Os dias passaram rapidamente.
Com a ajuda de Eduardo, a empresa de Helena não sofreu prejuízos significativos. As equipes se revezavam no tear antigo em turnos e faziam horas extras para conseguir atender aos pedidos e manter os prazos.
Helena trabalhava até tarde e, algumas vezes, sequer voltava para casa. Quando isso acontecia, seguia com Bianca para a casa dos tios. Retornar para aquela casa vazia e silenciosa apenas tornava sua solidão ainda mais dolorosa. Na casa dos tios, ao contrário, havia carinho, conversa e atenção.
Glória preparava seus pratos favoritos, Renato a tratava como uma filha, e Bernardo e Bianca faziam de tudo para tornar o ambiente mais leve e descontraído. Ali, cercada por pessoas que a amavam, Helena conseguia, por algumas horas, esquecer um pouco Eduardo.
Com Eduardo, a rotina não era muito diferente.
A pressão causada pela chegada iminente de John Walker e de sua família aumentava a cada dia. A negociação representava uma oportunidade importante para o Grupo Monteiro, e todos sabiam que qualquer falha poderia colocar meses de trabalho em risco.
Eduardo e Murilo eram os primeiros a chegar à empresa e os últimos a sair. Quando saíam.
Nas últimas noites, Eduardo simplesmente dormia algumas horas na suíte de descanso de seu escritório. O trabalho era uma maneira conveniente de manter a mente ocupada e não pensar em tudo o que estava acontecendo em sua vida pessoal.
Naquela tarde, Murilo deu dois toques na porta antes de entrar.
— Senhor Eduardo, está confirmado. John Walker e a família chegam em três dias.
Eduardo ergueu os olhos cansados dos documentos sobre a mesa.
— Como estão os preparativos?
— Tudo pronto, senhor. Todas as equipes foram treinadas e os últimos detalhes já foram ajustados. Estará tudo impecável.
Eduardo assentiu.
— Ótimo. Não admito falhas.
— Sim, senhor.
Murilo fez um breve aceno e deixou a sala.
Assim que a porta se fechou, Eduardo permaneceu imóvel por alguns segundos e seu olhar caiu sobre o telefone que estava sobre a mesa.
Havia hesitado em fazer aquela ligação, mas sabia que precisava conversar com Helena. Não poderia continuar daquela maneira.
Pegou o telefone, respirou fundo e ligou para o contato dela.
*****
O telefone sobre a mesa de Helena tocou.
Ela ergueu os olhos para o aparelho e, ao ver o nome que aparecia na tela, franziu levemente a testa.
Eduardo.
Por alguns segundos, ficou apenas olhando para o telefone como se estivesse em estado de choque. Seu coração começou a bater mais rápido. Depois de tudo o que havia acontecido entre eles, qualquer contato de Eduardo era suficiente para deixá-la inquieta.
Com as mãos levemente trêmulas, finalmente atendeu.
— Alô?
Sua voz saiu baixa e insegura.
Do outro lado, houve um breve silêncio antes de Eduardo falar.
— Helena, precisamos conversar.
A voz dele era distante e fria, exatamente como vinha sendo nos últimos dias.
Helena apertou o telefone contra o ouvido.
— Sobre o quê?
— Você poderia vir ao meu escritório?
Ela fechou os olhos por um instante, aquela simples frase fez seu coração apertar. Talvez fosse finalmente aquilo que, no fundo, ela já esperava.
Agora que Viviane não fazia mais parte da vida de Eduardo, aquele casamento já não parecia ter motivo para continuar.

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