Viviane estava sentada no sofá quando o celular vibrou sobre a mesa de centro. Ela estendeu a mão com calma e desbloqueou a tela.
Era uma nova mensagem do mesmo contato que vinha lhe enviando, há semanas, os passos de Helena.
Viviane abriu os arquivos e, um a um, começou a passar as imagens desde o momento que Bruno colocava a mala de Helena no carro até a chegada no aeroporto.
Viviane ampliou algumas fotos, observando cada detalhe com uma frieza quase metódica. Não havia nada realmente comprometedor.
E, justamente por isso, aquelas imagens eram perfeitas. Porque a sugestão, quando bem construída, sempre era mais perigosa do que a evidência.
Um sorriso lento curvou seus lábios.
— O que há entre vocês dois. — murmurou.
Levantou-se do sofá e foi até a poltrona onde havia deixado a bolsa. Pegou-a com calma, conferiu o celular mais uma vez e guardou-o no interior da bolsa.
Henrique, que estava na cozinha servindo-se de uma bebida, ergueu os olhos ao vê-la pegar as chaves.
— Vai sair?
Viviane passou os dedos pelos cabelos, ajeitando-os sobre os ombros, como se estivesse prestes a encontrar alguém importante.
— Vou.
Henrique franziu o cenho.
— Vai aonde?
Ela já seguia em direção à porta quando se voltou apenas o suficiente para encará-lo por cima do ombro.
— Encontrar alguém.
A resposta vaga foi acompanhada de um sorriso leve demais para ser inocente. Henrique pousou o copo sobre a bancada com um pouco mais de força do que pretendia.
— Viviane…
Mas ela já havia aberto a porta.
— Não demoro — disse, sem qualquer intenção de explicar mais.
Henrique ficou parado no meio da sala, olhando para o vazio com o maxilar travado. O incômodo que vinha crescendo dentro dele se intensificou. Não era apenas ciúme, embora houvesse isso também. Era a irritação de ser mantido sempre à margem, de nunca saber exatamente o que Viviane estava planejando, de ser útil apenas quando ela decidia que deveria ser.
Ela não dividia mais seus planos com ele. E, pela expressão que vira em seu rosto, Henrique teve a certeza de que Viviane estava prestes a fazer algum movimento importante.
Pouco depois, Viviane estacionou o carro diante de um restaurante discreto e sofisticado, não um lugar comum, mas um daqueles endereços procurados por quem desejava encontros longe de olhares curiosos.
A alguns metros dali, outro carro a seguia.
O homem ao volante permaneceu imóvel, observando o movimento do lado de fora. Conhecia bem aquele lugar: não era um restaurante onde qualquer um pudesse entrar. O acesso aos reservados dependia de convite e discrição absoluta. Por isso, limitou-se a esperar, atento a cada pessoa que chegava ou saía, tentando descobrir com quem Viviane pretendia se encontrar.
Lá dentro, Viviane apresentou o convite à recepcionista e foi conduzida por um corredor silencioso até um reservado no fundo do salão. Ao entrar, encontrou um homem já à sua espera.
— Danilo Ribeiro? — perguntou, com a voz suave e segura.

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