— Com os recursos atuais de tratamento e ampliação de imagem, conseguimos recuperar detalhes que antes eram imperceptíveis.
Ele aproximou uma fotografia antiga de Viviane.
— Nesta imagem, tirada poucos dias antes do acidente, a verdadeira Viviane aparece com uma pequena tatuagem de borboleta na mão esquerda.
Em seguida, colocou ao lado uma ampliação da mão da motorista, registrada por uma câmara quando saíam da casa noturna antes do acidente.
— Observe.
Eduardo e Leonardo inclinaram-se sobre a mesa. A mão que segurava o volante estava perfeitamente visível. Não havia tatuagem alguma.
O perito ergueu os olhos para Eduardo.
— Não há margem razoável para dúvida. Quem dirigia o carro naquela noite não era Viviane Teles.
Fez uma breve pausa antes de concluir:
— Era Sabrina Caiado
O silêncio tomou conta da sala. Eduardo permaneceu imóvel, com os olhos fixos nas fotografias. A verdade que Leonardo buscava, finalmente deixava de ser apenas uma suspeita.
Alguns minutos depois, o telefone do delegado tocou o delegado atendeu
— Entendido.
O delegado desligou e olhou para Eduardo.
— Acabamos de receber a confirmação da universidade. Existiam, de fato, duas estudantes registradas naquele período, Viviane Teles e Sabrina Caiado.
Eduardo permaneceu atento.
— Depois do acidente… o nome Sabrina Caiado simplesmente desaparece dos registros públicos. É como se tivesse deixado de existir.
Leonardo respondeu em voz baixa:
— Porque ela deixou e passou a viver como Viviane Teles.
O delegado fez um discreto gesto afirmativo.
— Exatamente. A partir deste momento, esta investigação deixa de ser apenas uma revisão de um acidente. Estamos diante de fortes indícios de fraude documental, falsa identidade, falsidade ideológica e possível homicídio relacionado ao acidente.
Eduardo ergueu os olhos.
— O senhor acredita que ela matou Viviane de propósito?
Augusto não respondeu imediatamente.
— Ainda não sei. Mas pelo material que me entregaram, Sabrina Caiado ainda não é o nome verdadeiro da suposta Viviane e sim Angelina Santos. Ainda temos muito que investigar e talvez esse acidente pode não ser como pensamos.
Os homens na sala de entreolharam, se aquela hipótese fosse verdadeira… eles não estavam diante de uma estelionatária. Estava diante de uma assassina.
*****
Naquela noite, depois de deixarem a delegacia, Eduardo e Leonardo foram jantar em um restaurante tradicional da pequena cidade.
Assim que entraram no salão, chamaram a atenção de praticamente todos os presentes.
Os dois eram altos, elegantes e vestiam ternos de corte impecável, destoando do ambiente simples que contrastava com os restaurantes sofisticados aos quais Eduardo estava acostumado, mas, naquele momento, nenhum dos dois se importava com isso.
Enquanto caminhavam entre as mesas, havia ainda algo que não se comprava nem se aprendia: uma presença natural que fazia as pessoas voltarem o olhar para eles.
Alguns homens os observaram por curiosidade, imaginando quem seriam aqueles visitantes.
Já entre as mulheres, os olhares demoraram um pouco mais. Algumas interromperam a conversa por um instante, outras trocaram discretos comentários e sorrisos, admirando os dois desconhecidos.
Apesar da evidente semelhança entre eles, havia diferenças marcantes.
Leonardo possuía um semblante mais leve e um sorriso fácil, que transmitia simpatia quase imediata.
Eduardo, por outro lado, carregava uma postura naturalmente reservada. Os traços firmes, o olhar profundo e a expressão séria lhe conferiam uma imponência difícil de ignorar.
Nenhum dos dois pareceu notar a atenção que despertava.

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