Eduardo
Eduardo retornou ao escritório, já quase no final da manhã. Sua chegada pegou muitos de surpresa. Alguns funcionários que ainda estavam pelo saguão, conversando ou adiando tarefas, logo se dispersaram, evitando cruzar olhares com o chefe.
A notícia correu rapidamente, atravessou o térreo, subiu andar por andar, até alcançar a sala da presidência.
Márcia, ao ser informada, imediatamente ajustou a postura. Endireitou os ombros, organizou os papéis sobre a mesa e assumiu sua expressão mais profissional.
Trabalhava com Eduardo há cinco anos, e sua conduta era irrepreensível. Começou a cerca de dez anos como recepcionista no térreo, mas sua competência a levou a trabalhar diretamente com Gilberto, pai de Eduardo. Após a transição de comando, permaneceu agora como secretária da presidência.
Diferente do pai, Eduardo não era apenas reservado. Era frio. Objetivo. De poucas palavras e muitos o temiam.
Ela, no entanto, lembrava-se de quando ele ainda era um jovem brilhante, promissor… e cheio de vida.
Mas tudo mudou depois daquele dia…
O som da abertura da porta do elevador privado se abrindo a tirou dos pensamentos. Eduardo entrou sem pressa, mas com a presença de sempre firme, dominante.
— Bom dia, senhor Monteiro — disse Márcia, formal.
— Bom dia, Márcia — respondeu ele, sem sequer diminuir o passo.
O tom era educado, mas distante.
Ela o acompanhou imediatamente, pegando algumas pastas organizadas.
— Separei os relatórios financeiros da semana — começou, já andando ao lado dele. — Também atualizei a agenda da tarde.
Ele entrou na sala, largando o paletó sobre a cadeira.
— Diga.
Márcia abriu a primeira pasta, posicionando-a sobre a mesa.
— Às quatorze horas, reunião com o conselho administrativo. Às dezesseis, videoconferência com os investidores internacionais. E às dezoito, reunião interna com o setor jurídico.
Eduardo passou os olhos rapidamente pelos documentos.
— Confirme todas.
— Sim, senhor — respondeu ela, antecipando-se.
Ele assentiu, sem elogiá-la, mas também sem questionar.
— Há mais alguma coisa, senhor?
— Não.
Ela hesitou por um breve segundo, como se esperasse algo mais… mas não veio.
— Com licença.
— Hm.

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