Bruno caminhou até o carro, abriu a porta do passageiro para ela e esperou que entrasse. Depois fechou a porta cuidadosamente, deu a volta no veículo e assumiu o volante.
Bianca imaginava que fossem ao restaurante habitual, próximo à empresa. No entanto, alguns minutos depois percebeu que Bruno seguia por outro caminho.
— Acho que você errou a rua.
Bruno sorriu sem desviar os olhos da pista.
— Não errei. Achei que você merecia um almoço melhor do que o restaurante de sempre.
Poucos minutos depois, o carro parou diante de um dos restaurantes mais sofisticados da cidade.
Bianca olhou para a fachada elegante e depois para Bruno.
— Você não precisava...
Bruno desligou o motor e sorriu.
— A comida aqui é muito boa.
O maître os conduziu até uma mesa próxima à ampla janela de vidro, de onde era possível ver parte dos jardins do restaurante.
Assim que se sentaram, o garçom trouxe os cardápios.
— Fique à vontade. — disse Bruno.
Bianca sorriu discretamente.
— Confesso que nunca estive aqui.
— Então hoje é uma boa oportunidade.
Ela percorreu o cardápio rapidamente. Não estava acostumada aquele ambiente e muito menos os tipo de comida que serviam ali.
— Vou aceitar sua sugestão. Imagino que você conheça bem o que pedir.
Bruno fechou o próprio cardápio.
— Nesse caso, a responsabilidade pelo almoço passa a ser minha.
Os dois riram.
A leveza da conversa fez Bianca relaxar aos poucos. A timidez continuava ali, mas já não a deixava tão insegura como nos primeiros minutos.
Enquanto aguardavam os pratos, conversaram sobre assuntos simples.
Bruno perguntou sobre a empresa e Bianca falou do crescimento da marmoraria, dos novos projetos e dos desafios de administrar tantos contratos ao lado de Helena.
— Helena confia muito em você. — comentou Bruno.
Bianca abaixou modestamente os olhos.
— Ela me ensinou praticamente tudo o que sei.
— Ainda assim, talento não se ensina.
Ela levantou os olhos, surpresa com o elogio e Bruno continuou com naturalidade:
— Nas reuniões em que participamos, sempre notei que você conhece cada detalhe dos projetos. Isso não é comum.
Um leve rubor tomou conta do rosto de Bianca.
— Obrigada… — Ela sorriu, um pouco sem jeito. — Acho que apenas procuro não decepcionar quem acredita em mim.
Bruno a observou por um instante e prestou mais atenção na jovem reservada que costumava acompanhar Helena.
Percebeu a delicadeza de seus gestos, a maneira tranquila de falar e o sorriso discreto que iluminava seu rosto quando se sentia à vontade.
Havia nela uma beleza serena, daquelas que dificilmente chamavam atenção à primeira vista, mas que se revelavam aos poucos.
Era fácil entender por que todos na empresa gostavam dela. Bianca percebeu que ele a observava.
— Tem alguma coisa errada? — perguntou, um pouco constrangida.
Bruno sorriu de leve.
— Não. — Fez uma breve pausa antes de completar:
— Apenas percebi que eu conhecia muito pouco a prima da Helena.
Bianca soltou uma pequena risada.
— Isso porque eu falo muito pouco.
— Talvez.
Os dois ficaram em silêncio por um instante. Então Bruno sorriu, um sorriso verdadeiro.
Naquele momento, o garçom chegou com os pratos, interrompendo a conversa.
Os dois agradeceram e o almoço prosseguiu em um clima leve, falando sobre viagens, arquitetura, música e pequenos acontecimentos do cotidiano e Bruno percebeu que tinham muito em comum e apreciavam as mesmas coisas.
Quando deixaram o restaurante, Bianca já não parecia tão tímida e Bruno levava consigo uma impressão diferente. Percebeu que, por trás da jovem reservada e tímida, havia uma mulher inteligente, gentil e surpreendentemente agradável.

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