Helena passou os dias seguintes praticamente dentro da empresa. Dormia poucas horas. Reunia-se com engenheiros, advogados, bancos, fornecedores e clientes.
Tentava negociar prazos, adiava pagamentos e buscava linhas emergenciais de crédito. Mesmo assim, as contas já não fechavam.
Naquela sexta-feira, Maurício entrou na sala carregando uma pasta. Não precisou dizer nada, Helena compreendeu pela expressão dele que as notícias não eram boas.
Ela abriu o relatório e leu cada página lentamente. Quando terminou, fechou os olhos por alguns segundos.
— Quanto tempo nós temos? — perguntou sem levantar a cabeça.
Maurício respondeu em voz baixa.
— Mantendo esse ritmo de produção. — Fez uma breve pausa antes de concluir: — Cerca de quarenta dias.
O silêncio que se instalou na sala pareceu ainda mais pesado. Helena permaneceu imóvel. Desde a morte da mãe, ela começou a admitir uma possibilidade que jurara nunca considerar.
Talvez… ela realmente precisasse pedir ajuda a Eduardo e essa era a última coisa que desejava fazer.
*****
A sala de reuniões do galpão da Vasconcelos Mármores e Granitos permanecia fechada havia quase duas horas.
Sobre a mesa estavam espalhados relatórios financeiros, contratos, cronogramas de produção, laudos técnicos e previsões de fluxo de caixa.
Helena permanecia de pé diante do painel de vidro, os braços cruzados e o olhar perdido sobre o pátio industrial.
Bianca conferia novamente os números, enquanto Célia revisava os contratos.
Maurício, ainda com a roupa da marmoraria, mantinha nas mãos um relatório técnico enviado pelo engenheiro responsável pela perícia.
Foi ele quem rompeu o silêncio.
— O engenheiro foi categórico. O eixo principal do tear sofreu uma sobrecarga proposital. A sabotagem comprometeu toda a estrutura.
Helena fechou os olhos por um instante.
— Existe alguma possibilidade de recuperação?
Maurício respirou fundo antes de responder.
— Existe... mas não será rápida.
Fez uma breve pausa.
— Algumas peças precisam ser fabricadas na Itália. O prazo mínimo é de quatro meses.
A informação caiu sobre a sala como uma sentença. Bianca fechou lentamente a planilha.
— Quatro meses...
Célia passou a mão pelos cabelos.
— Nós não temos esse tempo.
Maurício assentiu.
— Nem produção suficiente.
Pegou outra folha.
— Com apenas o tear antigo funcionando, conseguimos atender pouco mais da metade dos pedidos atuais.
Bianca completou imediatamente:
— E os contratos maiores começarão a sofrer atraso em menos de três semanas.
Helena permaneceu imóvel.
— As multas?
Bianca consultou outra planilha.
— Se todos exigirem o cumprimento integral dos contratos… — Respirou fundo. — O prejuízo será enorme.
Célia fechou a pasta diante de si.
— Alguns clientes já ligaram hoje de manhã ameaçando rescindir os contratos.
Helena voltou-se para Maurício.
— E os funcionários?
Ele demorou alguns segundos para responder.
— Estão preocupados.
Helena permaneceu em silêncio e Maurício continuou:
— O acidente abalou todo mundo. O funcionário que ficou gravemente ferido ainda está internado. — Fez uma pequena pausa. — Além disso… Os homens começaram a comentar. Com a produção reduzida, alguns já perguntam se haverá cortes.
Helena respondeu imediatamente.
— Não.

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