Olga apareceu poucos instantes depois.
— Boa noite, senhor Eduardo.
— Boa noite, Olga.
Ela sorriu discretamente.
— O jantar já pronto.
Eduardo lançou um olhar pela sala antes de perguntar, tentando soar casual:
— A senhora Helena ainda não voltou?
Olga balançou a cabeça.
— Ainda não, senhor. Posso servir o jantar?
Eduardo desviou os olhos da escada.
— Sim.
Poucos minutos depois, sentou-se sozinho à enorme mesa da sala de jantar.
A mesa, feita para receber dezenas de convidados, parecia ainda maior quando ocupada por apenas uma pessoa.
Olga serviu o prato em silêncio e se retirou.
Eduardo começou a comer mecanicamente. O ambiente permanecia tão silencioso que era possível ouvir o leve tilintar dos talheres contra a porcelana.
Sem querer, seus olhos recaíram sobre a cadeira vazia à sua frente. Pensou em quantas vezes Helena provavelmente fizera refeições sozinha naquela mesma mesa durante sua ausência.
Terminou o jantar sem sentir o gosto da comida.
Quando se preparava para subir para o quarto, um feixe de luz atravessou os amplos painéis de vidro da sala.
Eduardo voltou-se instintivamente para a entrada da mansão.
Os faróis de um carro avançavam lentamente pela longa alameda, iluminando as árvores e os jardins antes de finalmente parar diante da escadaria principal.
Ele franziu levemente a testa, por um breve instante, permaneceu imóvel, observando o automóvel através da janela. Ele reconheceu o carro, não era de Helena ou outro veículo que pertencesse a casa.
Eduardo permaneceu imóvel na sala, com o olhar fixo na entrada da mansão.
Do lado de fora, o motor foi desligado e a porta do carro começou a se abrir.
*****
Cerca de uma hora antes...
O avião pousou suavemente na pista, encerrando uma viagem cansativa, mas extremamente produtiva.
Enquanto os demais passageiros desembarcavam, Helena e Bruno seguiram juntos pelo saguão do aeroporto, cada um puxando sua mala.
— Acho que conseguimos encontrar exatamente o que precisávamos. — comentou Helena, satisfeita.
Bruno sorriu.
— E ainda dentro do orçamento.
Ela riu discretamente. Os dois caminharam até a área de retirada de veículos.
Assim que chegaram ao estacionamento VIP, um funcionário reconheceu Bruno imediatamente.
— Boa noite, senhor Lima.
— Boa noite. Pode trazer meu carro, por favor?
— Imediatamente.
Enquanto aguardavam, Helena observava o movimento do aeroporto.
Não demorou muito o carro de Bruno parou diante deles. O funcionário entregou a chave e acomodou as malas no porta-malas.
Poucos minutos depois, deixavam o aeroporto. Quando o carro entrou na rua da mansão Monteiro, Bruno reduziu naturalmente a velocidade. Os grandes portões abriram e Bruno conduziu o carro pela alameda.
Helena observou a casa iluminada. O carro percorreu lentamente a alameda e parou diante da escadaria principal.
Bruno desligou o motor e desceu, deu a volta no carro e abriu a porta do passageiro com a mesma gentileza de sempre.
— Obrigada.
Ela sorriu ao descer.
Bruno abriu o porta-malas e retirou a mala dela.
— Obrigada por tudo.
— Eu é que agradeço pela companhia.
— Você quer entrar?
Ele a encarou surpreso.
— Entrar?
— Sim. Posso preparar alguma coisa rápida.
A parte mais sensata de si dizia que deveria agradecer e ir embora.

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