cabeça.
Ele então a encarou, um leve sorriso irônico surgindo nos lábios.
— Não? — inclinou-se um pouco, provocador. — Está se referindo ao fato de não dormirmos no mesmo quarto… ou à possibilidade de eu te pedir para dividir a cama comigo?
Helena o encarou, visivelmente irritada.
— Prefiro dormir na casa do cachorro do que dividir a cama com você.
Eduardo arqueou uma sobrancelha, divertido.
— Infelizmente, não tenho um canil em casa.
Ela franziu o rosto, contrariada, e virou-se para a janela, decidida a encerrar a conversa.
Foi então que percebeu. O carro desacelerou ao atravessar um imponente portão de ferro, que se abria silenciosamente diante deles. À frente, uma longa entrada iluminada revelava a grandiosidade da propriedade.
Helena observou, por um instante, em silêncio. Aquela… agora era sua nova realidade, sua nova casa.
*****
A mansão Monteiro erguia-se imponente, como um palácio moderno moldado. Ao atravessar o grande hall de mármore, Helena sentiu o coração apertar, embora mantivesse a postura firme e elegante que a nova posição exigia.
Apesar da arquitetura contemporânea e da iluminação abundante, havia algo ali que a inquietava. O ambiente era amplo, sofisticado… mas frio. Impessoal. Os tons claros e as linhas perfeitas pareciam refletir exatamente o homem que habitava aquele lugar.
Ela respirou fundo, tentando se convencer de que estava ali por um propósito: proteger sua mãe. Não por amor e nem pelo afeto que não existia.
— Bem-vinda à sua nova casa — disse Eduardo, surgindo ao seu lado. A voz dele era firme, controlada, tão distante quanto o olhar.
Helena percebeu o quanto ele conseguia ser impenetrável. Não havia calor na recepção, apenas formalidade.
A governanta, Senhora Olga, aproximou-se com discrição.
— Boa noite, senhora. — Disse ela com um sorriso acolhedor. — Seja bem vinda.
— Obrigada — respondeu, com um leve aceno de cabeça.
Depois conduziu Helena pelo interior da mansão até seu quarto. Cada ambiente que atravessavam era impecável, luxuoso… e igualmente sem vida. Era como caminhar por um cenário perfeitamente montado, mas desprovido de história e de alma.
Ao entrar no quarto, Helena diminuiu o passo. O espaço era amplo, elegante, com um luxo clean e silencioso. Aproximou-se da cama e tocou a cabeceira, sentindo um leve arrepio percorrer sua espinha.
— Espero que a senhora se sinta à vontade — disse Senhora Olga, com um sorriso cordial. — Faremos o possível para que sua adaptação seja tranquila.

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