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Proibida de Amar Meu Marido romance Capítulo 176

Na manhã seguinte, Helena desceu as escadas mais cedo do que de costume. Dormiu pouco.

Durante boa parte da noite, permaneceu acordada, revivendo o reencontro inesperado com Eduardo. Imaginara tantas vezes aquele momento ao longo dos meses, mas jamais pensou que terminaria daquela forma, envolto em um silêncio mais doloroso do que qualquer discussão.

Ao entrar na sala de jantar, encontrou apenas Olga recolhendo a louça do café. A mesa já estava posta apenas para uma pessoa.

A governanta ergueu os olhos e sorriu com a ternura de sempre.

— Bom dia, senhora Helena.

— Bom dia, Olga.

Helena lançou um olhar discreto para a cadeira vazia na cabeceira. Não precisou perguntar e Olga compreendeu imediatamente.

— O senhor Eduardo tomou café mais cedo hoje.

Houve um breve silêncio. A tristeza na voz da governanta era sutil, mas impossível de esconder.

Helena apenas assentiu.

— Certo.

Sentou-se devagar e tentou manter a expressão serena. Olga aproximou-se para servir o café.

— Quer que eu prepare alguma coisa especial?

Helena forçou um leve sorriso.

— Não precisa. Obrigada.

A governanta hesitou por um instante, como se quisesse dizer alguma coisa, mas desistiu. Sabia que nenhuma palavra sua seria capaz de diminuir a distância que insistia em existir entre eles.

Assim que Olga deixou a sala, Helena permaneceu alguns segundos olhando para a cadeira vazia.

Ela respirou fundo, afastando-o antes que as lágrimas insistissem em aparecer. Com gestos lentos, tomou alguns goles de café e conseguiu comer apenas algumas torradas. Depois pegou a bolsa e saiu. Felizmente, o dia prometia ser intenso.

Manter a mente ocupada era, naquele momento, a única forma que conhecia de impedir que o coração voltasse àquela porta fechada do outro lado do corredor.

Ao deixar a mansão, Helena não seguiu imediatamente para a empresa.

Dirigiu por alguns minutos até uma pequena igreja antiga, escondida entre ruas arborizadas. Era um lugar simples, de paredes claras já marcadas pelo tempo e vitrais que deixavam a luz da manhã atravessar suavemente o interior do templo.

Sempre que o coração parecia pesado demais, era ali que encontrava refúgio. Estacionou o carro e entrou em silêncio.

Havia poucas pessoas. Uma senhora rezava o terço nos primeiros bancos, um homem permanecia ajoelhado diante do altar.

Helena caminhou lentamente pelo corredor central, fez o sinal da cruz e depois ajoelhou-se em um dos bancos. Por alguns instantes, permaneceu apenas em silêncio. Como se precisasse organizar o coração antes de encontrar as palavras. Seu olhar repousou sobre o crucifixo.

Então fechou os olhos.

— Senhor...

Sua voz era apenas um sussurro.

— Eu sempre acreditei que nada acontece sem a Tua permissão. Mesmo quando eu não consigo compreender.

Respirou fundo.

— Mas... confesso que está ficando difícil entender tantos desencontros.

Uma lágrima escapou discretamente, mas ela não a enxugou.

— Quando eu penso que vou encontrá-lo... algo acontece. Quando finalmente estamos diante um do outro... parece que existe um muro entre nós.

Seu coração apertou.

— Se esse casamento não faz parte dos Teus planos, dá-me forças para aceitar. Mas... se ainda existe um caminho que eu não consigo enxergar, ajuda-me a não desistir antes da hora.

O silêncio da igreja parecia acolher cada palavra. Helena permaneceu alguns instantes de olhos fechados.

Lembrou-se da mãe e das vezes em que Clara lhe dizia que Deus raramente respondia no tempo que desejamos, mas sempre no tempo certo.

Ela respirou profundamente. Sentia que a dor continuava ali, mas já não parecia tão pesada.

Levantou-se devagar, fez novamente o sinal da cruz e caminhou até a imagem de Nossa Senhora. Acendeu uma pequena vela, mas não pediu um milagre, nem que Eduardo a amasse.

Pediu apenas sabedoria para continuar fazendo a sua parte e um coração capaz de confiar, mesmo quando tudo ao seu redor parecia conduzi-la na direção oposta.

Ao sair da igreja, a brisa suave da manhã tocou seu rosto. Helena ergueu os olhos para o céu por um breve instante, depois sorriu de maneira serena.

Os problemas continuavam exatamente os mesmos, mas ela não. Entrou no carro e seguiu para a empresa, pronta para enfrentar mais um dia.

*****

O Grupo Monteiro já estava em pleno funcionamento quando Eduardo atravessou o saguão principal.

Os funcionários que cruzavam seu caminho o cumprimentavam discretamente.

— Bom dia, senhor Monteiro.

Naquela manhã, porém, ele passou por todos sem responder. Os passos eram firmes, o semblante impassível e o olhar fixo à frente.

Ao chegar ao último andar, nem mesmo Márcia, que havia trabalhado ao lado da família Monteiro durante tantos anos e era uma das poucas pessoas que recebia um cumprimento dele todas as manhãs, recebeu qualquer resposta.

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