Na noite anterior à viagem, Olivia insistiu para que todos jantassem juntos.
Além dela e de Gilberto, a avó de Eduardo, Carmen, também havia vindo especialmente para vê-lo antes da partida. A mesa estava animada, como acontecia sempre que a família se reunia.
Enquanto os empregados serviam o jantar, Gilberto aproveitou para conversar com o filho sobre os compromissos que o aguardavam. Mesmo não indo ao Grupo Monteiro com frequência, Gilberto fazia parte do conselho e Eduardo sempre ouvia o pai.
— A parceria com o Grupo Walker pode abrir muitas portas para a empresa. — comentou ele. — Eles não são fortes apenas no setor de logística. Têm investimentos em transporte marítimo, armazenagem, tecnologia e infraestrutura entre entre outros empreendimentos.
Eduardo assentiu.
— É justamente por isso que vou pessoalmente. Se conseguirmos consolidar esse acordo, teremos acesso a mercados que antes estavam fora do nosso alcance.
— Você está certo. — concordou Gilberto. — Negócios desse porte exigem presença e relacionamento.
Enquanto os dois falavam sobre contratos, estratégias e expansão internacional, as mulheres acabaram conduzindo a conversa para assuntos mais leves.
— Vamos sentir sua falta. — disse Olivia, dirigindo-se ao filho.
— Também sentirei falta de todos, mãe.
— Você diz isso porque não é você quem fica.
Carmen pousou os talheres sobre o prato e lançou um olhar atento para o neto.
— Ainda não entendi uma coisa.
Eduardo voltou a atenção para ela.
— O quê, vovó?
— Por que Helena não vai com você?
A mesa ficou momentaneamente em silêncio.
— Em viagens de negócios como essa, a presença da esposa costuma ser importante. Além da credibilidade, ajuda a fortalecer os relacionamentos sociais.
Eduardo permaneceu tranquilo.
— Helena está muito ocupada com a empresa dela no momento. Há vários projetos importantes em andamento.
Ele lançou um breve olhar para a esposa antes de continuar.
— Assim que puder organizar tudo, ela irá me encontrar.
Helena manteve a expressão serena, mas, por dentro, ficou surpresa. Ele nunca havia mencionado aquilo.
Por um instante, desejou acreditar em suas palavras, mas sabia que Eduardo havia dito aquilo apenas para tranquilizar a família.
— Bem, então está resolvido. — concluiu Carmen, satisfeita. — Uma esposa deve estar ao lado do marido sempre.
— E um marido também deve estar ao lado da esposa. — observou Olívia com um sorriso significativo.
O restante do jantar transcorreu de forma agradável, quando a noite chegou ao fim e começaram a se despedir, Olivia segurou as mãos de Helena com carinho.
— Não fique sozinha em casa o tempo todo.
— Eu vou ficar bem. — respondeu ela com um sorriso.
— Mesmo assim, quero que venha nos visitar sempre que quiser. Para almoçar, jantar ou simplesmente tomar um café.
— Sua sogra tem razão. — concordou Carmen. — Esta casa também é sua.
O coração de Helena se aqueceu.
— Obrigada.
Olivia a abraçou com carinho.
— Prometa que não vai se isolar.
Aquelas palavras só faziam sentidos para quem conhecia o casamento de Helena e Eduardo.
— Eu prometo.
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