Viviane
Ao se deparar, nas redes sociais, com uma breve publicação sobre o casamento de Eduardo e Helena, Viviane apertou com força o celular.
Num impulso violento, ela jogou o celular sobre a cama, enquanto ela começava a andar de um lado para o outro, os passos marcados pela tensão crescente.
— Como ele pode casar tão rápido… — murmurou, a voz carregada de incredulidade, que logo cedeu lugar à irritação. — Eu não acredito… com aquela mulherzinha sem graça… sem sal.
Enquanto Viviane engolia a raiva, seu telefone tocou. Seu corpo enrijeceu ao ver o número na tela. Ela nunca havia salvo aquele contato… mas sabia exatamente quem estava do outro lado da linha.
Por um breve instante, considerou ignorar. Fingir que não viu, queria ter tempo para pensar. Mas sabia que não era uma opção.
Respirou fundo. Seus dedos, levemente trêmulos, alcançaram o aparelho.
— Alô… — disse, controlando o tom, embora a tensão escapasse nas entrelinhas.
A resposta veio imediatamente. Fria. Direta.
— Eduardo casou. Como você deixou isso acontecer?
Viviane fechou os olhos por um segundo, como se aquela voz tivesse atravessado mais do que apenas a distância.
— Eu também fui pega de surpresa… — respondeu, tentando manter a firmeza. — Foi tudo muito rápido. Noivado… casamento… quase não houve tempo…
— Era simples. Você voltava… e o reconquistava.
As palavras vieram como uma sentença, não como sugestão. Viviane apertou o celular com mais força.
— Eu sei — disse, mais baixo dessa vez. — Só não esperava que ele fosse se casar tão rápido.
Houve um breve silêncio do outro lado. Um silêncio que não trazia alívio… apenas pressão.
— Então dê um jeito nisso.
A ordem veio sem elevação de voz. Justamente por isso, soou ainda mais ameaçadora. Viviane abriu os olhos. O azul deles já não carregava hesitação, apenas decisão.
— Não se preocupe… — respondeu, agora firme. — Eu vou dar.
A ligação foi encerrada sem despedidas.
O silêncio que se seguiu pareceu mais pesado do que antes. Viviane permaneceu parada por alguns segundos, com o celular ainda em mãos. Então, lentamente, um sorriso surgiu em seus lábios…frio, calculado… perigoso.
Ela sabia o que estava em jogo e sabia também que, desta vez, não podia falhar. Eduardo voltaria para ela.
De um jeito… ou de outro.
*****
Eduardo e Helena
O carro parou diante de uma casa de praia moderna, ampla, cercada por vidro e linhas geométricas que se abria completamente para o mar.
Helena desceu do carro e, por um instante, esqueceu de tudo. O ar salgado, o som distante das ondas, a imensidão azul… era como estar diante de um pequeno paraíso.
— Você vem sempre aqui? — perguntou, virando-se para Eduardo, com um leve sorriso.
— Não tanto quanto gostaria. — Ele respondeu, já contornando o carro. — Vamos entrar.
Assim que cruzaram a porta, Helena foi envolvida pela grandiosidade do interior. A sala de pé-direito duplo, com paredes inteiramente de vidro, deixava a luz natural entrar. Ao fundo, uma ampla varanda parecia suspensa sobre o mar.
Sem conter o impulso, ela caminhou até lá e abriu a porta. A brisa marítima a envolveu de imediato, brincando com seus cabelos e fazendo o vestido branco dançar suavemente ao redor do seu corpo.
Atrás dela, Eduardo permaneceu imóvel por alguns segundos, apenas observando. Havia algo naquela imagem simples que o prendia mais do que gostaria.
Só então ele se aproximou.
— Seremos só nós dois nesses dias.
Helena se virou.
— Eu sei… para evitar comentários.
Eduardo sustentou o olhar dela por um breve instante.
— O quarto principal foi preparado para nós dois. — Sua voz voltou ao tom controlado de sempre. — Mas não se preocupe. Vou levar minhas coisas para o quarto de hóspedes… e, antes de irmos embora, coloco tudo no lugar novamente.
— Para evitar comentários — repetiu Helena, mantendo a neutralidade, embora algo em seu tom denunciasse um leve desconforto.
— Exatamente. — Ele assentiu, frio. — Você está livre para fazer o que quiser.

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