O voo transcorreu sem incidentes.
Helena tentou descansar durante parte da viagem, mas o sono veio apenas em intervalos curtos e inquietos. Na maior parte do tempo, manteve-se em silêncio. Bruno, percebendo o cansaço dela, limitou-se a conversar o necessário, sem insistir em distraí-la.
Quando finalmente desembarcaram, já era noite.
O ar da cidade tinha um calor diferente, mais seco, e o movimento do aeroporto era menor do que o da capital. Um carro enviado pela empresa os aguardava do lado de fora para levá-los ao hotel onde ficariam hospedados.
Durante o trajeto, Helena apoiou a cabeça no encosto e observou as luzes da cidade passando pela janela. A exaustão do dia começava a pesar de verdade agora. O silêncio entre os dois não era desconfortável, apenas tranquilo. Bruno a observou discretamente algumas vezes, notando a forma como ela parecia recolhida em si mesma, como se, mesmo ao seu lado, ainda estivesse muito longe dali.
O hotel escolhido ficava em uma área nobre, moderna e elegante, frequentemente usado por empresários e executivos que visitavam a região por causa do setor de rochas ornamentais. Assim que chegaram, um funcionário recolheu as malas, enquanto outro os conduziu até a recepção.
O check-in já estava providenciado.
Bruno recebeu os cartões dos quartos e entregou um deles a Helena.
— Nossos quartos ficam no mesmo andar — disse ele, enquanto seguiam para o elevador. — Se precisar de qualquer coisa, é só me chamar.
— Espero que não seja necessário — respondeu Helena com um leve sorriso cansado. — Pretendo apenas tomar um banho e cair na cama.
Bruno sorriu de volta.
No elevador, Helena permaneceu em silêncio, o reflexo dos dois nas portas espelhadas mostrava uma imagem harmoniosa demais: Bruno alto, elegante, seguro; Helena serena, sofisticada, bonita. Um casal perfeito aos olhos de quem visse de fora.
Mas a distância entre o que parecia e o que de fato existia era muito maior do que qualquer aparência poderia sugerir.
Ao chegarem ao andar, caminharam lado a lado pelo corredor até os quartos. Pararam diante das portas, que ficavam a poucos metros uma da outra.
— Ainda está cedo. Se quiser, podemos jantar no restaurante do hotel. Nem que seja algo rápido.
Helena hesitou por um instante.
— Acho melhor não — respondeu com suavidade. — Estou realmente cansada. Vou pedir alguma coisa no quarto e tentar dormir cedo. Amanhã teremos que acordar cedo, e eu quero estar descansada para a visita à pedreira.
Bruno sustentou o olhar dela por um momento, e depois apenas assentiu.
— Tudo bem. Você tem razão.
Helena sorriu de leve, agradecida por ele não insistir.
— Obrigada pela compreensão.
— Descanse, então. Amanhã vai ser um dia longo.
Ela inclinou a cabeça em um gesto delicado.

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