Naquela noite, Eduardo tinha um importante jantar de negócios com um empresário do setor financeiro.
As negociações transcorreram exatamente como ele esperava. Ao final do jantar, os dois homens levantaram-se.
— É sempre um prazer fazer negócios com o senhor, senhor Monteiro. — disse o empresário, satisfeito.
Eduardo apertou-lhe a mão.
— O prazer foi meu.
Depois de algumas palavras protocolares, despediram-se e o empresário deixou o restaurante primeiro.
Eduardo voltou a sentar-se. Serviu o restante do vinho na taça e permaneceu alguns instantes observando a taça sem tomar o líquido.
Os pensamentos agora não estavam mais nos negócios, estavam nos últimos acontecimentos de sua vida particular e voltaram para Helena.
Quando embarcou para o exterior meses atrás, jamais imaginaria que retornaria diferente. Durante aquela longa viagem, especialmente depois de conhecer John Walker e sua família, começou a questionar muitas certezas.
Ele havia retornado com a intenção de conversar com Helena sobre o futuro daquele casamento, estava disposto a dizer-lhe que não queria mais um casamento de fachada. Não iria lhe prometer sentimentos, talvez ainda não, mas já não conseguia enxergar Helena apenas como a mulher que assinara um contrato dois anos antes.
Helena era bonita, inteligente, elegante, discreta e competente. Conquistou respeito no mundo dos negócios por mérito próprio. Seria uma excelente esposa e uma excelente mãe.
Eduardo fechou os olhos por um instante. Não saberia dizer o que ele sentia por Helena, mas ele não lhe era indiferente.
Talvez… talvez estivesse disposto a tentar. Não podia prometer sentimentos que ainda não compreendia, mas construir um casamento verdadeiro. Sem cláusulas ou prazo para terminar.. Um casamento onde pudesse existir uma família.
Eduardo terminou o vinho e levantou-se. Ao sair do restaurante, o ar fresco da noite atingiu seu rosto.
Nelson já trazia o carro pela entrada principal, enquanto Eduardo aguardava próximo à calçada quando ouviu uma voz atrás de si.
— Eduardo.
O mundo pareceu parar por um instante. Lentamente ele virou-se e seu olhar encontrou o homem parado a poucos metros.
Leonardo.
Os irmãos permaneceram imóveis, nenhum dos dois disse uma palavra. O silêncio entre eles carregava anos de dor.
Leonardo foi o primeiro a falar.
— Precisamos conversar.
Eduardo continuou olhando para ele. Frio e inexpressivo.
Leonardo deu um passo à frente. Eduardo fechou a distância entre os dois em poucos segundos.
Seu punho atingiu o rosto do irmão com tanta força que fez Leonardo cair no chão.
Um murmúrio de espanto espalhou-se pela entrada do restaurante. Algumas pessoas reconheceram imediatamente o presidente do Grupo Monteiro.
Os seguranças correram em direção aos dois.
— Senhor Monteiro...
Eduardo ergueu apenas uma das mãos com um gesto pedindo para se afastarem.
Leonardo permaneceu alguns segundos caído. Levou a mão ao canto da boca. Quando a afastou, havia sangue.
Leonardo levantou-se devagar e olhou diretamente para Eduardo.
— Imagino que você tenha esperado muito tempo para fazer isso.

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