Eduardo e Helena
Os dias na casa de praia passaram mais rápido do que Helena imaginava.
Como Eduardo havia dito, ele passava a maior parte do tempo no escritório, mergulhado no trabalho.
Helena, por sua vez, criava sua própria rotina. Preparava as refeições, caminhava pela praia, nadava no mar, passava horas na piscina ou simplesmente apreciava o silêncio daquele lugar.
Em uma dessas tardes, enquanto organizava a mesa do almoço, comentou:
— Você devia aproveitar mais esse lugar maravilhoso… relaxar um pouco. Tem trabalhado muito.
Eduardo nem tirou os olhos dos papéis à sua frente. Percebendo que ele parecia nem ouvir, ela já ia se afastar quando ouviu a voz dele.
— Quando eu tiver tempo, vou seguir seu conselho. Obrigado.
Então ele ergueu o olhar, a consciência da presença um do outro se tornava mais palpável, mesmo que cada um repetia em suas mentes.
“É um contrato apenas.”
Ela assentiu e desviou o olhar para que ele não visse suas faces corarem.
Mas o que Helena não sabia era que, mesmo ocupado, Eduardo a observava. À distância, discreto. Da varanda, do escritório, ou mesmo por trás das paredes de vidro. Havia sempre um momento em que seus olhos procuravam Helena… sem que ela notasse.
Às vezes caminhando na praia, no jardim e na piscina onde a silhueta dela de maiô ou biquíni não passava despercebido por ele e neste momento, ele sentia uma tensão no corpo e se refugiava no escritório.
Naquela tarde, o sol estava mais intenso. Helena decidiu aproveitar a piscina. Deitou-se em uma espreguiçadeira, deixando que o calor aquecesse sua pele, relaxando completamente.
O maiô preto que usava valorizava suas curvas femininas.
Ela fechou os olhos até que uma sombra cobriu seu corpo. Helena franziu levemente a testa e abriu os olhos, surpresa.
Eduardo estava ali. De pé e… usando um roupão atoalhado.
Ela se assustou, erguendo-se rapidamente sentando na espreguiçadeira, o coração acelerando sem motivo claro. Mas, ao vê-lo daquela forma, seu corpo reagiu antes mesmo que pudesse controlar.
— Eu… — Helena se levantou de vez, visivelmente sem graça. — Não te vi chegar.
O rubor em seu rosto a denunciava.
— Percebi. — disse ele, por fim, em tom baixo.
Mas, dessa vez, sua voz não soava totalmente indiferente.
— Acho que vou seguir o seu conselho… e aproveitar.
Sem esperar resposta, tirou o roupão, caminhou até a borda da piscina e mergulhou. Segundos depois, emergiu, passando a mão pelos cabelos molhados.
— Você não vem? — chamou, com naturalidade. — A água está ótima.
Helena hesitou.
Ela ainda sentia o olhar dele sobre si e aquilo a deixou levemente envergonhada. Ela soltou uma pequena risada.
— Então tá…
E, antes que pensasse demais, pulou.
Entre mergulhos, conversas, o clima entre eles se transformava aos poucos. Helena preparou alguns petiscos e levou para a área externa, enquanto Eduardo assumiu a responsabilidade pelos drinks, surpreendendo-a com certa habilidade.
— Não sabia que você fazia isso — comentou ela, observando-o.
— Tem muita coisa que você não sabe — respondeu ele, com um leve traço de humor. E, dessa vez, não soou frio.
Nos dois dias seguintes, Eduardo parecia ter esquecido o trabalho e passou a fazer companhia a Helena. Foram à praia, nadaram, mergulharam, se divertiram como pensavam não ser possível.
À tarde, ficavam na piscina até o sol se pôr no horizonte.


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