Naquela noite, Helena não conseguia dormir. Deitada na cama, permanecia atenta a qualquer ruído vindo da alameda da mansão.
As horas avançaram lentamente e Eduardo não voltou. Sem perceber, vencida pelo cansaço e pela longa espera, acabou adormecendo.
Na manhã seguinte, desceu para o café ainda sonolenta.
Olga serviu-lhe o café da manhã com a mesma dedicação de sempre, mas havia uma tristeza discreta em seu semblante.
— Mais alguma coisa, senhora?
— Não, obrigada.
Olga se retirou em silêncio, mas seu coração andava angustiado. Eduardo era como um filho e Helena uma mulher que aprendeu a admirar, tinha certeza que os dois eram um casal que tinha tudo para serem felizes, mas não eram.
Tomou o café em silêncio tentando imaginar onde Eduardo poderia ter passado a noite e então a imagem de Viviane veio à mente, eles haviam viajado juntos… Helena não quis completar o pensamento, mas era inevitável.
Quando já se preparava para sair, seu celular pessoal vibrou.
Helena imaginou que fosse alguma mensagem de Bianca, desbloqueou a tela sem muita atenção.
No instante em que leu o nome do remetente, seu coração pareceu falhar uma batida.
Eduardo.
Ficou alguns segundos apenas olhando para a tela. Era uma das raras mensagens que ele lhe enviava depois de mais de dois anos de casamento, respirou fundo antes de abri-la.
"Hoje à noite. Jantar na casa dos meus pais. Encontro você lá."
Era uma mensagem curta. Mesmo assim, Helena releu aquelas poucas palavras duas ou três vezes.
Guardou o celular lentamente na bolsa. Sentia saudades dos pais de Eduardo e, principalmente, de Olívia, que sempre a acolheu com tanto carinho.
Ao mesmo tempo, um discreto aperto surgiu em seu peito.
Depois do encontro inesperado no dia que retornou de viagem, ela não fazia ideia de como seria ficar frente a frente com Eduardo, nem do que encontraria por trás daquele semblante sempre tão difícil de decifrar.
Com um silencioso pedido a Deus para que aquela noite transcorresse em bem, Helena deixou a mansão e seguiu para mais um dia de trabalho.
*****
Quando Helena chegou à residência dos sogros, o mordomo a recebeu e a conduziu até a sala de estar íntima da família.
O ambiente era elegante e acolhedor, decorado em tons claros, com grandes janelas voltadas para o jardim. Apenas Gilberto e Olívia estavam ali. Eduardo ainda não havia chegado.
Assim que viu a nora, Olívia levantou-se imediatamente.
— Helena, querida! Que bom que você veio.
Ela a envolveu em um abraço caloroso, daqueles que Helena sempre recebia como o carinho de uma segunda mãe.
— Como você está?
— Bem, dona Olívia. E a senhora?
— Agora, melhor ainda.
Olívia segurou delicadamente as mãos da nora antes de lançar um olhar curioso para a porta.
— Eduardo não veio com você?
Helena sorriu discretamente.
— Ele deve estar chegando, Eduardo tem trabalhado muito.
— É verdade.

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