Mas o impacto, para Helena, foi ainda maior.
Ele estava sem camisa, vestindo apenas uma calça de pijama escura, baixa na cintura. A iluminação suave da cozinha desenhava as linhas do seu corpo, o tórax firme, os músculos bem definidos, a postura naturalmente imponente.
Por um segundo, Helena simplesmente o encarou. O olhar desceu, involuntário, percorrendo o peito dele até a linha da cintura… e só então ela percebeu o que estava fazendo. Desviou rapidamente, sentindo o rosto aquecer.
Eduardo, por sua vez, também não ficou imune.
Seu olhar percorreu Helena com a mesma intensidade, a leveza da camisola, o tecido quase translúcido, o contorno suave do corpo dela. A expressão dele permaneceu controlada… mas a forma como ficou em silêncio dizia o contrário.
A garganta dele secou e ele engoliu em seco.
— Eu… eu só… — Helena começou, gaguejando levemente — desci para beber água.
Eduardo ergueu uma sobrancelha, o tom vindo carregado de ironia:
— Interessante… não sabia que, para isso, era necessário atravessar a casa quase nua.
Helena piscou, incrédula. A irritação veio rápido. Mas, antes de responder, seu olhar voltou a ele, desta vez de forma mais direta.
— Engraçado você falar isso — retrucou, cruzando levemente os braços, tentando se proteger. — Porque eu também não sabia que era normal andar pela casa… desse jeito.
O olhar dela desceu, deliberado, sobre o tórax dele agora sem qualquer disfarce. Eduardo percebeu. E, por um instante, algo mudou na expressão dele.
— Eu estou na minha casa — respondeu, com calma e um leve sorriso.
— E eu estou tentando encontrar água — rebateu ela, no mesmo tom. — Ou preciso de autorização para isso também?
Ele deu um passo à frente, encurtando levemente a distância entre eles.
— Não… — disse, baixo. — Mas confesso que é curioso.
Helena estreitou os olhos.
— O que é curioso?
Um leve sorriso, quase provocador, surgiu nos lábios dele.
— Você escolher justamente essa camisola… na primeira noite aqui.
A indignação dela foi imediata.
— Eu não “escolhi”! — disse, irritada. — Estava em cima da cama. Eu só vesti.
Ele inclinou a cabeça, analisando-a.
— Claro… coincidência.
Helena soltou um riso curto, sem humor.
— Você realmente acha que eu me vestiria assim para te impressionar?
— Não sei — respondeu ele, sem pressa. — Talvez para me provocar.
Ela deu um passo à frente agora, encarando-o com firmeza.
— Se eu quisesse te provocar, Eduardo… — disse, com a voz firme — você saberia.
O silêncio que se seguiu foi denso. Por um instante, nenhum dos dois desviou o olhar. Então Helena respirou fundo, quebrando a tensão.
— Boa noite.

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