Não havia incredulidade no rosto do delegado, mas preocupação. Augusto levantou-se e caminhou até a janela. Permaneceu alguns segundos olhando para o movimento da rua.
Depois voltou lentamente.
— Se isso estiver correto… não estamos diante de um erro de investigação grave e sim uma fraude construída durante anos.
Eduardo permaneceu calado e Leonardo limitou-se a olhar de relance para o semblante do irmão, nada parecia abalá-lo.
O delegado voltou a sentar-se e pegou o telefone interno.
— Marta, peça ao escrivão Carlos que venha imediatamente e localize o perito Pacheco, tenho um caso prioritário.
Ao desligar, olhou novamente para os dois irmãos.
— Antes de qualquer providência oficial, quero ouvir toda a história desde o começo sem omitir absolutamente nada que descobriu e o motivo dessa investigação particular, acredito que o senhor tenha se dedicado bastante.
Leonardo respirou fundo e olhou rapidamente para Eduardo. O irmão apenas fez um discreto gesto com a cabeça e então, após a chegada do escrivão, começou a narrar tudo desde o dia que desconfiou que Viviane Teles não era exatamente quem dizia ser.
Quase três horas depois, a sala permanecia tomada por documentos e o delegado já não escondia a gravidade da situação.
Cada resposta gerava uma nova diligência, cada prova abria outro caminho para investigação. Ao final do depoimento, Augusto fechou cuidadosamente a última pasta.
Seu olhar encontrou o de Eduardo.
— Senhor Monteiro, se metade disso for confirmada pela perícia oficial… a mulher que o senhor conheceu como Viviane Teles nunca existiu. Ela morreu naquele acidente.
*****
Enquanto isso, longe dali, enquanto o passado de Viviane começava a desmoronar, Helena seguia sua rotina completamente alheia aos acontecimentos.
Naquela manhã, chegou cedo à empresa.
Assim que atravessou a recepção, Ana levantou-se para cumprimentá-la.
— Bom dia, senhora Helena.
— Bom dia, Ana.
Havia serenidade em seu sorriso.
Depois da breve viagem com Bruno para a escolha das rochas ornamentais, o trabalho aumentou consideravelmente. Novos contratos haviam sido assinados e as primeiras cargas de mármore já começavam a chegar ao depósito da empresa.
Era exatamente daquele tipo de rotina que Helena precisava. Quanto mais ocupada mantivesse a mente, menos espaço sobrava para pensar em Eduardo.
Ao entrar em seu escritório, encontrou Bianca diante de alguns projetos.
— Bom dia. — comentou a prima.
Helena retirou o blazer, acomodando-o cuidadosamente sobre a cadeira.
— Bom dia, chegou cedo hoje.
Bianca sorriu.
— Tem muita demanda de trabalho. Ontem um cliente não gostou do material escolhido, ele prefere tons pasteis.
Bianca estendeu o projeto para Helena, ela olhou rapidamente, era um cliente indicado por Bruno, ele havia alertado que ele era bem exigente.
— Deixa eu analisar depois com mais calma, chegou umas amostras novas que devem atender ao que ele quer.
Durante quase uma hora as duas discutiram cronogramas, fornecedores e alterações no projeto do novo complexo comercial.
*****
Na hora do almoço, Helena e Bianca deixavam a empresa para almoçar juntas em um restaurante a poucos quarteirões dali.
Assim que atravessaram a porta principal, deram de cara com Bruno, que acabava de estacionar.

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