Um leve toque na porta fez Helena despertar de seus pensamentos, ela segurava a fotografia da mãe entre as mãos.
Assim que Bianca entrou, Helena pousou o retrato sobre a mesa e, antes que a prima pudesse perceber, enxugou discretamente a lágrima que insistia em escapar.
Bianca fingiu não notar. Conhecia Helena o suficiente para saber que, quando quisesse falar sobre a saudade de Clara, o faria por vontade própria.
Por isso, entrou no escritório trazendo consigo o mesmo sorriso leve de sempre.
— Helena... você está muito ocupada?
Helena respirou fundo e sorriu.
— Para você, nunca.
— Então... será que poderia dar uma olhada em algo para mim?
— Claro.
Bianca aproximou-se da mesa e sentou-se à sua frente, houve um instante de hesitação e então estendeu uma pasta.
— Eu queria muito saber sua opinião.
Helena abriu a pasta sem imaginar o que encontraria. Logo na primeira folha, seus olhos demonstraram surpresa. Ela foi passando lentamente uma por uma. Passou vários minutos analisando cada desenho com atenção.
Quanto mais avançava, mais admirada ficava, quando terminou ergueu os olhos lentamente.
— Bianca… Esses projetos são seus?
Bianca assentiu, tentando esconder o nervosismo.
— São.
— Todos?
— Não são tão bons quanto os seus, mas pensei em algo mais acessível a clientes com menos poder aquisitivo.
Helena voltou a folhear a pasta.
Ali havia projetos de móveis, peças decorativas, esculturas, mesas, aparadores e luminárias que combinavam madeira nobre, mármore, granito e metais. Eram peças mais simples, mas de muito bom gosto.
Não eram apenas desenhos bonitos, havia identidade, criatividade, proporção e personalidade. Sem dúvida era o trabalho de quem tinha talento, talvez apenas alguns ajustes.
— Desde quando você faz isso?
Bianca sorriu sem graça.
— Desde que comecei a trabalhar aqui.
Helena ergueu as sobrancelhas.
— Você nunca comentou nada comigo.
— Porque eu tinha medo de descobrir que não tinha talento. — Ela respirou fundo antes de continuar. — Fiz um curso de design escondido. Queria descobrir se realmente tinha aptidão... antes de contar para alguém.
Helena fechou lentamente a pasta e sorriu. Um sorriso sincero, daqueles que iluminavam seu rosto.
— Bianca… Você não tem apenas talento. Tem um conceito bem definido.
Os olhos da jovem brilharam. Apesar de formada em Administração, Bianca nunca havia abandonado sua verdadeira paixão.
Desde menina gostava de desenhar. Passava horas pintando e transformando folhas em branco em pequenos mundos. Durante muito tempo sonhou em realizar uma exposição com suas pinturas.
Mas a vida seguiu outro caminho, vieram os estudos e depois o trabalho. Mesmo assim, nunca deixou de pintar nas horas livres.
Era seu refúgio e muitas vezes era o que a mantinha serena.
— Você acha... — perguntou Bianca quase num sussurro — ...que algum dia eu conseguiria comercializar essas peças?
Helena tornou a abrir a pasta e observou novamente alguns projetos. Depois respondeu sem qualquer hesitação.
— Não tenho dúvida. São projetos elegantes, modernos e têm identidade própria. Além de ser um conceito que atende a uma demanda de grande parte da sociedade que quer algo bonito e de qualidade e mais acessível como você mesma disse. O mercado procura exatamente isso.
Ela apontou alguns desenhos.
— Estes móveis poderiam perfeitamente integrar uma linha exclusiva da empresa. E estas peças decorativas. — Helena sorriu. — Tenho certeza de que fariam sucesso.
Os olhos de Bianca brilharam. Pela primeira vez, alguém acreditava naquele sonho. Helena levantou-se, contornou a mesa e segurou delicadamente as mãos da prima.
— Estou muito orgulhosa de você.

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