Ela levantou-se no mesmo instante e os olhos se encheram de alegria.
— Senhor Leonardo!
— Márcia!
Ele abriu um largo sorriso.
— Você ainda está aqui?
Ela riu.
— Ainda.
— Como consegue sobreviver ao mau humor do Eduardo todos esses anos?
Antes que ela pudesse responder, Leonardo deu a volta na mesa e a abraçou sem qualquer cerimônia.
Márcia retribuiu o abraço com carinho, ela o conhecia desde adolescente. Na época em que Gilberto Monteiro ainda presidia a empresa, Leonardo aparecia constantemente pelos corredores. Ela sempre guardava um doce na gaveta para ele, um costume que nunca desapareceu da memória dos dois.
— Não fale assim do seu irmão. — disse ela, afastando-se com um sorriso. — O senhor Eduardo é um excelente patrão.
Leonardo fez uma expressão teatral de incredulidade.
— Márcia... você ficou puxa-saco com a idade.
Ela soltou uma risada.
— Estou sendo sincera.
— Ele está ocupado?
— Na verdade, ele está esperando o senhor. Pode entrar...
Ela interrompeu a frase e abriu lentamente uma das gavetas da mesa. Leonardo arqueou uma sobrancelha, curioso.
Márcia retirou uma pequena trufa embrulhada em papel dourado e estendeu para ele.
— Mas antes… — Ela sorriu com ternura. — Seja bem-vindo de volta.
Por um instante, Leonardo permaneceu imóvel. Olhou para o doce em sua mão como se tivesse voltado muitos anos no tempo.
Um nó discreto formou-se em sua garganta, ele sorriu com saudade.
— Você ainda faz isso...
— Claro.
— Algumas coisas não deveriam mudar.
Leonardo pegou a trufa, desembrulhou-a e a colocou inteira na boca, ele fechou os olhos por um segundo.
— Meu Deus...
Apontou para ela, ainda mastigando.
— Márcia...
Ela levantou uma sobrancelha, divertida.
— Eu te amo!
Os dois caíram na risada, depois Leonardo caminhou até a porta da presidência ainda terminando de mastigar a trufa.
*****
Ao entrar no escritório, Leonardo encontrou Eduardo ao telefone, falando em inglês. Pelo tom firme e pelas poucas palavras que conseguiu captar, percebeu que o assunto ainda era a tentativa de invasão sofrida pelo Grupo Monteiro.
Eduardo fez um gesto para que ele entrasse e aguardasse.
Em vez de ocupar a cadeira diante da mesa, Leonardo caminhou até um dos confortáveis sofás do escritório. Sentou-se com tranquilidade, cruzou uma perna sobre a outra e pegou o celular, passando a impressão de que estava completamente distraído, embora prestasse atenção em cada palavra dita pelo irmão.
A ligação não demorou muito.
Assim que desligou, Eduardo voltou o olhar para Leonardo.
— Problemas? — perguntou ele.
— Era o senhor Walker.
Leonardo ergueu as sobrancelhas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Proibida de Amar Meu Marido