Após ler o contrato, Leonardo ergueu os olhos para Eduardo.
— Você está confiando à Vanguard Investments uma grande parceria nestas negociações com o Grupo Walker.
— Não estou fazendo isso por ser meu irmão. Eu já conhecia a Vanguard Investments. Confesso que ela já foi meu alvo algumas vezes, mas havia algo que me fazia recuar, mesmo diante do excelente desempenho de vocês.
Leonardo sorriu de lado. Se Eduardo realmente tivesse decidido atingir a Vanguard, ele sabia que o irmão teria recursos e competência suficientes para fazê-lo.
— Agradeço por não tentar.
O comentário arrancou de Eduardo um breve sorriso, mas logo Leonardo adotou uma expressão mais séria.
— Papai e mamãe estão reclamando que você não tem ido lá em casa.
Eduardo também ficou mais sério.
— Tenho andado muito ocupado com a chegada do senhor Walker e da família. Mas vou tirar um tempo para jantar com eles.
Fez uma pequena pausa antes de acrescentar:
— E você? Vai continuar morando sozinho?
Desde o reencontro com a família, Gilberto e Olívia insistiam para que Leonardo voltasse a morar na mansão Monteiro. A casa era grande demais para duas pessoas e, segundo os pais, grande demais para permanecer tão silenciosa.
Leonardo soltou uma breve risada.
— Acostumei-me a morar sozinho. E, como você, também trabalho muito. Às vezes até tarde.
Eduardo assentiu, mas Leonardo não desviou os olhos dele, havia algo que queria perguntar.
Por alguns segundos, apenas o observou. Então sua expressão mudou, tornando-se mais séria, enquanto seus olhos perspicazes estudavam cada reação do irmão.
— Helena parece ser uma mulher incrível.
Eduardo ficou imóvel e não disse nada, por isso Leonardo prosseguiu.
— Você teve sorte de encontrá-la. — Leonardo inclinou levemente a cabeça e fez uma breve pausa. — Você a ama?
A pergunta foi direta, sem qualquer rodeio, e pegou Eduardo completamente desprevenido. Ele desviou o olhar, incomodado.
Essa era uma pergunta que ele mesmo tentava responder, ou melhor, não queria responder.
Se havia alguém no mundo capaz de perceber uma mudança mínima em seu comportamento, esse alguém era Leonardo. Havia alguma coisa errada naquele casamento que não batia.
Desde que retornara, os dois haviam conversado pouco sobre a vida pessoal de Eduardo. O irmão nunca falava espontaneamente sobre Helena e, curiosamente, até Gilberto e Olívia pareciam evitar o assunto.
Leonardo havia perguntado à mãe sobre a esposa de Eduardo alguns dias antes.
A tristeza que vira nos olhos de Olívia havia sido suficiente para lhe dizer que havia muito mais naquela história do que seus pais estavam dispostos a contar.
Ela apenas respondeu:
— Helena é a melhor esposa que Eduardo poderia ter encontrado.
Uma resposta bonita demais para esconder alguma coisa.
Leonardo voltou a encarar o irmão, esperando uma resposta. Mas Eduardo sequer teve tempo de responder, dois toques soaram na porta e Márcia entrou logo em seguida.
— Senhor Eduardo, o senhor Souza e a senhorita Bittencourt acabaram de chegar.
— Peça para eles entrarem.
— Sim, senhor.
Márcia saiu e, poucos segundos depois, Bernardo e Gabriella entraram.
Eduardo e Leonardo se levantaram. Os cumprimentos foram formais, como era esperado em um ambiente de negócios. Um aperto de mão firme com Bernardo, seguido de outro com Gabriella.
Mas, quando Leonardo estendeu a mão para ela, seu comportamento mudou. Um sorriso espontâneo surgiu em seu rosto.
— Gabriella. Que bom vê-la.
— Leonardo. — O sorriso dela foi tímido e as bochechas de Gabriella ganharam um tom rosado
Bernardo percebeu o olhar que Leonardo lançou sobre Gabriella e não gostou. Mas disfarçou o incômodo adotando uma postura profissional.
Eduardo, alheio àquela pequena tensão, indicou as cadeiras.
— Sentem-se. Quero aproveitar que vocês estão aqui para conversarmos sobre o que aconteceu.
Todos se acomodaram.
Bernardo abriu o notebook e colocou alguns relatórios sobre a mesa.
— A tentativa de invasão foi mais sofisticada do que a anterior.
Leonardo permaneceu em silêncio, atento.
— Eles não tentaram simplesmente entrar no sistema — continuou Bernardo. — O ataque foi direcionado a uma área específica da rede. Estavam procurando informações relacionadas às negociações com o Grupo Walker.
— Algum tipo de espião digital?.
— Provavelmente — respondeu Gabriella. — Quem fez isso sabia exatamente o que procurava.
Ela abriu alguns arquivos no computador e projetou os dados na tela da sala.
— Nosso programa conseguiu bloquear a invasão antes que chegassem aos arquivos sensíveis. Nossa equipe identificou o padrão de acesso e isolou os servidores comprometidos.
Leonardo observou a sequência de dados na tela e seu olhar se estreitou por um instante. Ele conhecia aquela arquitetura. Conhecia melhor do que qualquer pessoa naquela sala, mas não disse nada.
Gabriella continuou:
— O problema é que, quando estávamos prestes a identificar a origem do ataque, alguém interferiu.
Eduardo franziu a testa.

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