Bruno permaneceu no escritório por mais alguns minutos, mas logo Ana surgiu à porta.
— Senhora Helena, o engenheiro da empresa fornecedora do tear acabou de chegar.
— Obrigada, Ana.
Helena levantou-se rapidamente e pegou a bolsa.
— Bruno, eu preciso ir.
Antes de sair, voltou-se para Bianca.
— Cuide de tudo aqui. Sei que posso contar com você.
— Pode deixar.
Bruno também se levantou.
— Se precisar de qualquer coisa, me avise.
Helena apenas assentiu antes de deixar a sala às pressas.
A porta se fechou.
Por alguns instantes, Bruno permaneceu olhando na direção por onde Helena havia saído. A preocupação ainda estava estampada em seu rosto.
Foi Bianca quem quebrou o silêncio.
— Quando alguma coisa dá errado... ela sofre em silêncio. Primeiro resolve o problema... depois, quando ninguém está olhando, desaba.
Bruno permaneceu calado e então voltou lentamente o olhar para Bianca.
Pela primeira vez reparou com atenção em seus olhos. Eram muito parecidos com os de Helena, cor de mel, mas havia um discreto tom esverdeado que lhes dava uma delicadeza diferente.
Antes que qualquer um dos dois dissesse mais alguma coisa, o telefone tocou.
— Fique à vontade. — disse Bruno.
Bianca atendeu imediatamente e seu semblante mudou.
Enquanto ouvia a pessoa do outro lado da linha, abriu alguns arquivos no computador, consultou contratos, verificou cronogramas e fez algumas anotações rápidas.
As respostas eram objetivas, seguras e precisas. Mesmo diante da crise instalada na empresa, em nenhum momento demonstrou insegurança.
Bruno a observava em silêncio. Até aquele instante, sempre a enxergara como a prima tímida de Helena. Agora descobria outra Bianca.
Uma profissional organizada, concentrada e que transmitia confiança. Quando a ligação terminou, ela respirou discretamente antes de erguer os olhos.
— Desculpe. Era importante.
Bruno sorriu. Aquele sorriso tranquilo que sempre o fazia parecer alguns anos mais jovem. Sem perceber, Bianca corou levemente.
— Posso fazer uma pergunta?
— Claro.
— Há quanto tempo você trabalha aqui?
— Cerca de um ano e meio.
— E já participa de todas essas decisões?
Ela sorriu com humildade.
— Ainda estou aprendendo.
Bruno lançou um olhar para a mesa repleta de documentos.
— Pela forma como organizou tudo... eu diria que aprendeu muito rápido.
Ela pareceu um pouco sem jeito com o elogio.
— A Helena me ensinou muita coisa. — Fez uma pequena pausa. — Mas ainda tenho muito a aprender.
Bruno percebeu que não era uma falsa modéstia, havia humildade, mas também segurança.
— Você cursou Administração, não foi?
— Sim.
— E pretende continuar na empresa?
Os olhos de Bianca brilharam.
— Quero ajudar a Helena a transformar esta empresa em uma referência no país e quem sabe no exterior.
Bruno arqueou discretamente as sobrancelhas.
— Um projeto bastante ambicioso.
Ela sorriu.
— Sim, mas acredito no nosso potencial.
Bruno acabou sorrindo também. Depois perguntou:
— E sempre sonhou em trabalhar com administração?
Bianca balançou a cabeça.
— Na verdade... não. — Ela respirou fundo. — Meu sonho sempre foi outro.
— Posso perguntar qual?

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