Olhou para a porta fechada, nenhuma luz escapava pela fresta, nenhum ruído ou movimento.
Sem perceber, Eduardo franziu a testa, ainda era cedo, Helena dificilmente estaria dormindo.
Helena não estava em casa e ele não fazia ideia onde ela estava ou com quem e isso o incomodou mais do que deveria.
Tirou o celular do bolso, por um momento seus dedos pairavam sobre o nome de Helena, bastava uma ligação e perguntar onde ela estava, se estava tudo bem e se voltaria.
Mas não fazia sentido, exasperado bloqueou o impulso, guardo novamente o celular no bolso e foi para seu quarto.
Tentou mergulhar no trabalho, abriu o notebook, mas sua atenção nunca permanecia por muito tempo na tela.
As horas passaram lentamente. A tela do notebook permanecia aberta, mas Eduardo já não lia uma única linha havia muito tempo. Seu olhar se desviava repetidamente para a janela, esperando ver os faróis de um carro cruzando a entrada da mansão.
Mas eles nunca apareceram, não naquela noite…
Naquela noite... Helena não voltou para casa.
*****
Logo pela manhã, Helena chegou cedo à empresa acompanhada de Bianca. Ela havia passado a noite na casa dos tios onde encontrou apoio e tentou dormir um pouco.
O acidente foi muito mais grave do que as primeiras informações indicavam.
O novo tear, adquirido poucos meses antes por um investimento milionário, estava praticamente destruído. As causas ainda eram investigadas, mas tudo indicava que não se tratava de uma simples falha mecânica.
O engenheiro enviado pela fabricante chegaria naquela manhã para realizar a perícia.
Enquanto caminhavam em direção à entrada principal, um carro estacionou ao lado e Bruno desceu rapidamente.
Assim que o viu, Helena percebeu que ele já sabia do ocorrido.
Pela primeira vez desde que o conhecia, o sorriso tranquilo que sempre carregava havia desaparecido. Em seu lugar havia apenas preocupação.
Ele caminhou até as duas apressadamente, diferente da calma e tranquilidade de sempre.
— Bom dia, Helena.
Depois voltou-se para Bianca.
— Bom dia, Bianca.
— Bom dia. — Helena tentou sorrir, mas o cansaço estampado em seu rosto era impossível de esconder. — O que faz aqui tão cedo?
— Soube do acidente ainda ontem à noite.
Fez uma breve pausa.
— Vim saber como você está... e se precisa de algum apoio. Jurídico, financeiro... qualquer coisa.
Helena sentiu um calor discreto no peito. Era reconfortante saber que havia pessoas que simplesmente apareciam quando ela precisava.
— Como ficou sabendo?
— Eu disse a ele. — Respondeu Bianca.
Bruno havia ligado para falar com Helena que haveria um pequeno atraso no cronograma do complexo comercial, que já se encontrava em fase de acabamento, mas alguns fornecedores acabam atrasando a entrega, como não conseguiu falar com Helena, ele conversou diretamente com Bianca.
Ao perceber que havia um nervosismo incomum na voz dela pelo telefone e ao perguntar, Bianca relatou o ocorrido.
— Queria ter vindo ontem mesmo, mas tinha assuntos importantes na empresa. E como está a situação?
— Obrigada, Bruno. Ainda estamos levantando todas as informações.
— E os funcionários?
— Um continua internado. O estado dele inspira cuidados, mas os médicos disseram que está estável.
Bruno respirou aliviado.
— Ainda bem.
Os três seguiram juntos para o interior do prédio.
Os funcionários que chegavam demonstravam um semblante apreensivo. As conversas cessavam discretamente quando Helena passava. Todos sabiam que aquele seria um dia difícil.
Poucos minutos depois, já estavam reunidos no escritório de Helena. Ela deixou a bolsa sobre a mesa e permaneceu alguns segundos em silêncio antes de falar.
— A situação é pior do que imaginei.
Bruno e Bianca permaneceram atentos, Célia havia se juntado a eles.
— O engenheiro da fabricante ainda fará a perícia, mas nosso engenheiro praticamente descartou uma falha de fabricação. Tudo indica que alguém mexeu na máquina antes do acidente.
Bianca já sabia, Helena chegou tarde ontem e relatou o que havia acontecido a ela e a família.
— Você acredita que foi sabotagem? — Perguntou Bruno
Helena assentiu lentamente.
— Ainda não posso afirmar oficialmente... mas, neste momento, essa é a principal hipótese.
— Mas quem faria isso e por quê? — Perguntou Célia aflita.
— Não sabemos ainda, mas a polícia foi acionada e as imagens das câmeras estão sendo analisadas.
Bruno cruzou os braços, refletindo.
— Isso muda completamente o cenário.
Helena concordou.
— Se a perícia concluir que houve interferência humana, a fabricante não assumirá nenhuma responsabilidade. A garantia será imediatamente cancelada.
Ela caminhou até a grande janela do escritório.
— A máquina também ainda não possuía cobertura do seguro. O processo de inclusão estava em andamento justamente por ser um equipamento recém-adquirido.
Bianca olhou preocupada para a prima.

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